INTRODUÇÃO

Uma corredora velocista de 24 anos de idade sentiu dor na perna direita imediatamente depois de ter corrido 100 metros, em setembro de 1990. Tratada com bota gessada por quatro semanas, teria sido curada: não mais sentiu dor e andou normalmente. A primeira tentativa de correr, porém, a perna direita doeu e inchou.

Foi em seguida submetida a diversos tratamentos fisioterápicos, que se mostraram inúteis. Em setembro de 1991, procurou o Hospital de Clínicas da Unicamp. Queixavase de dor no meio da perna direita ao correr. A marcha era normal. Palpava-se proeminência nas faces ânteromedial e lateral do terço médio da tíbia direita, que se mostrava solidamente estável. A radiografia da perna direita, feita nessa ocasião, aparece na figura 1A. O conjunto desses dados permitia afastar outras causas de dor na perna provocada por exercícios, segundo Wallensten(4). O tratamento consistiu na supressão da carga sobre o membro afetado, conforme recomenda Bassett(1), associada à estimulação eletromagnética pulsátil pelo Ortocon por oito semanas, de acordo com a experiência do autor (2). A radiografia da perna direita desta paciente, feita em novembro de 1991, aparece na figura 1B e já mostra calcificação da falha óssea da cortical da tíbia. O retorno gradual aos treinos não se fez acompanhar de qualquer sintoma e a paciente voltou a participar de competições.

DISCUSSÃO

As tentativas de retornar aos treinos tiveram início precoce, o que deve ter impedido a ossificação da zona de osteólise. Um período mais prolongado de repouso da perna direita no início do tratamento talvez tivesse levado essa fratura à consolidação completa. A radiografia da figura 1A mostra cortical íntegra junto ao endósteo e calo periostal, melhor visto no detalhe com técnica fotográfica diferente; entre essas duas colunas ósseas, nota-se a falha da parede cortical. Esses pontos de osteólise da cortical tibial não são incomuns em atletas de alto desempenho. A radiografia da perna esquerda, assintomática, desta paciente, feita em setembro de 1991 (figura 2), exemplifica esse fato. Ao nível de uma dessas falhas, pode surgir traço de fratura invisível na radiografia, como num caso apresentado em recente publicação(3).

REFERÊNCIAS

Bassett, C.A.L.: The development and application of pulsed electromagnetic fields (PEMFs) for ununited fractures and arthrodeses. Orthop Clin North Am 15: 61-87, 1984.

Camargo Jr., J.N.: Estimulação eletromagnética de fraturas não consolidadas no prazo normal. Rev Bras Ortop 26: 373-380, 1991.

Eisele, S.A. & Sanmarco, G.J.: Fatigue fractures of the foot and ankle in the athlete. J Bone Joint Surg [Am] 75: 290-298, 1993.

Wallensten, R.: Results of fasciotomy in patients with medial tibial syndrome. J Bone Joint Surg [Am] 65: 1252-1255, 1983.