O tumor glômico é uma lesão já conhecida e descrita na literatura(3); a sua ocorrência é, de certa forma, rara, principalmente quando sua localização primária é no osso. O diagnóstico do tumor glômico é muitas vezes problemático, tanto para o médico não especializado quanto para o paciente, que procura vários profissionais na tentativa de solucionar seu problema(5).
O glomo é uma entidade anatômica terminal distribuída por todo o corpo humano. Está situado nas camadas mais profundas da derme e sua localização preferencial é nas extremidades dos pés e das mãos(2), sendo a região subungueal dos dedos das mãos a área de maior incidência(4).
O tumor glômico é uma variedade benigna de um hemangiopericitoma(3); caraeteriza-se por dor, sensibilidade às mudanças de temperatura, principalmente ao frio; às vezes, existe uma coloração cianótica subungueal e um pequeno nódulo. A lesão é muito rara quando sua localização primária é óssea e alterações apresentam-se no RX como lesão cística. Não devemos confundir quando o tumor glômico de localização subungueal extrinsecamente comprime a falange, causando erosões ósseas visivéis também ao RX(1).
DESCRIÇÃO DO CASO
Paciente WAA, 28 anos, masculino, destro, branco, solteiro, profissão cabeleireiro.
O paciente queixa-se de forte dor na placa ungueal do polegar esquerdo. Esta dor piora com o frio e à pressão sobre a unha. O quadro clínico tem cinco anos de evolução, fazendo com que o paciente procurasse vários médicos, sem solução para o problema.
A inspeção, coloração cianótica na região media paraproximal da placa ungueal. A palpação, dor de forte intensidade à pressão local com um objeto pontiagudo. ADM e sensibilidade do polegar sem alterações. RX: presença de lesão cística com bordos de fina esclerose ocupando praticamente toda a falange distal do polegar esquerdo (fig. 1).
O paciente foi operado, por um acesso dorsal; levan-tando-se a placa ungueal, foi visualizado o leito ungueal, que se encontrava sem alterações, completamente liso na parte em contato com a unha. Após ter aberto longitudinalmente o leito ungueal, observamos que também na parte em contato com a falange estava liso e percebemos pequeno orifício na cortical dorsal da falange, mostrando no seu interior uma massa esbranquiçada. Ampliamos o orifício e visualizamos melhor uma massa esbranquiçada bem delimitada ocupando quase todo interior . da falange. Foi ressecada, curetado o interior do osso e preenchido com enxerto autólogo do 1/3 distal do rádio ipsilateral (fig. 2). Foi encaminhado o material para estudo anatomopatológico (fig. 3).

Paciente com cinco meses de evolução pós-operatória, sem queixas de dor, realizando normalmente suas atividades profissionais. RX: enxerto ósseo incorporado (fig. 4).
DISCUSSÃO
O tumor glômico de acometimento ósseo primário é uma lesão muito rara, com poucos casos descritos na literatura.
O conhecimento e a divulgação desta lesão nos parece importante, pois na maioria das vezes os pacientes sofrem durante um tempo prolongado sem o diagnóstico correto e sem o tratamento devido.

Leite, V.M., Ulson, H.J.R., Albertoni, W.M., Laredo Fº, J. & Faloppa, F.: Diagnóstico e tratamento de tumor glômico da extremidade distal dos dedos da mão. Rev Bras Ortop 22: 268-272, 1987.
MacKenzie, D.H.: Intraosseous glomus tumors - Report of two cases. J Bone Joint Surg [Br] 44: 648-651, 1962.
Posch, J.L.: Tumors of the hand. J Bone Joint Surg [Am] 38: 517-539, 1956.
Varian, J.P.W. & Cleak, D.K.: Glomus tumors in the hand. Hand 12: 293-299, 1980.