INTRODUÇÃO

As fraturas-luxações do ombro podem ser consideradas continuação da classificação de Neer (4) em dois, três e quatro fragmentos (6) .Afratura-luxação anterior em duas partes pode estar associada com avulsão da tuberosidade menor, avulsão do manguito rotador ou com interposição da longa porção do tendão do músculo bíceps braquial (2,6,7) .

O objetivo deste trabalho é relatar nosso caso por sua raridade e pela necessidade do tratamento cirúrgico para sua solução.

RELATO DE CASO

Paciente do sexo feminino, 58 anos de idade, obesa (110 kg), sofreu queda da própria altura. Os exames radiográficos evidenciararn fratura-luxação anterior do ombro esquerdo em duas partes (fig. 1). Ao exame físico, havia dor e limitação dos movimentos do ombro, sem déficit neurovascular.

Foi submetida a redução cirúrgica através de acesso deltopeitoral. Durante o ato cirúrgico, constatamos que o fragmento luxado anteriormente era formado por parte da cabeça umeral, continuando-se por um bisel que incluía, a1ém do troquin, parte do colo cirúrgico.

O fragmento encontrava-se rodado internarnente (pela ação do músculo subescapular) e "encarcerado" no músculo grande peitoral. Por outro lado, a porção longa do músculo bíceps braquial estava situada entre a glenóide e o úmero fraturado, cujo traço de fratura estendia-se até a corrediça bicipital.

Procedemos à redução da fratura-luxação e fizemos a osteossíntese com três parafusos maleolares. O ombro foi submetido a exame radiográfico. que evidenciou redução concêntrica (fig. 2). Foi colocado dreno de aspiração e feito fechamento por planos da ferida operatória.

O membro foi imobilizado em velpeaude crepom. Mobilização passiva do ombro foi iniciada no terceiro dia de pósoperatório e exercícios ativos foram gradualmente introduzidos. Com três meses de pós-operatório, o ombro permanece reduzido e a fratura consolidada, com 90 graus de flexão e 70 graus de abdução ativos (fig. 3).

DISCUSSÃO

A fratura-luxação anterior do ombro em duas partes normalmente pode estar associada à avulsão do manguito rotador. A associação com fratura longitudinal do úmero, tipo split, é rara, com pouca referência na literatura (3, 4) .

O fragmento luxado, pela ação do músculo subescapular, faz com que o tratamento cirúrgico seja o de eleição. Não há consenso com relação à melhor maneira de tratar as fraturas complicadas do úmero proximal. Vários métodos de luxação interna foram propostos (1,4,5) .

Optamos pela fixação com três parafusos maleolares, por entendermos que, além de promoverem estabilidade, dispensam a ampliação da ferida operatória para procedimentos de fixação mais amplos.

REFERÊNCIAS

1 . Kristiansen, B. & Christensen, S.W.: Plate fixation for displaced proximal humeral fractures. Acta Orthop Scand 57: 320-323, 1986.

2 . Kuhnen, W. & Groves, R. J.: Irreducible acute anterior dislocation of the shoulder. Case report. Clin Orthop 139: 167-168, 1979.

3 . Moda, S.K., Chadha, N.S,, Sangwan, S.S. & col.: Open reduction and fixation of proximal humeral fractures and fracture dislocations. J Bone Joint Surg [Br] 72: 1050-1052, 1990.

4. Neer, C.S. II: Displaced proximal humeral fracture, Part I, Classification and evaluation. J Bone Joint Surg [Am] 52: 1077-1089, 1970.

5 . Paavolainen, P., Boorkelheim, J.- M. Statis, P. & col.: Operative treatment of severe proximal humeral fractures. .4cta Orthop Scand 54: 374-379.

6 . Schatzker. J. & Tile, M.: Tratamento quirurgico de las fracturas. 3 edicion, 1983. Buenos Aires, Editorial Medica Panamericano, 1989.

7 . Seradge. H. & Orme. G.: .Acute irreducible anterior dislocation of shoulder. J Trauma 22:330-332, 1982.