A displasia epifisária hemimélica foi primeiramente descrita por Mouchet & Belot, em 1926. Esta nomenclatura foi proposta por Fairbank, em 1956, por se tratar de patologia isolada em um membro e confinada a uma metade lateral ou medial (2) .
Trata-se de uma alteração originada de tecido cartilaginoso, de caráter benigno, que surge usualmente na segunda ou na terceira décadas de vida (1,4) .
Em 1966, Kettelkamp & col. publicaram urn relato de 15 casos e revisão da literatura, sendo nove do sexo masculino e seis do feminino, com idade mínima de três e a máxima de 45 anos (5) . Em 1988, Weltevrede & Jasen publicaram relato de três diferentes tipos de displasia epifisária hemimé1ica no tornozelo, em crianças abaixo dos oito anos de idade e submetidas a ressecção cirúrgica do tumor (7) .
No Brasil, existem pouquíssimos relatos publicados a respeito desta entidade, destacando-se os de Gouberti (3) , em 1975, e de Pinheiro & Bianco (6) , em 1990.
RELATO DO CASO
R. M. S., masculino, 16 anos, não branco, solteiro, natural de Catende, PE, procurou o ambulatório e relatou história de trauma ("torsão") há um ano, tendo posteriormente notado aparecimento de aumento de volume localizado na região do tornozelo direito, de caráter progressivo. Não referiu outras queixas. O exame físico mostrava aumento de volume, de consistência endurecida, pouco doloroso, em região posterior e face lateral do tornozelo direito. Os demais dados do exame físico eram negativos.
O exame radio1ógico mostrava tumoração pediculada ao nível do astrágalo, com projeções posterior e lateral (fig. 1).
O tratamento realizado foi abordagem cirúrgica e excisão completa da tumoração, que se encontrava bastante diferenciada do tecido (ósseo normal e foi facilmente removida.
O paciente evoluiu sem intercorrências e o exame histopatológico da peça operatória revelou osteocondroma.
DISCUSSÃO
Embora o termo proposto por Fairbank - displasia epifisária hemimélica - tenha se consagrado, existem restrições ao mesmo e outros nomes já foram descritos, tais como osteocondroma epifisário benigno e condrodistrofia epifisária (3) .
O defeito básico fundamental e o crescimento anormal de tecido cartilaginoso em uma epífise, cuja expressão radiológica é a exostose (1,4,6,7) . Acomete principalmente crianças e adolescentes, sendo mais freqüente em tornozelos e joelhos (7) . Em geral, o quadro clínico se compõe do aumento de volume localizado, às vezes doloroso, e impotência funcional do membro acometido (5,6) . No caso aqui relatado, a sintomatologia se restringia ao aumento de volume, localizado e facilmente observado.
O tratamento preconizado é a excisão cirúrgica da tumoração, sendo indicada sua ressecção a mais precoce possível, para se prevenir possível dano à placa epifisária adjacente (2,5) .
2. Fairbank. T.J.: Dysplasia epiphysealis hemimelica. J Bone Joint Surg [Br] 38:237-257. 1956.
3. Gouberti, R.A.T,: Displasia epifisária hemimélica Rev Bras Ortop 10: 261-272, 1975.
4. Hilt, N.E. & Cogburn, S.B.: Tumors , in Manual of Orthopedics, St. Louis, C.V. Mosby, 1980. Cap. 19, p. 4 15-416.
5. Kettelkamp, D.B., Campbell, C.J. & Bonfiglio. M. Displasia epiphysealis hemimelica: a report of fifteen cases and a review of the literature. J Bone Joint Surg [Am] 48: 746-767, 1966.
6. Pinheiro, P.C.M.S. & Bianco, S.M., Displasia epifisária hemimélica isolada do tornozelo: relato de um caso. Rev Bras Ortop 25: 181-184, 1990.
7. Weltevrede, H.J. & Jasen, B.R.H.: Dysplasia epiphysealis hemimelica - three different types in the ankle joint. Arch Orthop Trauma Surg 107: 89-91. 1988.