Trabalho realizado no Laboratório de Farmacologia e Produtos Naturais da Universidade Estadual do Pará - UEPA - Belém (PA) - Brasil.
1. Acadêmico do 6o ano do Curso de Medicina da UEPA; Estagiário do Laboratório de Farmacologia e Produtos Naturais da Universidade Estadual do Pará - UEPA - Belém (PA) - Brasil.
2. Acadêmico do 6o ano do Curso de Medicina da UEPA; Estagiário do Laboratório de Farmacologia e Produtos Naturais da Universidade Estadual do Pará - UEPA - Belém (PA) - Brasil.
3. Professora Adjunta Mestre da Disciplina Anatomia Patológica, Universidade Estadual do Pará - UEPA - Belém (PA) - Brasil.
4. Professor Adjunto IV; Mestre da Disciplina Anatomia Patológica, Universidade
Estadual do Pará - UEPA - Belém (PA) - Brasil.
5. Mestre; Pós-Graduando da Faculdade de Ciências Médicas da Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo - São Paulo (SP) - Brasil.
6. Professor Doutor da Disciplina Anatomia, Universidade Estadual do Pará - UEPA - Belém (PA) - Brasil.
7. Professor Doutor e Chefe do Serviço de Ortopedia Pediátrica da Faculdade de Ciências Médicas da Irmandade da Santa Casa de São Paulo - São Paulo (SP) - Brasil.
Endereço para correspondência: Pollyanna Celso Felipe de Castro, Loteamento Itororó, Rua K3, 22, Estrada da Ceasa, Bairro Curió-Utinga - 66610-335 - Belém, PA. Tels.: (91) 277-0620/9603-4126; fax: (91) 277-0620. E-mail: pollycas@hotmail.com


INTRODUÇÃO

O estudo da influência de fatores químicos, físicos e biológicos sobre as fraturas encontra no modelo experimental em ratos uma alternativa valiosa no que se refere à reprodutibilidade e padronização da fratura, tornando o estudo exequível não só da fratura como também do processo de consolidação. Este se desenvolve por uma série de fases até que o osso esteja totalmente remodelado(1).

Addams e Hamblen consideraram o processo de consolidação em cinco estágios. O primeiro estágio é a fase de hematoma, que ocorre devido à ruptura da maior parte dos capilares que se dispõem longitudinalmente no osso compacto; o segundo estágio é denominado de fase de proliferação subperiostal e endostal, na qual ocorre proliferação de células do periósteo, próxima à fratura, bem como do canal medular, ao mesmo tempo em que o hematoma é reabsorvido; no terceiro estágio ocorre a formação do calo primário, no qual há a proliferação de condroblastos, mas principalmente de osteoblastos que se depositam na matriz intercelular, que logo se torna impregnada por sais de cálcio para formar o osso não amadurecido do calo da fratura; o quarto estágio é a fase de consolidação, em que o osso primário amadurece, apresentando estrutura lamelar típica; e o quinto estágio é o de remodelação, em que o calo ósseo excessivo é removido(1).

Udupa e Prasad realizaram estudo histoquímico, que durou seis semanas, para caracterizar a evolução da consolidação óssea em ratos, tendo-se evidenciado quatro fases: a fase fibroblástica, que ocorre na primeira semana pós-fratura, caracterizada principalmente pela proliferação de fibroblastos oriundos do periósteo e posteriormente de condroblastos e osteoblastos; fase do colágeno, que ocorre na segunda semana, na qual, à medida que diminui a proliferação celular, ocorre produção de fibras colágenas no espaço entre os fragmentos; fase osteogênica, que abrange a terceira e quarta semanas, caracterizada pela proliferação e hipertrofia de condroblastos, os quais são substituídos por osteoblastos que produzem nova substância intercelular e osso novo; e a fase de remodelação, correspondente à quinta e sexta semanas, quando o excesso de massa óssea formada é reabsorvido(2).

Nos traumatismos osteomusculares, de forma geral, a dor está sempre presente, sendo seu alívio sempre desejado e por isso são utilizadas medidas auxiliares, que variam desde o uso de imobilizações até o emprego de medicações analgési-cas(3). O acetaminofen é o analgésico mais utilizado dentre os derivados do para-aminofenol, sendo indicado no tratamento da dor pós-fratura e bastante seguro em doses terapêuticas(4).

Sua eficácia no tratamento da dor em ortopedia é bem documentada na literatura(3-6). Esse medicamento tem sido freqüentemente utilizado no pós-operatório de cirurgias ortopédicas, promovendo resposta analgésica excelente em cerca de 85% dos pacientes(5). Sakata et al observaram resultados semelhantes em pacientes submetidos a cirurgias de várias especialidades médicas, inclusive no pós-operatório de cirurgias ortopé-dicas(6).

Ainda outros estudos mostram que determinados medicamentos retardam a consolidação óssea, como é o caso dos antiinflamatórios não hormonais (AINHs) e corticosteróides(7,8). Sobre o acetaminofen, no entanto, não há qualquer relato na literatura acerca de seus efeitos na consolidação.

Diante da ampla utilização de analgésicos no tratamento da dor pós-fratura, o objetivo dos autores foi avaliar radiográfica e histologicamente os efeitos do acetaminofen sobre o processo de consolidação de fraturas tibiais de ratos.

MATERIAL E MÉTODOS
Foram utilizados 45 Rattus novergicus albinus, da linhagem Wistar, machos, adultos, pesando 294 ± 43 gramas, provenientes do Biotério do Instituto Evandro Chagas (Belém-PA), adaptados ao biotério do Laboratório de Farmacologia da Universidade do Estado do Pará por um período de 15 dias antes do início do experimento, mantidos em ambiente controlado, recebendo água e ração ad libitum.

Sob anestesia inalatória com éter etílico, foi provocada manualmente fratura com três pontos de apoio na diáfise tibial direita dos animais. Estes foram distribuídos aleatoriamente em três grupos: grupo controle (GC), n = 20 - foi administrada, por via oral, pelo método da gavagem, água destilada na dose-volume de 0,10ml/100g de peso do animal, diariamente; grupo experimental (GE), n = 20 - foi administrado por via oral, pelo método da gavagem, acetaminofen a 42mg/ kg, na dose-volume de 0,10ml/100g de peso do animal, diariamente; grupo padrão (GP), n = 5 - não receberam qualquer solução, mas apenas tiveram a tíbia direita fraturada para comprovação radiográfica imediata da fratura.

Ao final da primeira, segunda, quarta e sexta semanas, cinco animais de cada grupo, com exceção do GP, foram sacrificados com dose letal de éter etílico. Suas patas traseiras fo-ram cuidadosamente ressecadas e levadas para a realização de radiografias na incidência ântero-posterior. Estas foram realizadas sempre à mesma distância da ampola de raios-X (1m), na mesma técnica radiográfica (40kv x 2mAs) e no mesmo aparelho.

Posteriormente, seus ossos fraturados foram dissecados e preparados para avaliação histológica, da seguinte forma: fo-ram fixados em formol a 10%, descalcificados em ácido nítrico a 10% por 24 horas, processados em banhos de álcool a 70%, 80%, 90%, três banhos de álcool absoluto, três banhos de xilol e dois banhos de parafina a 60ºC em histotécnico. As peças foram incluídas em parafina para preparação dos blocos, os quais foram cortados em micrótomo a cinco micras, na região correspondente ao local da fratura, coradas em hemato-xilina-eosina e montadas em lâminas.

Foram adotados como parâmetros básicos para a avaliação radiográfica a presença de calo ósseo, tempo de consolidação, tipo e localização da fratura. Na avaliação histológica foram considerados a presença de hematoma fraturário, tecidos fibroso, cartilaginoso e ósseo, de acordo com as fases da reparação da fratura.

RESULTADOS Avaliação radiográfica
Nas radiografias do grupo padrão, ob-servou-se fratura em terço médio diafisário da tíbia do tipo transversa com desvio em valgo (figura 1).

Não foram observadas diferenças entre as radiografias dos grupos controle e acetaminofen em relação à semana em que os animais foram sacrificados: após uma semana da fratura não se observaram sinais de consolidação óssea (figura 2); na segunda semana pós-fratura, foi observada formação de calo ósseo ao redor dos focos de fratura dos grupos controle e acetaminofen (figura 3); após a quarta semana, foi identificada consolidação de todas as fraturas com presença de calo ósseo abundante (figura 4). Na sexta semana de evolução, além da consolidação óssea, havia melhor organização do calo ósseo (figura Avaliação histológica 5). Foi observada em todas as semanas Na primeira semana foram evidenciasolução de continuidade corresponden-das, nos animais do GC e do GE, áreas te ao traço de fratura inicial. de hemorragia envoltas por fibroblastos, proliferação de vasos neoformados e aparecimento de osteoblastos periósticos (figura 6).





Na sexta semana houve, em ambos os grupos, maior quantidade de trabéculas ósseas maduras e tecido cartilaginoso maduro envoltos por tecido fibrocartilaginoso (figura 9).

Não foram observadas diferenças histológicas significativas entre os grupos controle e experimental ao longo das semanas estudadas.

DISCUSSÃO
No presente trabalho, não foram observadas diferenças histológicas ou radiográficas significativas comparando-se os grupos experimental e controle. Ambos os grupos apresentaram hematoma fraturário, proliferação de fibroblastos e surgimento de osteoblastos periósticos uma semana após a fratura, dados compatíveis com os de Udupa e Prasad, que denominaram esta de fase fibroblástica, devido à intensa proliferação inicial de fibroblastos, tendo observado também formação de hematoma e proliferação de osteoblastos imediatamente abaixo do periósteo(2). Segundo Junqueira e Carneiro, tal fato caracteriza a ossificação intramembranosa(9). Esse tipo de ossificação começa a ocorrer imediatamente após a fratura(10). Mendes et al, em estudo experimental envolvendo consolidação óssea, encontraram resultados semelhantes aos obtidos nesta pesquisa, destacando apenas que, na primeira semana, os fibroblastos proliferavam ao redor de um grande hematoma e, ao fim da segunda semana, já havia pontes ósseas (osso imaturo)(8).

A organização do hematoma na segunda semana, bem como o aparecimento de tecido fibrocartilaginoso com focos de cartilagem hialina, estão em acordo com o proposto por Addams e Hamblen, ao considerarem a reabsorção do hematoma em uma segunda etapa da consolidação, após o início da proliferação celular periostal e seguida pelo surgimento de cartilagem(1). Ainda na segunda semana observaram-se focos de cartilagem hialina, dado que está em acordo com o estudo realizado por Einhorn, ao observar síntese importante deste tipo de cartilagem, aproximadamente nove dias após a produção da fra-tura, em ratos(10). Na quarta semana evidenciou-se a formação de tecido ósseo imaturo em substituição ao cartilaginoso, observação também relatada por Udupa e Prasad - que denominaram esta fase de osteogênica - período correspondente à terceira e quarta semanas, pois à proliferação inicial de células cartilaginosas segue-se hipertrofia de condroblastos, com produção de fosfatase alcalina por estas células, propiciando o início da calci-ficação(2). Os osteoblastos então passavam a depositar material intercelular para a formação de osso novo em substituição ao tecido cartilaginoso, caracterizando a ossificação endocon-dral(9). Na sexta semana a formação do tecido ósseo maduro bem como a predominância desse sobre o cartilaginoso coincidem com o processo de remodelação óssea descrito na literatura, como de ocorrência no período pós-fratura(2).

Quanto à avaliação radiográfica, observou-se formação de calo ósseo ao final da segunda semana pós-fratura. Já ao fim da quarta semana, o calo ósseo era abundante, evidenciando consolidação e, na sexta semana, além de consolidação óssea, havia melhor organização do calo ósseo. Esses resultados são compatíveis com os encontrados na literatura consultada, vis-to que Mendes et al observaram na quinta semana após a fra-tura a presença de sinais radiográficos de consolidação(8). Andreassen et al mostraram, radiograficamente, que o conteúdo mineral do osso aumentava significantemente, em ratos, entre o 20o e o 40o dia após fratura(11).

A persistência do traço de fratura nas radiografias até a sexta semana está em acordo com dados obtidos na literatura. Utvag e Reikeras verificaram que 20 dias após a fratura em ratos ainda existia uma linha de fratura visível, enquanto que após 40 dias o traço era pouco perceptível(11). A persistência dessa solução de continuidade pode ser atribuída à ausência de imobilização.

Nesta pesquisa não foram observadas complicações, em-bora se saiba que vários são os fatores capazes de interferir no processo de consolidação óssea, dentre os quais citam-se: irradiação, uso de imobilização, tipo de fratura, traço de fratura, secção de nervos, presença de tumor ósseo, interposição de tecidos moles, infecção no foco de fratura e administração de substâncias endógenas, como o paratormônio(1,7,8,11-14).

Portanto, a adoção do mecanismo manual de trauma compressivo direto para produção da fratura justifica-se por proporcionar configuração transversa do traço(1). O uso de um modelo de fratura fechada justifica-se por diminuir bastante os riscos de infecção, além de causar mínimos danos em tecidos moles(10). Zacharias et al comentaram que, ao contrário de traumatismos fechados, modelos de produção de fraturas por meios invasivos podem complicar-se com deiscência de sutura e conseqüente infecção profunda, como ocorreu em sua pesquisa(15).

A estabilização da fratura por meios invasivos também pode resultar em complicações. Pelker e Friedlaender utilizaram fios de Kirschner e excluíram 87 animais do experimento devido a diversas complicações, dentre elas, mortes no peroperatório e fratura femoral durante a montagem dos fios(12). Complicações semelhantes foram relatadas por Utvag e Reikeras, que excluíram oito animais devido à excessiva cominuição das tíbias durante a fixação dos fios(11).

Mesmo quando meios não invasivos são utilizados para estabilização da fratura, complicações podem ocorrer. Em estudo piloto realizado neste trabalho utilizando imobilização por gesso, todos os animais evoluíram para síndrome comNa sexta semana houve, em ambos os grupos, maior quantidade de trabéculas ósseas maduras e tecido cartilaginoso maduro envoltos por tecido fibrocartilaginoso (figura 9).

Não foram observadas diferenças histológicas significativas entre os grupos controle e experimental ao longo das semanas estudadas.

DISCUSSÃO
No presente trabalho, não foram observadas diferenças histológicas ou radiográficas significativas comparando-se os grupos experimental e controle. Ambos os grupos apresentaram hematoma fraturário, proliferação de fibroblastos e surgimento de osteoblastos periósticos uma semana após a fratura, dados compatíveis com os de Udupa e Prasad, que denominaram esta de fase fibroblástica, devido à intensa proliferação inicial de fibroblastos, tendo observado também formação de hematoma e proliferação de osteoblastos imediatamente abaixo do periósteo(2). Segundo Junqueira e Carneiro, tal fato caracteriza a ossificação intramembranosa(9). Esse tipo de ossificação começa a ocorrer imediatamente após a fratura(10). Mendes et al, em estudo experimental envolvendo consolidação óssea, encontraram resultados semelhantes aos obtidos nesta pesquisa, destacando apenas que, na primeira semana, os fibroblastos proliferavam ao redor de um grande hematoma e, ao fim da segunda semana, já havia pontes ósseas (osso imaturo)(8).

A organização do hematoma na segunda semana, bem como o aparecimento de tecido fibrocartilaginoso com focos de cartilagem hialina, estão em acordo com o proposto por Addams e Hamblen, ao considerarem a reabsorção do hematoma em uma segunda etapa da consolidação, após o início da proliferação celular periostal e seguida pelo surgimento de cartilagem(1). Ainda na segunda semana observaram-se focos de cartilagem hialina, dado que está em acordo com o estudo realizado por Einhorn, ao observar síntese importante deste tipo de cartilagem, aproximadamente nove dias após a produção da fra-tura, em ratos(10). Na quarta semana evidenciou-se a formação de tecido ósseo imaturo em substituição ao cartilaginoso, observação também relatada por Udupa e Prasad - que denominaram esta fase de osteogênica - período correspondente à terceira e quarta semanas, pois à proliferação inicial de células cartilaginosas segue-se hipertrofia de condroblastos, com produção de fosfatase alcalina por estas células, propiciando o início da calci-ficação(2). Os osteoblastos então passavam a depositar material intercelular para a formação de osso novo em substituição ao tecido cartilaginoso, caracterizando a ossificação endocon-dral(9). Na sexta semana a formação do tecido ósseo maduro bem como a predominância desse sobre o cartilaginoso coincidem com o processo de remodelação óssea descrito na literatura, como de ocorrência no período pós-fratura(2).

Quanto à avaliação radiográfica, observou-se formação de calo ósseo ao final da segunda semana pós-fratura. Já ao fim da quarta semana, o calo ósseo era abundante, evidenciando consolidação e, na sexta semana, além de consolidação óssea, havia melhor organização do calo ósseo. Esses resultados são compatíveis com os encontrados na literatura consultada, vis-to que Mendes et al observaram na quinta semana após a fra-tura a presença de sinais radiográficos de consolidação(8). Andreassen et al mostraram, radiograficamente, que o conteúdo mineral do osso aumentava significantemente, em ratos, entre o 20o e o 40o dia após fratura(11).

A persistência do traço de fratura nas radiografias até a sexta semana está em acordo com dados obtidos na literatura. Utvag e Reikeras verificaram que 20 dias após a fratura em ratos ainda existia uma linha de fratura visível, enquanto que após 40 dias o traço era pouco perceptível(11). A persistência dessa solução de continuidade pode ser atribuída à ausência de imobilização.

Nesta pesquisa não foram observadas complicações, em-bora se saiba que vários são os fatores capazes de interferir no processo de consolidação óssea, dentre os quais citam-se: irradiação, uso de imobilização, tipo de fratura, traço de fratura, secção de nervos, presença de tumor ósseo, interposição de tecidos moles, infecção no foco de fratura e administração de substâncias endógenas, como o paratormônio(1,7,8,11-14).

Portanto, a adoção do mecanismo manual de trauma compressivo direto para produção da fratura justifica-se por proporcionar configuração transversa do traço(1). O uso de um modelo de fratura fechada justifica-se por diminuir bastante os riscos de infecção, além de causar mínimos danos em tecidos moles(10). Zacharias et al comentaram que, ao contrário de traumatismos fechados, modelos de produção de fraturas por meios invasivos podem complicar-se com deiscência de sutura e conseqüente infecção profunda, como ocorreu em sua pesquisa(15).

A estabilização da fratura por meios invasivos também pode resultar em complicações. Pelker e Friedlaender utilizaram fios de Kirschner e excluíram 87 animais do experimento devido a diversas complicações, dentre elas, mortes no peroperatório e fratura femoral durante a montagem dos fios(12). Complicações semelhantes foram relatadas por Utvag e Reikeras, que excluíram oito animais devido à excessiva cominuição das tíbias durante a fixação dos fios(11).

Mesmo quando meios não invasivos são utilizados para estabilização da fratura, complicações podem ocorrer. Em estudo piloto realizado neste trabalho utilizando imobilização por gesso, todos os animais evoluíram para síndrome compartimental. Esses fatos, aliados à ampla descrição de mode-los de fratura que não empregam qualquer tipo de imobilização, justificam a opção dos autores em não utilizá-la também (2,5,10,15).

O uso de medicamentos também pode interferir no processo de consolidação óssea. Os AINHs, por exemplo, retardam a consolidação óssea(7). Esse efeito foi também observado em ratos submetidos à administração prolongada de corticóides em altas doses, com diminuição da formação do hematoma fraturário (limitando a fase inflamatória), retarde da produção do tecido cartilaginoso e sua posterior substituição por osso trabecular(8). O presente estudo não demonstrou alterações histológicas e radiográficas em quaisquer das diversas fases do processo de consolidação de ratos fazendo uso de acetaminofen em dose terapêutica.

CONCLUSÕES


O fármaco acetaminofen não interfere no processo de consolidação óssea, em ratos da linhagem Wistar.


REFERÊNCIAS

1. Addams JC, Hamblen DL. Manual de fraturas. 10a ed. Porto Alegre: Artes Médicas; 1994. p. 3-45.
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3. Lasmar NP. Traumatismos articulares e osteomusculares agudos em atletas - Analgesia com associação paracetamol-codeína. Folha Med. 1988; 97:277-82.
4. Silva P. Farmacologia. 5a ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan; 1998. p. 395-7.
5. Pereira ES. Estudo comparativo entre acetoaminofen, dipirona e placebo no tratamento da dor pós-operatória em ortopedia. Folha Med. 1986;92:99- 105.
6. Sakata RK, Gozzani JL, Kuniyoshi HS, Ono MT. Estudo duplo-cego comparativo em dose única de acetoaminofen, dipirona e placebo no tratamento da dor pós-operatória. Rev Bras Cir. 1986;76:301-4.
7. Altman RD, Latta LL, Keer RR, Renfree K, Hornicek FJ, Banovac K. Effects of nonsteroidal antiinflammatory drugs on fracture healing: a laboratory study in rats. J Orthop Trauma. 1995;9(5):392-400.
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9. Junqueira LC, Carneiro J. Histologia básica. 9a ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan; 1999. p. 111-25.
10. Einhorn TA. The cell and molecular biology of fracture healing. Clin Orthop Relat Res. 1998;(355 Suppl):S7-21.
11. Utvag SE, Reikeras O. Effects of nail rigidity on fracture healing. Strength and mineralisation in rat femoral bone. Arch Orthop Trauma Surg. 1998; 118(1-2):7-13.
12. Pelker RR, Friedlaender GE. Fracture healing. Radiation induced alterations. Clin Orthop Relat Res. 1997;(341):267-82.
13. Hukkanen M, Konttinen YT, Santavirta S, Nordsletten L, Madsen JE, Almaar R, et al. Effect of sciatic nerve section on neural ingrownth into the rat tibial fracture callus. Clin Orthop Relat Res. 1995;(311):247-57.
14. Rockwood CA Jr, Green JP, Bucholz R. Rockwood and Green's fractures in adults. 4th ed., Philadelphia: Lippincott-Raven; 1996. p. 325-44.
15. Zacharias DPM, Waitzberg DL, Bevilacqua LR, Gonçalves EL. Modelo experimental de traumatismo osteomuscular em ratos. Acta Cirurg Bras. 1990;5:13-6.