Editorial
 

Recentemente, ao aceitar uma carona com um jovem colega,observei que ele tinha no rádio de seu carro um pen drive eperguntei se era alguma música. Ele me respondeu: “Não, éum livro”. Surpreso, pedi para ouvir e pude constatar que eraalgum locutor relatando o texto de um livro.Ao ver minha surpresa, ele me explicou, com o desdém queos jovens têm em relação às obviedades da internet, que eracomum hoje “lerem” livros ouvindo locutores.

Pensei: gravar sons é algo antigo, até do meu tempo, grava-dores são objetos que temos há mais de 50 anos e nunca haviavisto usarem uma gravação para “ouvir” um livro.

Refletindo sobre o assunto, pude entender que esta geraçãoatual está desabituada a desperdiçar seu precioso tempo combesteiras como fazer contas, escrever e, agora, ler.

Em pouco tempo (acho até que já é assim) as regrasde matemática, as normas de escrita serão abandona-das e substituídas pelo computador, que fará tudo issode forma correta sem necessidade de conhecimentosextras.Será que há um erro nesse novo hábito?Francamente acho que não.O que ficará do livro para o meu jovem colega é a ideia, amensagem, e não a extenuante leitura. Ele não saberia apre-ciar os eventuais floreios de linguagem.Após a leitura o livro seria armazenado em algum espaçoque seguramente nunca mais seria abordado. Aquele pen drivepoderá armazenar um número enorme de livros, com figuras,filmes e músicas sobre o tema da leitura. Todo esse materialpoderá ser guardado em qualquer sistema de armazena-mento virtual, acessível a qualquer momento e em qualquerlugar.A mensagem que livros podem trazer não necessita de umespaço físico, nem de impressões caras e armazenamento dis-tante, precisa ser facilmente acessível e com custo baixo.Estamos numa nova era.A RBO assumirá essa nova era.

A distribuição pelo correio, a demora para publicação, oarmazenamento em prateleiras e a marcação de textos serãosubstituídos pela edição de acesso imediato, pelo ilimitadoarmazenamento eletrônico e pelo copia/cola do que é inte-ressante.O resgate de qualquer trabalho da RBO ou das citaçõesbibliográficas será acessível com um toque de computador. Ossistemas de busca permitirão um rápido achado de qualquerinformação.A editoração será muito mais rica, possibilitará a ilustraçãocom figuras em alta definição e mesmo filmes com ademonstração de técnicas cirúrgicas ou de manobras diagnós-ticas.

Teremos todos os números da RBO disponíveis, acessíveisà consulta eletrônica.Felizmente pude fazer o primeiro editorial desta nova era,sinto-me honrado de ter tido essa oportunidade.O próximo editor-chefe, eleito pelos seus pares do ConselhoEditorial, será o Sergio Checchia, que tem como apresentaçãoser o maior publicador da RBO, além de vasto curriculum comocirurgião de ombro.Profundo conhecedor da editoração nacional, que sempreprestigiou, terá na nova era eletrônica o seu desafio e esperoque quando completar seu tempo possa nos entregar uma RBOcom alguma outra modificação tão importante... talvez falada.Boa sorte, meu caro amigo.

Gilberto Luis Camanho

Revista Brasileira de Ortopedia

E-mail: gilbertocamanho@uol.com.br

0102-3616/© 2017 Publicado por Elsevier Editora Ltda. em nome de Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia. Este e´ um artigo Open Access sob uma licença CC BY-NC-ND (http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0/). http://dx.doi.org/10.1016/j.rbo.2017.06.001 On-line em 31 de agosto de 2017