<DIV style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN-TOP: 10px; PADDING-LEFT: 10px; PADDING-RIGHT: 10px"><BR> <DIV style="FONT-FAMILY: 'Century Gothic', Arial; COLOR: #495e37; FONT-SIZE: 14px; FONT-WEIGHT: bold; PADDING-TOP: 3px">INTRODUÇÃO</DIV> <DIV style="PADDING-RIGHT: 10px; FONT-FAMILY: 'Century Gothic', Arial; COLOR: #495e37; FONT-SIZE: 13px"></DIV> <DIV style="PADDING-RIGHT: 10px; FONT-FAMILY: 'Century Gothic', Arial; COLOR: #495e37; FONT-SIZE: 13px"> <P align=left>O encondroma é um tumor benigno produtor de tecido cartilaginoso, que geralmente se desenvolve na parte central do osso. Pode ser solitário ou fazer parte de doenças sistêmicas, como a doença de Ollier (encondromatose múltipla) e a síndrome de Maffucci (encondromatose múltipla associada a hemangiomas)(1). </P> <P>As localizações mais freqüentes na mão são a falange proximal, o metacarpo e a falange média. Cerca de 90% dos tumores encontrados na mão são encondromas(2). A faixa etária de ocorrência é variável, desde a segunda década(3) até a quinta(1,2). </P> <P>Raramente, ocorre nos ossos do carpo. Quando ocorre nessa região, acomete o escafóide, porém existem poucos relatos na literatura dessa localização do tumor(4,5,6,7,8,9). </P> <P>O diagnóstico geralmente é feito por acaso, quando se realiza o estudo radiológico do punho por outras causas, ou quando ocorre fratura patológica ou por pequenos traumas(2,7). </P> <P>O tratamento do encondroma é variável, desde a conduta expectante(2) até procedimentos cirúrgicos. As possibilidades de tratamento cirúrgico são: 1) curetagem simples, sem enxertia(10) e 2) curetagem associada a enxertia, que pode utilizar enxerto autógeno vascularizado do dorso do rádio distal(7), da crista ilíaca (não vascularizado)(8) ou enxerto proveniente de banco de ossos(2). Ressaltamos que a curetagem deve ser ampla, pois acredita-se que a recidiva local seja mais freqüente quando a curetagem é insuficiente. O risco de recorrência local após a curetagem com auto-enxertia, entretanto, permanece em 4,5%, nas séries mais longas publicadas(2). </P> <P>De acordo com Hasselgren et al, a auto-enxertia é desnecessária, após a curetagem, pois esses autores acreditam que esse procedimento não altera a possibilidade de recidiva local(11). </P> <P align=center><IMG alt="" src="http://www.rbo.org.br/images/2003/1112_novdez/image.03.novdez.01.jpg"></P> <P>Apresentamos um caso de encondroma do escafóide, ainda não descrito na literatura brasileira, diagnosticado após o paciente ter sofrido um trauma no punho e tratado com curetagem associada a enxertia, utilizando enxerto proveniente da crista ilíaca. </P> <P><STRONG>RELATO DO CASO</STRONG> </P> <P>R.S.N., 28 anos de idade, sexo masculino, caucasiano, segurança. </P> <P>Relata trauma no punho esquerdo, durante atividade física desportiva (futebol), em junho de 2000. Evoluiu com dor, edema e limitação funcional, procurando atendimento médico em serviço de emergência, sendo submetido a exame radiológico, que evidenciou a fratura do escafóide alterado pelo tumor. O exame radiológico (fig. 1) demonstra lesão central, expansiva, insuflando e produzindo lobulações nas margens corticais internas, com calcificações puntiformes na matriz cartilaginosa, sem esclerose. A tomografia computadorizada permite melhor visualização do tumor (figs. 2 e 3). </P> <P>O paciente foi imobilizado em aparelho gessado tipo axilopalmar, incluindo o polegar, e encaminhado ao Ambulatório de Cirurgia da Mão do Hospital da Lagoa/Rio de Janeiro. </P> <P>O paciente nega doenças ou traumas anteriores, nesse punho. A mão dominante é a direita e a acometida, a esquerda. </P> <P>Indicou-se o tratamento conservador, mantendo a imobilização anterior, que não obteve sucesso. Em agosto de 2000, o paciente foi submetido ao tratamento cirúrgico, que consistiu em ressecção da tumoração e enxertia com osso córtico-esponjoso proveniente da crista ilíaca contralateral e fixação do escafóide e do enxerto com dois fios de Kirschner paralelos. Foi colocada imobilização gessada axilopalmar, incluindo o polegar, e feito acompanhamento radiológico na primeira, terceira, sexta e oitava semanas, quando os fios de Kirschner foram retirados. A imobilização foi mantida por mais quatro semanas, quando foi realizado novo estudo radiológico, demonstrando consolidação da fratura e integração do enxerto (fig. 4). </P> <P align=center><IMG alt="" src="http://www.rbo.org.br/images/2003/1112_novdez/image.03.novdez.02.jpg"></P> <P align=center><IMG alt="" src="http://www.rbo.org.br/images/2003/1112_novdez/image.03.novdez.03.jpg"></P> <P align=center><IMG alt="" src="http://www.rbo.org.br/images/2003/1112_novdez/image.03.novdez.04.jpg"></P> <P>O exame histopatológico mostrou a presença de nódulos de cartilagem hialina com calcificação, circundados por septos conjuntivos de tecido fibroso, confirmando a hipótese de encondroma (fig. 5). </P> <P><STRONG>DISCUSSÃO </STRONG></P> <P>O encondroma é tumor de ocorrência freqüente nos dedos da mão e nos metacarpos. Não tem predileção por sexo e atinge diversas faixas etárias(1,2,3). </P> <P>O principal diagnóstico diferencial do encondroma é o infarto ósseo medular, podendo ser difícil a diferenciação entre ambos. A lobulação das margens corticais internas, as calcificações na matriz e a ausência da borda esclerótica encontrada no infarto ósseo são os principais fatores para o diagnóstico do encondroma(12). </P> <P>Existem poucos relatos de ocorrência nos ossos do carpo, acometendo o escafóide, o semilunar e o capitato(2,8). </P> <P>Em um estudo amplo, feito entre 1983 e 1993, Emechetta et al(4) encontraram apenas três casos de encondroma do escafóide. Em 1992 e 1997, Minkowitz et al(5) e Redfern et al(6), respectivamente, relataram dois casos de fratura patológica em escafóide carpal acometido de encondroma, ocorrendo a fratura após leve trauma no punho. </P> <P>Esses autores enfatizaram que o encondroma leva ao enfraquecimento das corticais do osso, pela insuflação que causa, facilitando a ocorrência de fraturas. </P> <P>Dentro das diversas possibilidades de tratamento cirúrgico, optamos pela curetagem associada a enxertia com osso proveniente da crista ilíaca previamente colhido, pois existe a possibilidade de semeadura do local doador do enxerto por células tumorais, quando esse cuidado não é observado, como informa Athanasian(2). </P> <P>Este trabalho descreve o caso de um tumor relativamente freqüente na mão, o encondroma, mas que raramente acomete o escafóide, eventualidade que deve ser incluída no rol dos diagnósticos diferenciais da fratura patológica do escafóide, conforme as observações de Baron e Scharizer, de 1987(9).</P></DIV> <DIV style="FONT-FAMILY: 'Century Gothic', Arial; COLOR: #495e37; FONT-SIZE: 14px; FONT-WEIGHT: bold; PADDING-TOP: 3px">REFERÊNCIA</DIV><BR> <DIV style="PADDING-RIGHT: 9px; FONT-FAMILY: 'Century Gothic', Arial; COLOR: #495e37; FONT-SIZE: 11px"> <P>1. Garcia Fo R.J.: Tumores Ósseos: Uma Abordagem Ortopédica ao Estudo dos Tumores Ósseos. São Paulo, EPM, p. 29-31, 1996.</P> <P>2. Malizos K.N., Gelalis I.D., Ioachim E.E., Soucacos P.N.: Pathologic fracture of the scaphoid due to enchondroma: treatment with vascularized bone grafting. Report of a case. J Hand Surg [Am] 23: 334-337, 1998. </P> <P>3. Athanasian E.A.: "Bone and soft tissue tumors". In: Green's Operative Hand Surgery. New York, Churchill-Livingstone, p. 2223-2253, 1999. </P> <P>4. Masada K., Fujiwara K., Yoshikawa H., Iwaki K.: Chondroma of the scaphoid. J Bone Joint Surg [Br] 71: 705, 1989. </P> <P>5. Pardini Jr. A.G., Tavares K.E., Freitas A.D.: "Tumores na mão". In: Cirurgia da mão - Lesões não traumáticas. Rio de Janeiro, Medsi, p. 377-398, 1990. </P> <P>6. Baron J., Scharizer E.: Tumoren und tumorahnliche erkrankungen der handwurzelknochen. Handchir Mikrochir Plast Chir 19: 195-205, 1987.</P> <P>7. Tordai P., Haglund M., Lugnegard H.: Is the treatment of enchondroma in the hand by simple curettage a rewarding method? J Hand Surg [Br] 15: 331-334, 1990. </P> <P>8. Emechetta I.E., Bernhards J., Berger A.: Carpal enchondroma. J Hand Surg [Br] 22: 817-819, 1997. </P> <P>9. Minkowitz B., Patel M., Minkowitz S.: Scaphoid enchondroma. Orthop Rev 21: 1241-1245, 1992.</P> <P>10. Hasselgren G., Forssblad P., Tornvall A.: Bone grafting unnecessary in the treatment of enchondromas in the hand. J Hand Surg [Am] 16: 139-142, 1991. <BR><BR>Redfern D.R., Forester A.J., Evans M.J., Sohail M.: Enchondroma of the&nbsp; scaphoid. J Hand Surg [Br] 22: 235-236, 1997. </P> <P>11. Greenspan A.: Radiologia Ortopédica. Rio de Janeiro, Guanabara-Koogan, p. 16.1-16.28, 1996.&nbsp;</P></DIV></DIV>