Trabalho realizado pelo Grupo de Cirurgia de Ombro e Cotovelo do Departamento de Ortopedia e Traumatologia da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de Misericórdia São Paulo, "Pavilhão Fernandinho Simonsen" - FCMSCSP - São Paulo (SP) - Brasil.
1. Professor Doutor; Professor Adjunto da Departamento de Ortopedia e Traumatologia da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de Misericórdia São Paulo, "Pavilhão Fernandinho Simonsen" - FCMSCSP - São Paulo (SP) - Brasil.
2. Professor Assistente da Departamento de Ortopedia e Traumatologia da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de Misericórdia São Paulo, "Pavilhão Fernandinho Simonsen" - FCMSCSP - São Paulo (SP) - Brasil.
3. Professor Instrutor da Departamento de Ortopedia e Traumatologia da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de Misericórdia São Paulo, "Pavilhão Fernandinho Simonsen" - FCMSCSP - São Paulo (SP) - Brasil.
4. Assistente e Instrutor do Grupo de Cirurgia de Ombro e Cotovelo do Departamento de Ortopedia e Traumatologia da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de Misericórdia São Paulo, "Pavilhão Fernandinho Simonsen" - FCMSCSP - São Paulo (SP) - Brasil.
5. Instrutora do Grupo de Cirurgia de Ombro e Cotovelo do Departamento de Ortopedia e Traumatologia da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de Misericórdia São Paulo, "Pavilhão Fernandinho Simonsen" - FCMSCSP - São Paulo (SP) - Brasil.
6. Estagiários do Grupo de Cirurgia de Ombro e Cotovelo do Departamento de Ortopedia e Traumatologia da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de Misericórdia São Paulo, "Pavilhão Fernandinho Simonsen" - FCMSCSP - São Paulo (SP) - Brasil.
Endereço para correspondência: Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, Departamento de Ortopedia e Traumatologia, "Pavilhão Fernandinho Simonsen", Rua Dr. Cesário Mota Jr., 112 - 01221-020 - São Paulo (SP) - Brasil. Tel./fax:(11) 222-6866. E-mail: ombro@ombro.med.br
Um estudo anatômico da extremidade proximal do rádio faz-se necessário, uma vez que as lesões que acometem tal região ocorrem com relativa freqüência. As fraturas da cabeça do rádio representam 1,7% a 5,4% de todas as fraturas e correspondem a um terço das fraturas no cotovelo(1).
A extremidade proximal do rádio é formada pela cabeça em forma de disco, o colo e a tuberosidade bicipital. A cabeça e parte do colo são estruturas intra-articulares(2). A cabeça do rádio não é perfeitamente esférica, apresentando variação no seu diâmetro quando comparadas as medidas em ântero-pos-terior e em perfil(3). A concavidade rasa da cabeça articula-se com a superfície convexa do capítulo e a borda da cabeça articula-se com a porção lateral do processo coronóide na incisura sigmóide menor(2).
A tuberosidade bicipital, que é extra-articular, tem uma porção posterior rugosa para a inserção do tendão do bíceps e uma superfície lisa, sobre a qual existe uma bursa que separa a tuberosidade do tendão(1).
Em casos de fraturas cominutivas, associadas a lesões da membrana interóssea do antebraço ou à instabilidade do cotovelo e quando a osteossíntese destas não é possível, está indicada a substituição protética da cabeça do rádio(1,4).
Recentes estudos constataram que os implantes atualmente disponíveis para substituição da cabeça do rádio não reproduzem com fidedignidade a anatomia da região proximal do rádio (1,3).
O objetivo desta pesquisa foi realizar um estudo antropométrico da extremidade proximal do rádio, por meio da mensuração de peças anatômicas e de suas radiografias em ânte-ro-posterior e perfil, correlacionando-as entre si e com os valores verificados na literatura, visando contribuir para melhor conhecimento da anatomia.
MÉTODO
O estudo foi realizado pelo Grupo de Cirurgia de Ombro e Cotovelo do Departamento de Ortopedia e Traumatologia da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. A casuística estudada é formada por 30 peças anatômicas de rádios humanos, sendo 15 direitos e 15 esquerdos, pertencentes ao Departamento de Morfologia da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo.
Foram mensuradas as peças propriamente ditas e radiografias em posição ântero-posterior e perfil verdadeiro das mesmas. Nas peças, as medidas realizadas foram: o comprimento total do rádio (figura 1), calculada com auxilio de uma régua milimetrada, desde o processo estilóide até a superfície articular da cabeça do rádio; a altura da cabeça do rádio (figura 2), sendo esta calculada a partir de sua base; e o diâmetro da cabeça do rádio (figura 3), mensurado nos maiores eixos em ântero-posterior e perfil, utilizando-se de um paquímetro padrão.





O ângulo da cabeça do rádio (Y) foi definido como o formado entre o eixo de maior comprimento da cabeça do rádio
(L-1) com a linha média do colo do rádio (L-2), sendo esta Figura 8 - Medida do canal medular no ístmo.
Foram realizadas análises estatísticas, utilizando o coeficiente de correlação de Pearson para a verificação da existência de relação entre os valores encontrados para o comprimento do rádio com as seguintes medidas: o diâmetro da cabeça do rádio em ântero-posterior e perfil, altura da cabeça, comprimento do colo do rádio e tamanho do canal medular. Por meio do coeficiente de relação de Pearson (r), conside-rou-se como índice de relação o valor maior do que 0,3 (r > 0,3); valor entre 0,3 e 0,5 (r = 0,3-0,5) como fraca correlação; valor entre 0,5 e 0,7 (r = 0,5-0,7), como boa correlação; e acima de 0,7 (r > 0,7), como correlação forte. Todas as correlações tiveram significância estatística com valor de p < 0,05.
RESULTADOS
Quanto ao comprimento do rádio, verificamos que este foi, em média, de 242mm e variou de 217 a 273mm. Para a altura da cabeça do rádio encontramos média de 10,08mm, com variação de 8 a 12,8mm. Os valores encontrados para o diâmetro da cabeça do rádio em ântero-posterior variaram de 16,6mm a 24,3mm, com média de 21,12mm. Com relação ao diâmetro da cabeça do rádio em perfil, obtivemos média de 22,01mm, variando entre 18,03 a 24,8mm (tabela 1).
Nas radiografias, verificamos o ângulo da cabeça do rádio em ântero-posterior com valor médio de 2,26°, variando entre 0 e 6°. No ângulo do colo, em ântero-posterior, verificamos variação de 8 a 16°, com média de 11,6°. Para o ângulo da cabeça do rádio em perfil encontramos valores com média de 5,58°, variando de 1 a 10°. A medida do ângulo do colo do rádio em perfil atingiu medidas de 0 a 10°, com média de 5,07°. O comprimento do colo do rádio variou de 17,3 a 24,1mm, com média de 20,3mm. O diâmetro do canal medular apresentou variação de 5,5 a 9,9mm, com média de 7,2mm (tabela 2).
Na análise estatística foi encontrado coeficiente de correlação r = 0,55 para a altura da cabeça do rádio. Para o diâmetro da cabeça do rádio em ântero-posterior, r = 0,58. Na análise do diâmetro da cabeça do rádio em perfil foi encontrado r = 0,37. O comprimento do colo do rádio obteve r = 0,34. Apenas o índice de correlação do canal medular não pôde ser verificado com r < 0,3. Esse índice de correlação (r) demonstra que, conforme ocorre variação das medidas do comprimento do rádio, proporcionalmente ocorrem variações das outras medidas. Todas as relações obtiveram índice estatisticamente significativo com p < 0,05, inferindo que é possível estabelecer correlação entre as medida (gráfico 1).



Roidis et al e Gupta et al comentaram a complexidade anatômica da região, demonstrando a dificuldade de sua reprodução, mesmo com a utilização da computação gráfica(3,6).
Roidis et al relataram que o formato da cabeça do rádio é elíptico, apresentando variação no seu diâmetro quando comparadas as medidas em ântero-posterior e em perfil, o que vem ao encontro de nossas mensurações(3).
Beredjiklian et al demonstraram que as próteses metálicas atuais superestimam as dimensões do canal medular do colo do rádio, comprovando que somente uma em cada 15 mulheres possui o canal medular capaz de suportar a introdução das hastes das próteses metálicas. No mesmo estudo os autores criticam as medidas anatômicas obtidas por meio de exames radiográficos da extremidade proximal do rádio.
As análises feitas em dois planos mostrariam dados incompletos ao se estudar uma estrutura tridimensional(4). Skalski et al, em seu trabalho para desenvolvimento de uma nova prótese da cabeça do rádio, realizaram estudo anatômico, por meio de tomografia computadorizada com reconstrução tridimensional da região proximal do rádio, encontrando medidas semelhantes às por nós verificadas(7).
Para a altura da cabeça e conjunto do colo do rádio observamos média de 10,08mm e 20,3mm, respectivamente. As mesmas lineares encontradas em nosso estudo estão em acordo com os identificados por Roidis et al, que utilizaram para tal radiografias simples, e Beredjiklian et al, que usaram ressonância magnética(3-4). Gupta et al e Harrington et al encontraram para tais medidas os valores de 11mm e 20mm, respectivamente(6,8). Tais achados confirmam que, independentemente do utilizado na mensuração, as medidas são aproximadas.
As medidas angulares encontradas em nosso estudo também apresentam sua correlação com estudo realizado por Skalski et al, onde, em média, observamos para o ângulo da cabeça do rádio em ântero-posterior 2,26° e para o colo do rádio, em ântero-posterior, 11,6°; esses autores encontraram, respectivamente, média de 2,37° e 11,89°, através de avaliação por reconstrução tridimensional de tomografia computadorizada da extremidade proximal do rádio(7).
Ao realizarmos o estudo estatístico correlacionando o comprimento do rádio com as outras medidas encontradas, verificamos proporcionalidade entre elas. Quando utilizamos o comprimento do rádio como base, poder-se-ia estabelecer um parâmetro para a escolha do implante protético mais anatômico para substituição da cabeça do rádio; tal correlação não foi encontrada na literatura consultada.
CONCLUSÃO
As medidas encontradas demonstram a grande complexidade da extremidade proximal do rádio e os resultados da nossa pesquisa são compatíveis com os registrados na litera-tura. Observamos que existe uma variação proporcional entre as medidas quando o parâmetro é o comprimento do rádio.
1. Morrey BF. Radial head fractures. In: Morrey BF. The elbow and its disorders. 3rd ed. Philadelphia: Saunders; 2000. p. 341-64. 2. Hotchkiss RN, Green DN. Fraturas e luxações do cotovelo. In: Rockwood CA Jr, Wilkins KE, King RE. Fraturas em adultos. 3a ed. São Paulo: Manole; 1994. p.729-826.
3. Roidis N, Stevanovic M, Martirosian A, Abbott DD, McPherson EJ, Itamura JM. A radiographic study of proximal radius anatomy with implications in radial head replacement. J Shoulder Elbow Surg. 2003, 12(4):380-4.
4. Beredjiklian PK, Nalbantoglu U, Potter HG, Hotchkiss RN. Prosthetic radial head components and proximal morphology: a mismatch. J Shoulder Elbow Surg. 1999;8(5):471-5.
5. Juhl JH. Physics radiography. In: Juhl JH, Crummy AB, Kuhlman JE. Paul & Juhl's essentials of radiologic imaging. 7th ed. Philadelphia: Lippincott- Raven Publishers; 1998. p. 1-16.
6. Gupta GG, Lucas G, Hahn DL. Biomechanical and computer analysis of radial head prostheses. J Shoulder Elbow Surg. 1997;6(1):37-48.
7. Skalski K, Swieszkowski W, Pomianowski S, Kedzior K, Kowalik S. Radial head prosthesis with a mobile head. J Shoulder Elbow Surg. 2004; 13(1):78-85.