Alguns pacientes, ao sofrerem trauma na região do joelho, sem mecanismo e clínica para lesão meniscal e/ou cápsuloligamentar, continuam apresentando dor ao nível dessa articulação, apesar da não existência de lesão óssea ao exame radiológico convencional. Ao solicitarmos a RM, poderemos diagnosticar uma fratura oculta. Este termo também tem sido utilizado para simples contusão óssea(7).
O objetivo deste trabalho é alertar para a ocorrência deste tipo de lesão, que, se não diagnosticada, pode terminar em quadro de gonartrose(5-7,9,10) e salientar o valor da RM para o diagnóstico da fratura oculta em pacientes traumatizados e sem quadros clínico e radiológico simples definidos(2-4,6,10,11).
CASUÍSTICA
Foram estudados quatro pacientes no período de novembro de 1995 a março de 1996. Todos eram da cor branca, sendo dois do sexo masculino e dois do feminino. Quanto à idade, o mais novo tinha 43 anos e o mais idoso, 90 anos, com história de trauma agudo na articulação do joelho, após queda da própria altura. O exame clínico não apresentou sintomas e/ou sinais de lesões meniscais ou cápsulo-ligamenta-res. O exame radiológico simples não evidenciou lesões ósseas. Com a persistência do quadro álgico após tratamento convencional com repouso, analgésicos e antiinflamatórios, decidiu-se pela realização de uma RM, num período médio de 12 (dez a 15) dias após o atendimento inicial. Todos apresentaram fratura oculta do joelho. Utilizou-se a classificação de Mink & Deutsch(4) para fraturas ocultas diagnosticadas por RM. Todas foram do tipo III (três do planalto tibial e um do planalto e do côndilo femoral). O tratamento definitivo consistiu em imobilização da articulação comprometida, com remissão total dos sintomas num período médio de três semanas. Nas figuras 1 e 2 observam-se dois casos com radiografias simples normais e RM evidenciando as fraturas.
DISCUSSÃO
Com a crescente utilização da ressonância magnética para avaliação de pacientes com traumatismo no joelho, o diagnóstico de fratura oculta vem sendo feito cada vez com maior freqüência. Stafford et al.(7), em 1986, publicaram um dos primeiros trabalhos sobre o assunto. Apple et al.(1), em 1983, recomendaram a utilização da tomografia computadorizada para diagnosticar a fratura oculta do joelho. Mink & Deutsch(4), em 1989, concluíram que esse exame poderia realizar o diagnóstico somente em alguns casos. Para Vellet et (10) (1991), a fratura só seria dita oculta caso não fosse diagnosticada com a radiografia simples e/ou tomografia computadorizada, mas apenas com RM.

Vários autores têm relacionado esse tipo de fratura com lesão completa do ligamento cruzado anterior(2,4,6,8,10) com estatísticas variando de 72% a 100%. Nos quatro casos em estudo, nenhuma outra lesão intra-articular foi encontrada, segundo laudo do radiologista. Resultado semelhante foi relatado por Masciocchi et al.(3), em 1993.
Vários autores têm notado a maior freqüência da fratura oculta intra-óssea no lado lateral(6,8,10), o que está de acordo com nossa casuística.
Foi orientada restrição à marcha sem apoio no membro afetado, até ocorrer a cicatrização do tecido trabecular segundo recomendação de Lynch et al.(2).
CONCLUSÃO
Nos pacientes com traumatismo na região do joelho, sem sintomas ou sinais de lesões meniscais e/ou cápsulo-ligamen-tares, com exame radiológico simples sem anormalidades, mas com clínica persistente de dor e impotência funcional, deve-se solicitar uma RM para possibilitar o diagnóstico de uma fratura oculta.
Lynch, T.C., Crues III, J., Morgan, F.W. et al: Bone abnormalities of the knee: prevalence and significance at MR imaging. Radiology 171: 761766, 1989.
Masciocchi, C., Barile, A., Simonetti, C. et al: Intra-osseus hidden fractures of the knee in athletes: assessment with magnetic resonance imaging. Radiol Med (Torino) 85: 378-383, 1993.
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Rosen, M.A., Jackson, D.W. & Berger, P.E.: Occult osseous lesions documented by magnetic resonance associated with anterior cruciate ligament ruptures. Arthroscopy 7: 45-51, 1991.
Stafford, S.A., Rosenthal, D.I., Gebhardt, M.C. et al: MRI in stress fractures. AJR 147: 553-556, 1986.
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Thompson Jr., R.C., Oegema, T.R., Lewis, J.L. et al: Osteoarthrotic changes after acute transarticular load: an animal model. J Bone Joint Surg [Am] 73: 990-1001, 1991.
Vellet, A.D., Marks, P.H., Fowler, P.J. et al: Occult posttraumatic osteochondral lesions of the knee: prevalence, classification and short-term sequelae evaluated with MR imaging. Radiology 178: 271-276, 1991.
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