INTRODUÇÃO

A fratura do planalto tibial é intra-articular. O deslocamento do fragmento e a depressão da superfície articular, quando não tratados em tempo hábil e de maneira eficaz, levarão a artrose pós-traumática em articulação que suporta o peso(3,9,10).

Bohler, em 1958, relatou que os planaltos tibiais declinam no plano horizontal no sentido ântero-posterior, em aproximadamente 10º, formando ângulo de 80º com o eixo da tíbia. Em radiografia simples do joelho nessa incidência, esse detalhe anatômico pode subestimar uma depressão articular anterior ou central e exagerar a depressão posterior(1,4,6,7).

A indicação do tratamento operatório do planalto tibial baseia-se na depressão articular maior que 5mm(5,8), nas condições gerais do paciente, na demanda funcional e, sobretudo, no tipo de fratura(1,2,7).

O objetivo deste trabalho foi verificar a importância da tomografia computadorizada em fraturas do planalto da tíbia.

CASUÍSTICA E MÉTODOS

Foram estudados 21 pacientes com fratura do planalto tibial. Quatorze (66,7%) eram homens e 7 (33,3%), mulheres, com idade média de 46 anos (variação: 16-74). O joelho direito foi afetado em 8 (38%) pacientes e o esquerdo em 13 (62%).

As fraturas foram classificadas conforme preconizado por Shatzker et al.(9) (figura 1).



Todos os pacientes foram submetidos a radiografias em ântero-posterior e em perfil e à tomografia axial computadorizada com o aparelho Shimadzu SCT 3.000T, que fornece cortes axiais e não permite os biplanares sagitais e coronais.

Durante esse exame foram realizados dois cortes: um ao nível da superfície dos côndilos femorais e o outro, na base da espinha tibial do planalto não fraturado. Esses parâmetros serviram de referência para cálculo da depressão do planalto fraturado. Se ambos os planaltos estivessem fraturados, a linha referencial era a superfície dos côndilos femorais, sendo o espaço articular normal de 5mm. Para esse cálculo, os cortes axiais foram de 2mm de espessura a cada 2mm no senti-do distal (figuras 2 e 3).

As características gerais dos pacientes encontram-se na tabela 1.

RESULTADOS

Das 21 fraturas, o planalto lateral foi acometido em 16 (76,2%), o medial em 2 (9,5%) e ambos em 3 (14,3%) (tabela 1).

A tomografia axial computadorizada em 18 (85,7%) fraturas evidenciou maior depressão da superfície articular em relação ao estudo radiológico. Em 1 (4,8%) não houve diferença, em 2 (9,5%) não foi possível aferir devido à má qualidade das radiografias (tabela 2).

Em 1 (4,8%) a classificação do tipo de fratura, após a avaliação com tomografia computadorizada, alterou-se, do tipo I para o tipo II de Shatzker.

Dos 19 pacientes, em 11 (58%) a tomografia computadorizada evidenciou maior fragmentação, quando comparada com as radiografias, e em 8 (42%) não houve alterações (tabela 3).

DISCUSSÃO

As fraturas do planalto tibial constituem 1% das fraturas do esqueleto e em 8% nos pacientes idosos, com variadas configurações da topografia anatômica. Comprometem o planalto medial em 10 a 23%, o lateral de 55 a 79% e ambos de 11 a 31%(9,10). Em nosso estudo, o planalto tibial estava fraturado em 2 (9,5%) casos, o lateral em 16 (76,2%) e ambos em 3 (14,3%).

Embora a tomografia axial computadorizada tenha demonstrado maiores valores de depressão articular em 18 (85,7%) pacientes, a classificação da fratura foi alterada, em um caso, do tipo I para o tipo II de Shatzker.

O aparelho de tomografia utilizado não realizou os cortes biplanares sagitais e coronais, não aferindo o deslocamento da fratura; entretanto, permitiu verificar a cominuição e a localização da fratura, caracterizando a topografia da lesão.

Concluímos que a tomografia axial computadorizada é de grande valor na avaliação da fratura do planalto tibial, fornecendo identificação nítida dos fragmentos, grau de cominuição e a depressão articular, proporcionando maiores detalhes quando comparada com as radiografias convencionais.

REFERÊNCIAS

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