<DIV style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN-TOP: 10px; PADDING-LEFT: 10px; PADDING-RIGHT: 10px">
<DIV style="PADDING-RIGHT: 9px; FONT-FAMILY: 'Century Gothic', Arial; COLOR: #495e37; FONT-SIZE: 11px">
<P></P></DIV><BR>
<DIV style="FONT-FAMILY: 'Century Gothic', Arial; COLOR: #495e37; FONT-SIZE: 14px; FONT-WEIGHT: bold; PADDING-TOP: 3px">INTRODUÇÃO</DIV>
<DIV style="PADDING-RIGHT: 10px; FONT-FAMILY: 'Century Gothic', Arial; COLOR: #495e37; FONT-SIZE: 13px"></DIV>
<DIV style="PADDING-RIGHT: 10px; FONT-FAMILY: 'Century Gothic', Arial; COLOR: #495e37; FONT-SIZE: 13px">
<P align=left>A artroplastia total do ombro é uma opção cirúrgica bemsucedida nas artrites glenumerais. Consistente alívio da dor e melhora do arco do movimento têm sido documentados em muitas séries de pacientes(2,3,5,8,10). No entanto, esse procedimento está associado a diversas complicações. Clinicamente, o afrouxamento da glenóide tem sido complicação reportada com muita freqüência(5). Do ponto de vista radiológico, o afrouxamento da glenóide está ligado ao aparecimento de linhas radiolúcidas entre o osso da glenóide e o cimento. Esse achado radiológico tem ocorrido entre 30% e 93% dos om-bros operados(2,4,6); é um sinal de advertência, usualmente indicativo de revisão cirúrgica. </P>
<P>O manguito rotador insuficiente tem sido um grande desafio nas artroplastias do ombro. A artroplastia total combinada ao reparo do manguito rotador vem sendo advogada, porém, com o reconhecimento dos limitados objetivos, principalmente com respeito à mobilidade ativa e à força muscu-(9-11). No entanto, mais recentemente, Franklin et al.(7) demonstraram a associação entre o afrouxamento da glenóide na artroplastia total e a insuficiência do manguito rotador. Eles correlacionaram a migração superior do componente umeral com a inclinação superior da glenóide, descrevendo <BR>o fato como rocking horse glenoid. Arntz et al.(1) reportaram que os resultados da hemiartroplastia são muito melhores do que os obtidos nas artrodeses glenumerais de pacientes com manguitos insuficientes. </P>
<P>Pollock et al. revisaram 30 ombros em 25 pacientes com osteoartrite glenumeral que tinham deficiência do manguito rotador; 19 pacientes haviam sido submetidos a hemiartroplastia e 11 a artroplastia total. Eles concluíram que 93% dos pacientes tiveram satisfatório alívio da dor. O resultado final foi similar com respeito ao alívio da dor, satisfação do paciente e o ganho do arco do movimento, embora com a hemiartroplastia o ganho da flexão anterior ativa fosse muito maior (+52º vs. +2º) após a cirurgia(12). </P>
<P>Marmor(9) reportou grande alívio da dor e melhor função com a hemiartroplastia nos pacientes portadores de artrite reumatóide, mesmo naqueles com deficiência do manguito rotador.
<P><STRONG>CASUÍSTICA E MÉTODO</STRONG></P>
<P>Trinta pacientes submeteram-se a hemiartroplastia no período de setembro de 1994 a janeiro de 1997. Foram 7 ho-mens e 23 mulheres. Os diagnósticos primários para os om-bros foram: 6 osteoartrites glenumerais, 4 artrites reumatóides, 2 anemias falciformes, 2 artropatias secundárias à rotura maciça do manguito rotador, 4 luxações-fraturas em 4 partes e 12 fraturas em 4 partes. A prótese usada foi a global (De Puy). Idade média dos pacientes: 50 anos (30-70). O acompanhamento médio foi de 24 meses. </P>
<P>Embora a dor fosse a justificativa primária para a cirurgia, dor e disfunção foram equivalentes razões para a cirurgia em todos os pacientes. Em 29 pacientes a prótese umeral foi não cimentada. Apenas em 1 paciente com fratura em 4 partes foi necessário o uso do cimento ósseo, devido ao inadequado tamanho da prótese em relação ao canal medular (usou-se prótese nº 8 com cimento ósseo). Nos casos com artrose glenumeral e anemia falciforme, a decisão para não usar o componente glenoidiano foi tomada no ato cirúrgico, pois os pacientes tinham adequado estoque ósseo e a glenóide não apresentava desgaste significativo do rebordo posterior; eram, portanto, glenóides concêntricas. </P>
<P>Em 4 pacientes, 2 com anemia falciforme e outros 2 com artrose glenumeral, os manguitos rotadores eram insuficientes (rotos e fibrosados), o que necessitou meticulosa mobilização e reconstrução. Nos pacinetes com artrite reumatóide, anemia falciforme e artropatia secundária à rotura maciça do manguito rotador, a decisão pela hemiartroplastia foi préoperatória, pois o estudo radiológico simples desses casos mostrava migração superior da cabeça umeral devido à insuficiência ou ausência do manguito rotador. Nesses pacientes, no pós-operatório, as próteses umerais mantiveram-se elevadas articulando-se com a parte superior da glenóide e com o arco subcoracoacromial. </P>
<P>Na artrose glenumeral, artrite reumatóide e anemia falciforme, o ganho médio da flexão anterior foi de 92º, abdução de 60º, rotação externa de 20º, rotação interna - polegar alcançava T11. A melhora da dor foi consistente em 29 pacientes, exceto em 1, operado devido à rotura maciça do manguito rotador. A prótese permaneceu exageradamente elevada. Após 6 meses foi removida e a artrodese realizada, utilizando o fixador externo. </P>
<P><STRONG>RESULTADO</STRONG></P>
<P>Em recente reavaliação utilizando o método da UCLA (Universidade da Califórnia em Los Angeles) que avalia o paciente quanto a dor, função, flexão ativa, força de flexão anterior e satisfação do paciente (escore máximo: 35 pontos), os resultados foram assim considerados: </P>
<P align=center><IMG alt="" src="http://www.rbo.org.br/images/1997/09_set/set97075_img_12.jpg"></P>
<P><STRONG>DISCUSSÃO</STRONG></P>
<P>A hemiartroplastia nas fraturas e luxações-fraturas propicia melhora substancial da dor. Não obstante, os resultados funcionais, independentemente do desempenho de adequada técnica cirúrgica, são muito variáveis e estão sujeitos a vários fatores, como, por exemplo: o estado de higidez do paciente antes do acidente, a idade, a demora no atendimento inicial e, sobretudo, seu interesse em cumprir os programas de reabilitação. Os pacientes mais idosos (= 70 anos) têm objetivos funcionais mais modestos e não se interessam por programa de reabilitação mais intenso. </P>
<P>Nesta série de 16 pacientes, a maioria dos resultados regulares foi devida ao grande atraso no atendimento. Os pacientes chegaram às nossas mãos após 15, 20 e até 30 dias decorridos do trauma inicial. </P>
<P>Na artropatia secundária a rotura maciça, um resultado foi considerado bom e outro insuficiente. O bom resultado ca-racterizava-se pela possibilidade de o paciente realizar suas tarefas diárias. Há dor, só eventualmente e após grandes esforços. A paciente usa bengala do lado do ombro operado. A flexão anterior ativa é de 60º, flexão anterior passiva de 180º, rotação externa de 30º; rotação interna - polegar atinge apófise espinhosa de L1. Paciente muito satisfeita com o resultado (UCLA = 28 pontos). </P>
<P>No resultado insuficiente, a prótese se manteve exageradamente elevada e dolorosa. A prótese foi retirada e a artrodese efetuada utilizando-se o fixador externo. </P>
<P>Na artrite reumatóide e anemia falciforme, apesar da migração superior da prótese pela deficiência do manguito rotador, o efeito buffer se fez presente pela integridade do ligamento coracoacromial. Os resultados foram considerados excelentes e bons, exceto em um paciente com anemia falciforme, cujo resultado foi regular devido à infecção superficial da ferida operatória, tratada com antibiótico oral em nível ambulatorial (figs. 1, 2 e 3). </P>
<P>Na artrose glenumeral, houve quatro excelentes resultados. Os dois bons resultados foram pacientes operados mais recentemente e que ainda não obtiveram alta da fisioterapia. </P>
<P align=center><IMG alt="" src="http://www.rbo.org.br/images/1997/09_set/set97075_img_13.jpg">
<P><STRONG>CONCLUSÃO</STRONG> </P>
<P>A indicação da hemiartroplastia nas fraturas e luxaçõesfraturas proximais do úmero já está estabelecida. Atualmente, com o advento de novas próteses que têm como principais características a porosidade, modularidade e os múltiplos tamanhos de cabeças e componentes umerais, propiciando melhor adaptabilidade à glenóide e ao espaço subacromial, ficou facilitada sua utilização parcial, cimentada ou não, nas osteoartrites glenumerais primárias e secundárias, sobretudo nos pacientes cujos manguitos rotadores estão insuficientes ou ausentes. </P>
<P align=center><IMG alt="" src="http://www.rbo.org.br/images/1997/09_set/set97075_img_14.jpg"></P>
<P>Pelos dados da literatura e por observações próprias, os resultados das hemiartroplastias têm sido semelhantes aos das artroplastias totais, em alguns casos até melhores, principalmente no que diz respeito ao arco do movimento(12). Na hemiartroplastia o reparo do manguito rotador se faz mais facilmente devido à menor lateralização da prótese. É realizada em menor tempo cirúrgico, conseqüentemente menor perda sanguínea e menor tempo de anestesia. O potencial problema do afrouxamento da glenóide está afastado. <BR></P></DIV>
<DIV style="FONT-FAMILY: 'Century Gothic', Arial; COLOR: #495e37; FONT-SIZE: 14px; FONT-WEIGHT: bold; PADDING-TOP: 3px">REFERÊNCIAS</DIV><BR>
<DIV style="PADDING-RIGHT: 9px; FONT-FAMILY: 'Century Gothic', Arial; COLOR: #495e37; FONT-SIZE: 11px">
<P>1. Arntz, C.T., Matsen II, F.A. & Jackins, S.: Surgical management of com- plex irreparable rotator cuff deficiency. J Arthroplasty 6: 363-370, 1991. </P>
<P>2. Barrett, W.P., Franklin, J.L., Jackins, S.E. et al: Total shoulder arthro- plasty. J Bone Joint Surg [Am] 69: 865-872, 1987. </P>
<P>3. Cofield, R.H.: Total shoulder arthroplasty with the Neer prosthesis. J Bone Joint Surg [Am] 66: 899-906, 1984. </P>
<P>4. Cofield, R.H.: Integral surgical maneuvers in prosthetic shoulder arthro- plasty. Semin Arthroplasty 1: 112-123, 1990. </P>
<P>5. Cofield, R.H.: "Degenerative and arthritic problems of the glenohumeral joint", in Rockwood Jr., C.A. & Matsen III, F.A. (eds.): The shoulder, Philadelphia, W.B. Saunders, 1990. Vol. 2, p. 678-749. </P>
<P>6. Faludi, D.D. & Weiland, A.J.: Cementless total shoulder arthroplasty: preliminary experience with thirteen cases. Orthopedics 6: 431-437, 1983. </P>
<P>7. Franklin, J.L., Barrett, W.P., Jackins, S.E. et al: Glenoid loosening in total shoulder arthroplasty. J Arthroplasty 3: 39-46, 1988. </P>
<P>8. Frich, L.H., Moller, B.N. & Sneppen, O.: Shoulder arthroplasty with the Neer Mark II prosthesis. Arch Orthop Trauma Surg 107: 110-113, 1988. </P>
<P>9. Marmor, L.: Hemiarthroplasty for the rheumatoid shoulder joint. Clin Orthop 122: 201-203, 1977. </P>
<P>10. Neer II, C.S., Craig, E.V. & Fukuda, H.: Cuff tear arthropathy. J Bone Joint Surg [Am] 65: 1232-1244, 1983. </P>
<P>11. Neer II, C.S., Watson, K.C. & Stanton, F.J.: Recent experience in total shoulder replacement. J Bone Joint Surg [Am] 64: 319-337, 1982. </P>
<P>12. Pollock, R.G., Deliz, E.D., McIlveen, S.J. et al: Prosthetic replacement in rotator cuff-deficient shoulders. J Shoulder Elbow Surg 1: 173-186, 1992. </P></DIV></DIV>