Robinson & Smith (7) , em 1955, descreveram técnica de fusão corporal cervical anterior utilizando enxerto ósseo com três corticais de crista ilíaca, com formato de ferradura, para preencher o espaço discal promovendo separação entre os corpos vertebrais e aumentando os forames de conjugação (17) . Desde então, diversos autores descreveram técnicas semelhantes, como: Cloward (5) em 1958, Bailey & Badgley (1) , em 1960, e Simmons & Bhalla (8) , em 1969.
Assim como há diferentes técnicas para se realizar artrodese anterior na coluna cervical, há também diferentes enxertos para se obter este fim. A seleção do tipo de enxerto a ser utilizado dependerá de vários fatores, entre eles: indicação clínica, disponibilidade do enxerto e estabilização mecânica desejada (14) .
O objetivo deste trabalho é avaliar experimentalmente a resistência mecânica de segmentos de coluna cervical após colocação de três tipos de enxerto anteriores (ilíaco, costela e fíbula), submetidos a ensaios de compressão.
MATERIAL E MÉTODO
Foram utilizados 15 segmentos de colunas cervicais de cadáveres humanos, procedentes do serviço de Verificação de Óbitos da FMUSP. Todos os cadáveres eram indivíduos adultos falecidos de morte não acidental e não apresentavam doenças consumptivas. A idade por ocasião do óbito variou de 24 a 58, com média de 39,9 anos, sendo 13 homens (86,7%) e 2 mulheres (13,3%).
As peças anatômicas foram obtidas através de incisão longitudinal mediana posterior do occipito até aproximadamente T4, com desinserção de todo o complexo musculoligamentar da região occipitocervical e cervicotorácica (baixa), ou seja, de Cl a C7, sendo após acondicionadas em sacos plásticos e preservadas em congelador à temperatura de - 20º Celsius. Conjuntamente, foram retirados cinco segmentos de aproximadamente 10cm do terço médio da fíbula, cinco seg -mentos de aproximadamente 10cm da costela e cinco segmentos de 5cm da crista ilíaca anterior, todos de seus respectivos cadáveres.
Os corpos-de-prova foram descongelados à temperatura ambiente e banhados em solução de soro fisiológico durante aproximadamente duas horas. A seguir, foi separado o com -plexo C1-C2, objeto de estudo posterior, restando C3-C7.
Para fins comparativos, foram enviados 3 grupos de estudo assim denominados: grupo ilíaco - cinco segmentos de C3-C7 com discectomia C4-C5 e C5-C6 e corpectomia de C5 e colocação de enxerto de ilíaco (fig. 1); grupo costela - cinco segmentos de C3-C7 com discectomia C4-C5 e C5-C6 e corpectomia de C5 e colocação de enxerto de costela (fig. 2); grupo fibular - cinco segmentos de C3-C7 com discectomia C4-C5 e C5-C6 e corpectomia de C5 e colocação de enxerto de fíbula (fig. 3).
Todos os corpos-de-provas foram radiografados e fotografados, não se encontrando nada de anormal que invalidasse os testes. Os corpos-de-prova foram fixados com metilmetacrilato superior e inferiormente, sendo submetidos a ensaios de flexocompressão utilizando-se dispositivo articulado superior (fig. 4). Todos os ensaios foram acompanhados graficamente e os resultados foram analisados estatisticamente.
Tratamento estatístico
Realizou-se estatística descritiva dos parâmetros ordinais (idade e cargas) e distribuição de freqüência dos nominais (sexo).
Nas comparações entre amostras independentes paramétricas, utilizamos a análise de variância e a prova de KruskalWallis para as amostras independente não paramétricas. Nas comparações entre parâmetros nominais, utilizou-se a prova de qui-quadrado.
Adotou-se o nível de significância de 5% ( a = 0,05).
RESULTADOS
Os resultados são apresentados nas tabelas 1, 2, 3 e 4.
DISCUSSÃO
A crista ilíaca, seja posterior ou anterior. é a mais utilizada, não só no segmento cervical. mas em todo os segmentos da coluna vertebral (4,5,14) .
Várias são as vantagens da crista ilíaca, tais como: obtenção do enxerto com o paciente em qualquer posição (prono ou supino), osso cortical e esponjoso podem ser facilmente obtidos e a estrutura da crista ilíaca permite remover e criar ampla variedade de formas e tamanhos de enxertos (14) .
White & col. (10,11) , em 1973, em estudo experimental, compararam três tipos de enxerto ósseo para fusão cervical anterior e demonstraram que o enxerto de Robinson & Smith é o que melhor suporta cargas compressivas axiais.
Apesar do sucesso dessas técnicas (6,15,17) , elas não estão isentas de complicações. A causa mais comum de falência de fusão anterior é a pseudartrose (6,17) .A literatura refere variação de 3 a 20% (6,17) na taxa de pseudartrose, quando somente um nível é artrodesado (13,15) , Wood (15) refere que este tipo de complicação ocorre devido a aspectos técnicos do procedimento, relacionados com a preparação do sítio doador e a obtenção e preparação do enxerto.
Costelas e flíbula também são freqüentemente usados como material de enxerto, principalmente em vias anteriores de cirurgias torácicas e lombares (4) . No segmento cervical, esses elementos têm grande valia quando mais de um nível é artrodesado (4,15) . A vantagern desses dois elementos e a de que eles preservam sua cortical em todo o diâmetro, suportando maior carga, sendo, tecnicamente, mais resistentes. Como desvantagem, cite-se que eles requerern período mais prolongado para a incorporação bio1ógica (14) . O enxerto vascularizado de fíbula tem sido cada vez mais empregado para solucionar este problema (6,16) ; entretanto. esta técnica aumenta significativamente o tempo cirúrgico e há necessidade de cirurgião com treinamento em microcirurgia.
Whittenberg (14) , em estudo comparativo, concluiu que a costela possibilita limitado suporte mecânico, comparada aos demais enxertos testados no segmento toracolombar. Ele credita isso ao fato deste ter raio desfavorável, em termos de largura e comprimento. e também ao fato de ser curto e ofefecer pouca superfície de contato entre as vértebras.
CONCLUSÃO
Não há diferenças significantes de resistência mecânica entre as técnicas de enxertos utilizados.
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