APRESENTAÇÃO DO CASO

Paciente do sexo feminino, parda, feodérmica, lavradora, proveniente de zona rural, procurou serviço de ortopedia no interior, relatando o aparecimento de tumoração na região supraclavicular esquerda, associada com desconforto local e parestesia distal à lesão. Informou haver sofrido queda da própria altura cerca de 60 dias antes desse exame, sofrendo fratura da clavícula. Foi realizada imobilização em "oito". Observou aumento progressivo de volume aproximadamente 30 dias após o trauma.

Ao exame físico, a massa se apresentava sem sinais de flogose ou sinais de necrose, indolor à palpação e pulsátil (fig. 1). O estudo radiográfico convencional mostrou ausência de consolidação da fratura no terço médio da clavícula e aumento da densidade de partes moles (fig. 2). O diagnóstico de lesão vascular foi aventado, sendo realizado ecodoppler e arteriografia (fig. 3). Confirmou-se a presença de lesão da artéria subclávia.

A paciente foi submetida a uma intervenção pela cirurgia cardiovascular, que realizou ressecção do pseudo-aneu-risma e rafia do vaso. A osteossíntese da clavícula não foi realizada, devido à extensa absorção dos fragmentos da fra-tura, impossibilitando uma reconstrução tecnicamente correta.

DISCUSSÃO

A lesão de artéria subclávia é reconhecida como uma complicação possível em traumas de alta energia da clavícula, geralmente causados por projéteis de arma de fogo. Os traumas fechados também podem produzir lesão vascular, mas é ocorrência considerada rara na literatura(3).

Se houver suspeita clínica de lesão vascular, na fase aguda, é necessário realizar arteriografia e, confirmado o diagnóstico, deve ser instituído tratamento cirúrgico imediato, com estabilização interna da fratura.

Nas lesões de apresentação tardia, a arteriografia está indicada em alguns casos, principalmente naqueles que apresentarem massa pulsátil. Nesta fase, os fenômenos compressivos vasculares e do plexo braquial ocorrem por fragmentos da fratura não consolidada ou pelo calo ósseo hipertrófico. Por esse motivo, quando estes sintomas são observados, geralmente realiza-se a fixação interna da fratura. Essa conduta tem suas limitações, como consolidação viciosa com deformidade grave, fixação impraticável por comunicação extensa, reabsorção do foco da fratura e outras. Portanto, é fundamental um estudo criterioso desses quadros, com o objetivo de buscar a melhor conduta para cada paciente.

REFERÊNCIAS

Coulier B., Mairy Y., Etienne P.Y., Joris J.P.: Diagnostic tardif d'un pseudoaneurysm traumatique de l'artère sous-claviere. J Belge Radiol 79: 26-28, 1996.

Hansky B., Murray E., Minami K., Korfer R.: Delayed brachial plexus paralysis due to subclavian pseudoaneurysm after clavicular fracture. Eur J Cardiovasc Surg 7: 497-498, 1993.

Shih J.S., Chao E.K., Chang C.H.: Subclavian pseudoaneurysm after clavicle fracture: a case report. J Formos Med Assoc 82: 332-335, 1983.