INTRODUÇÃO

A bomba plantar de retorno venoso é aparelho que tem a função de esvaziar as bolsas valvulares da planta do pé, mediante ação pulsátil nas veias tibial posterior, poplítea e femoral, semelhante à marcha humana(1) (figura 1).

Impedindo a estase venosa que ocorre nos pós-operatórios, o uso da bomba de retorno venoso associado à sub-heparinização leva a importante redução dos fenômenos tromboembólicos em procedimentos traumato-ortopédicos para menos de 5%, enquanto apenas com os meios tradicionais, como subheparinização, chegam a 30%(1-4).

Esta pesquisa tem a finalidade de avaliar sua utilização nos pós-operatórios de artroplastia total de joelho, apresentando para a sociedade ortopédica brasileira um possível coadjuvante na reabilitação precoce e sem complicações.

MATERIAL E MÉTODOS

A bomba plantar de retorno venoso da marca Novamedix® modelo 4.0 que utilizamos é composta de:

1) Bota descartável que é colocada no pé do paciente, possuindo uma espécie de balão que se infla contra a face plantar;

2) Bomba de insuflação computadorizada.

Utilizando uma mangueira, a bota descartável é acoplada à bomba de insuflação, que, por sua vez, é conectada à rede elétrica, gerando uma pressão que pode ser regulada entre 130mmHg e 220mmHg em 0,40 segundo e que se mantém por três segundos, alternadamente, em ambos os pés, a cada 20 segundos, ou em um mesmo pé se assim estiver programada.

A bomba plantar de retorno venoso foi utilizada em 20 pacientes que se submeteram à artroplastia total de joelho, da seguinte forma: imediatamente ao término do procedimento, sendo retirada todos os dias pela manhã para que o paciente pudesse deambular e reinstalada a partir das 20 horas até as 8 horas da manhã seguinte, até a alta hospitalar.

Em outros 20 pacientes em que seus convênios não ressarciam o valor do custo da utilização do equipamento, o mesmo não foi utilizado.

Todos os pacientes realizaram profilaxia de tromboembolismo com heparina de baixo peso molecular.

A circunferência da perna medida em um ponto na distância média entre o joelho e o tornozelo foi tomada na véspera do procedimento, no dia seguinte e no terceiro dia pós-operatório.

Em todos os pacientes foram anotados os tempos de cirurgia e de uso do garrote pneumático, pois diferenças entre os tempos nos dois grupos poderiam resultar na formação de edemas pós-operatórios.

Foi utilizada em todos os pacientes a prótese total de joelho PFC-Sigma da Johnson & Johnson ®.

RESULTADOS

Todos os pacientes que utilizaram a bomba plantar de retorno venoso apresentaram o membro inferior operado total-mente desinfiltrado já no primeiro dia pós-operatório; em dez pacientes edema na perna no pré-operatório já não mais se constatava no primeiro dia após o ato cirúrgico, o que estimulou todos esses 20 pacientes a sentirem-se à vontade para deambular com carga total e mobilizar o joelho ativamente até 90 graus de flexão entre 24 horas e 48 horas após o término do procedimento. A medida da circunferência da perna apresentou redução média de 2mm, não havendo diferenças entre o primeiro e o terceiro dia, sendo que em um paciente a redução chegou a 12mm.

Entre os pacientes que não utilizaram a bomba plantar de retorno venoso, em todos constatou-se edema no primeiro dia pós-operatório aumentando até o terceiro pós-operatório. A medida da circunferência da perna apresentou aumento médio de 8mm, variando entre 3 e 22mm.

O tempo cirúrgico variou entre 45 e 90 minutos no grupo que não utilizou a bomba, com média de 66 minutos, e entre 55 e 90 minutos, com média de 73 minutos, no grupo que utilizou a bomba plantar de retorno venoso; o tempo de uso do garrote pneumático variou entre 30 e 75 minutos no grupo que não utilizou a bomba plantar de retorno venoso, com média de 50 minutos, e entre 45 e 76 minutos, com média de 58 minutos, no grupo que a empregou. A diferença no tempo de cirurgia e no tempo de uso do garrote pneumático foi semelhante entre os dois grupos.

Algo que nos chamou a atenção e que merece um estudo mais aprofundado foi a constatação de que, em duas pacientes que apresentavam úlceras varicosas no outro membro inferior, ocorreu a cicatrização destas úlceras durante o período de uso da bomba e, em cinco pacientes com dermatite ocre dos membros inferiores, houve o desaparecimento desta coloração da pele durante o uso da bomba.

CONCLUSÃO

Com o aumento do fluxo nas veias tibial posterior, poplítea e femoral, a bomba de retorno venoso reduz o risco de fenômenos tromboembólicos, que têm sua maior causa na estase venosa(5). Provavelmente, pelo mesmo efeito do aumento do fluxo, age acelerando o processo de retirada do líquido excedente do interstício, reduzindo edemas e impedindo sua instalação, e, portanto, reduzindo a morbidade do procedimento e tornando mais fácil a recuperação dos pacientes(4).

Indicamos sua utilização de rotina nos procedimentos traumato-ortopédicos dos membros inferiores como coadjuvante na prevenção dos fenômenos tromboembólicos e na aceleração da recuperação dos pacientes. 

REFERÊNCIAS

1. Bradley J.G., Krugener G.H., Horst J.J.: The effectiveness of intermittent plantar venous compression in prevention of deep venous thrombosis after total hip arthroplasties. J Arthroplasty 1: 57, 1993.

2. Fordyce M.J.F., Ling R.S.M.: A venous foot pump reduces thrombosis after total hip replacement. J Bone Joint Surg [Br] 74: 45-49, 1992.

3. Stranks G.J., McKenzie N.A., Grover M.L., Fail T.: The A-V impulse system reduces deep vein thrombosis and swelling after hemiarthroplasty for hip fractures. J Bone Joint Surg [Br] 74: 775-778, 1992.

4. Tamir L., Hendel D., Neyman C., Eshkenazi A.U., Ben-Zvi Y., Zomer R.: Sequential foot compression reduces lower limb swelling and pain after total knee arthroplasty. J Arthroplasty 114: 333, 1999.

5. Gardner A.M.N., Fox R.H.: The venous footpump: influence on tissue perfusion and prevention of venous thrombosis. Ann Rheum Dis 51: 1173-1178, 1992.