INTRODUÇÃO

As fraturas do úmero durante disputa de ''queda de braço" são raras(2,3,7) e ocorrem na região diafisária(6 ,7) ou no epicôndilo medial. Na diáfise do úmero, a fratura é do tipo helicoidal e localiza-se na região entre o terão médio e o distal (1,4), podendo acompanhar-se de comprometimento do nervo radial (6). A do epicôndilo medial é do tipo arrancamento, ocasionada por força de tração muscular (5,6).

No presente trabalho, relata-se um caso de fratura da diáfise do úmero direito, sem comprometimento neurológico.

RELATO DO CASO

G. M. R. S., 14 anos, masculino, branco, relata quedurante disputa de ''queda de braço" foi acometido de dor súbita, intensa, acompanhada de deformidade do braço. Ao exame, o paciente encontrava-se em bom estado geral, sinais vitais estáveis e dentro dos limites da normalidade. Apresentava impotência funcional do membro superior direito, com aumento do volume e deformidade do braço direito.

Encontravam-se normais perfusão, pulsos, sensibilidade, testes para nervos periféricos e exames laboratoriais de rotina. As radiografias frente e perfil do braço direito revelaram fratura helicoidal completa do úmero direito, na transição do terão médio para o distal (fig. 1).

O paciente foi submetido a tratamento conservador com ' 'pinça de confeiteiro", permanecendo imobilizado por 40 dias e evoluindo, após esse período, para a consolidação óssea.

DISCUSSÃO

A fratura da diáfise do úmero durante disputa de ''queda de braço" resulta de uma poderosa ação muscular. A articulação do ombro é rodada internamente pelos músculos peitoral maior, subescapular, redondo maior e grande dorsal. A articulação do cotovelo é fixada pelo bíceps, braquial, braquiorradial e extensor longo radial do carpo. Ao mesmo tempo, enquanto o antebraço é pressionado para baixo, ocorre violento torque sobre a diáfise do terão distal do úmero. Com o cotovelo estando fixo em flexão, a força transmitida pelo antebraço age como elevador do úmero (2). Dessa forma, a potente e desordenada força desenvolvida pelos diferentes grupos musculares durante a disputa da ''queda de braço" resulta em forte torção sobre o úmero, o que acarretará a fratura tipo helicoidal.

REFERÊNCIAS

1. Alkalay, I., Grinberg, B. & Daniel, M.: Humeral fracture caused by arm wrestling. Harefuah 100: 131-132, 1981.

2. Brisman, B. & Spangen, L.: Fracture at the humerus from arm wrestling. Acta Orthop .Scand 46: 707-708, 1975.

3. Chiu, K. Y., Pun, W.K. & Chow, S. P.: Humeral shaft fracture and arm wrestling. J R Coll .Surg Edind 35: 264-265, 1990.

4. Kjaller, K. H., Jensen, K.H. & Nielsen, B. F.: Spiralfraktur of hume- rus wed arm wrestling. Ugeskr-Laeger 153: 3563-3565, 1991.

5. Lokiec, F., Velker, S. & Engel, J.: Avulsion of the medial epicon- dyle of the humerus in arm wrestlers. injury 22: 69-70, 1991.

6. Low, B.Y. & Lim, J.: Fracture of humerus during arm wrestling. Singapore Med J 32: 47-49, 1991.

7. Moon, M., Kim, I. & Han, I.: Arm wrestlers's injury. Clin Orthop 147: 219-221, 1980.