Trabalho realizado no Hospital de Tráumato-Ortopedia (INTO/HTO-RJ).
1. Mestre em Medicina pela Faculdade de Medicina da UFRJ; Membro do Grupo de Joelho do INTO/HTO-RJ.
2. Médico Ortopedista; Chefe do Grupo de Joelho do INTO/HTO-RJ.
3. Médico Residente (R3) do INTO/HTO-RJ.
4. Médico Ortopedista; Ex- Residente do INTO/HTO-RJ.
Endereço para correspondência (Correspondence to): Av. Maracanã, 3.200/C01, Tijuca - 20530-231 - Rio de Janeiro, RJ, Brasil. Tel.: +55 21 2278-9177. E-mail: avillardi@ig.com.br
Gunston iniciou a era moderna da artroplastia total do joelho, desenvolvendo um tipo de prótese que preservava os ligamentos cruzados e colaterais, sendo fixada com cimento ortopédico (1).
Hungerford et al introduziram o uso de próteses totais do joelho que não necessitavam do cimento ortopédico para fixação óssea(2).
A utilização dos implantes não cimentados baseia-se em princípios mecânicos (estabilidade) e biológicos (osteointegração).
A principal característica dos componentes não cimentados é a sua superfície inferior, porosa, constituída por microesferas, para favorecer a osteointegração. Para a obtenção da aderência na interface implante-osso, é necessário que ocorra crescimento ósseo direcionado à superfície porosa do implante, sendo a conclusão desse processo dependente daqueles requisitos mecânicos e biológicos.
As principais justificativas para o emprego dos componentes não cimentados referem-se à possibilidade de um tipo de fixação alternativa, biológica, sem os problemas potencialmente provocados pelo uso do cimento ortopédico, tanto de ordem local quanto geral (3-11).
Apesar disso, a opção de utilização ou não da cimentação óssea como método de fixação dos componentes continua sendo motivo de controvérsia. À revisão da literatura, são encontrados estudos com longo período de seguimento e excelentes resultados clínico-funcionais, tanto em artroplastias totais do joelho cimentadas quanto não cimentadas (12,13).
Observa-se, ainda, discrepância nos resultados de estudos comparativos envolvendo artroplastias cimentadas, não cimentadas e híbridas, ao serem avaliados parâmetros clínicos, taxas de sobrevivência de implantes e incidência de osteólise (14-18). No Brasil, a utilização da artroplastia não cimentada é muito pouco freqüente e mais raras ainda são as publicações sobre esse tema.
Stiehl relatou que os implantes de plataforma móvel foram idealizados para aumentar a congruência articular e diminuir o desgaste do polietileno. Ressaltou, ainda, que os componentes das próteses LCS (Low Contact Stress) mantiveram intacto o seu desenho inicial, mantendo alta conformidade e estabilidade (19).
Este estudo teve por objetivo a avaliação a médio prazo (65,76 meses) dos resultados clínico-funcionais de uma série de 46 artroplastias totais do joelho de plataforma móvel, não cimentadas e sem substituição da patela, do tipo LCS ? , utilizando-se o protocolo de pontuação proposto por Buechel e conhecido como New Jersey Orthopaedic Hospital ou simplesmente protocolo
New Jersey (20).
MATERIAL E MÉTODO
No período de abril de 1995 a novembro de 2001, foram realizadas pelo Grupo de Joelho do Instituto Nacional de Tráumato-Ortopedia - Hospital de Tráumato-Ortopedia do Rio de Janeiro (INTO/HTO-RJ ) 46 artroplastias com implantes LCS ?, não cimentadas, em 41 pacientes, portadores exclusivamente de osteoartrose, nos quais não se procedeu à substituição da
patela, para uniformização da amostra, sendo 26 próteses do tipo meniscal bearing e 20 do tipo platform (tabela 1).
Do total de pacientes estudados, 14 eram do sexo masculino (34,15%) e 27 do feminino (65,85%), com idade variando entre 45 e 90 anos (média de 66,8 anos). Para este estudo, a idade desses indivíduos foi registrada como aquela correspondente à da cirurgia.
Quanto ao lado, foram realizadas 29 artroplastias no joelho direito (63,04%) e 17 no esquerdo (36,96%), sendo cinco bilaterais. O tempo médio decorrido entre a artroplastia e a avaliação clínico-funcional foi de 65,76 meses (5,48 anos), sendo o maior
de 105 meses e o menor de 25 meses.
Dos 41 pacientes, nove já haviam sido submetidos a cirurgias prévias, sendo quatro procedimentos artroscópicos para meniscectomias parciais, duas meniscectomias totais abertas, duas osteotomias tibiais altas e uma toalete articular por ar- trotomia.


MÉTODO
A totalidade dos pacientes foi submetida à avaliação clínica e radiológica pré e pós-operatória. Foram eleitos candidatos ideais à artroplastia total de joelho os indivíduos que apresentavam degeneração articular, com quadro de dor moderada ou intensa em repouso ou nas suas atividades de vida diária.
Como contra-indicações absolutas para artroplastia de joelho, foram consideradas a infecção ativa, insuficiência quadricipital e artrodese de joelho. Optou-se pela utilização do implante tipo platform, em que o ligamento cruzado posterior ( LCP ) é ressecado, nos casos em que havia lesão prévia ou tensão inadequada dessa estrutura, deformidades angulares fixas ou redutíveis maiores que 15 o, contratura em flexão ou patelectomia prévia.
No planejamento pré-operatório, foram considerados candidatos à utilização dos implantes não cimentados os indivíduos mais jovens, ativos e pesados, com aspecto radiológico de preservação do estoque ósseo.
Entretanto, a decisão final foi tomada peroperatoriamente, na dependência de alguns fatores como: estoque ósseo adequado, tanto do ponto de vista quantitativo quanto qualitativo, obtenção de estabilidade mecânica do implante, contato íntimo entre a superfície óssea e a superfície porosa do implante, ou seja, distância entre essas superfícies nunca maior que 2mm e, finalmente, ausência de alterações ósseas de ori
gem vascular (figura 1).
Sistematicamente, os fragmentos resultantes dos cortes ósseos foram preparados e utilizados como enxertia autóloga no orifício intramedular da tíbia, para aumentar a fixação do implante (figura 2).


Os dois tipos de próteses avaliados neste estudo eram de cromo-cobalto (Cr-Co) e introduzidos sob pressão ( press-fit ). Dentre as características comuns entre os implantes utilizados neste estudo, podem-se destacar: possuir elementos de
polietileno móveis e ser não cimentadas, com superfície porosa ( porous coat ), constituída por microesferas com diâmetro entre 320µ a 380µ na interface implante-osso (figura 3).
Nos implantes do tipo platform , que não retêm o LCP , o polietileno era ultracongruente, a fim de promover a estabilização posterior (figura 4). Os do tipo meniscal bearing , em que o LCP é preservado, caracterizavam-se por duas estruturas de polietileno, de forma semilunar, lembrando estruturas meniscais (figura 5).
O acesso mediano, longitudinal, com capsulotomia medial foi utilizado nos joelhos varos ou sem alterações do eixo. Nos joelhos valgos, foi utilizado o acesso lateral, com luxação medial da patela, como recomenda Keblish (21) .
Optou-se por não substituir a superfície articular da patela quando não havia lesão ou degeneração da cartilagem em que o osso subcondral estivesse exposto.
Nesses casos, foi realizada a pateloplastia, que consistiu na denervação da periferia patelar com termocautério e remoção dos osteófitos. As múltiplas perfurações na superfície articular da patela, com broca de 2,0mm de diâmetro, foram utilizadas nos casos iniciais; entretanto, nos últimos cinco anos, esse procedimento foi abandonado (figura 6).
A avaliação clínico-funcional dos pacientes foi realizada utilizando-se o sistema de pontuação do protocolo New Jer- sey Orthopaedic Hospital (20)


Esse protocolo avalia aspectos subjetivos e objetivos, incluindo dor, capacidade funcional, mobilidade, deformidades, estabilidade e força muscular. A pontuação máxima possível é de 100 pontos, o que caracteriza um joelho normal.
O resultado final corresponde ao somatório da pontuação alcançada em cada quesito, sendo classificado da seguinte forma: excelente (85-100 pontos), bom (70-84 pontos), regular (60-69 pontos) e insuficiente (0-59 pontos).
De acordo com a padronização desse sistema de avaliação, o paciente classifica o seu grau de satisfação com o resultado pós-operatório em três níveis: muito satisfeito, satisfeito ou insatisfeito. Cabe ressaltar que esse parâmetro não é contabilizado na apuração final da pontuação.
O projeto desta pesquisa foi submetido à análise e aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa do Instituto Nacional de Tráumato-Ortopedia.
RESULTADOS
Ao comparar os resultados de acordo com a faixa etária, observou-se que a pontuação média dos pacientes acima dos 65 anos foi maior em relação àqueles com idade abaixo de 65 anos. Entretanto, a pontuação média de ambos os grupos foi considerada excelente, sendo de 87,39 pontos nos indivíduos abaixo de 65 anos (n = 23) e de 90,52 naqueles acima dessa idade (n = 23).

A avaliação clínico-funcional das artroplastia totais deste estudo foi classificada como excelente, com valores médios de 89 pontos, sendo a menor pontuação igual a 56 pontos, enquanto a maior atingiu os 100 pontos possíveis (gráfico 1).
Os resultados da série foram considerados excelentes em 34 casos (73,91%), bons em 11 (23,91%), insuficiente em um (2,18%) e nenhum regular (gráfico 2).
Ao comparar a pontuação dos pacientes com seguimento menor ou igual a 65 meses de pós-operatório (n = 21) com aqueles com mais de 65 meses (n = 25), observou-se que a pontuação média dos dois grupos foi considerada excelente, ou seja, acima de 85 pontos, sendo de 89,36 pontos para o
grupo com seguimento menor que 65 meses e de 88,47 pontos para aquele com seguimento maior que 65 meses.
Optou-se por considerar 65 meses como ponto de corte, por ser este o seguimento médio da série estudada (gráfico 6). A pontuação média das artroplastias realizadas com implante do tipo platform foi de 91,65 pontos, enquanto a média das artroplastias do tipo meniscal bearing foi igual a 86,88 pontos, sendo ambas consideradas excelentes (gráfico 3).
Do total de 20 artroplastias do tipo platform , ocorreram 18 resultados excelentes (90%) e dois considerados bons (10%), enquanto nas 26 artroplastias do tipo meniscal bearing foram encontrados 16 resultados excelentes (61,54%), nove bons (34,61%) e um insuficiente (3,85%) (gráfico 4).
Quanto ao grau de satisfação referido pelos pacientes com o resultado das artroplastias, 28 disseram estar muito satisfeitos, 17 satisfeitos e apenas um insatisfeito (gráfico 5).
Dos 34 casos classificados como excelentes, 22 pacientes disseram estar muito satisfeitos (64,71%) e 12, satisfeitos (35,29%).
No grupo dos bons resultados, seis pacientes consideraram-se muito satisfeitos (54,55%) e cinco, satisfeitos (45,45%).
No único caso classificado como insuficiente, o paciente se disse insatisfeito com o resultado da artroplastia.
Nesta série, a amplitude média de movimento foi de 107,71 o , enquanto o valor médio de flexão foi de 108,44 o, sendo o maior de 130 o e o menor de 60 o (tabela 2).
Houve perda da extensão em quatro casos (8,69%), sendo três com valores angulares de 10 o e um com 5 o.
A amplitude articular das artroplastias com implantes do tipo meniscal bearing e platform foi de 108,07 o e 106,75 o , respectivamente.

A dor foi classificada como ausente em 19, ocasional em 24 e moderada em três joelhos (tabela 2). Nenhum paciente referiu dor de pouca intensidade, grave ou incapacitante (gráfico 7). Num total de 26 artroplastias em que foram utilizados implantes do tipo meniscal bearing, em 11 a dor foi considerada ausente (42,31%), em 12, ocasional (46,15%) e em três, moderada (11,54%).
Das 20 artroplastias do tipo platform , em oito a dor foi considerada ausente (40%) e em 12, ocasional (60%). Ao correlacionar a presença de fenômeno doloroso com o tempo decorrido de pós-operatório, 4% dos pacientes com seguimento maior que 65 meses (n = 25) caracterizaram a dor como moderada e 96% a classificaram como ausente ou ocasional.
Comparativamente, 90,48% dos pacientes com seguimento menor que 65 meses (n = 21) qualificaram a dor como ausente ou ocasional e 9,52%, como moderada (gráfico 8).
Em nenhum caso da série foi indicada ou realizada revisão da artroplastia primária por presença de osteólise ou afrouxamento asséptico. A única revisão realizada foi em um caso de luxação exposta pós-traumática.
Em quatro pacientes (8,69%) foram observadas as seguintes complicações: um caso de luxação exposta pós-traumática, um de instabilidade varo-valgo, um de dor patelofemoral e um de trombose venosa profunda.
Análise estatística
Na análise estatística, foi utilizado o teste t de Student , cujos resultados foram relacionados com o valor p, que representa o risco de erro que se corre ao rejeitar a hipótese nula, com o nível de significância a = 0,05 (5%). Sendo o valor p menor que 0,05, rejeita-se a hipótese nula (H 0 ), que representa que a média da amostra é igual ao padrão e, caso contrário, aceita-se.
Não foram encontradas diferenças estatisticamente significativas entre os grupos de pacientes submetidos a artroplastias com implantes do tipo meniscal bearing e platform , ao serem avaliados os seguintes parâmetros: pontuação do protocolo de
New Jersey
(p = 0,083) e amplitude articular (p = 0,787).
Da mesma forma, não foi observada diferença estatisticamente significativa, na comparação entre: 1) a pontuação média dos grupos de pacientes com idade superior e inferior a 65 anos (p = 0,220); 2) os grupos com seguimento pós-operatório maior e menor que 65 meses (p = 0,732); 3) a existência de fenômenos álgicos relacionados com seguimento maior ou menor que 65 meses (p = 1,000).

DISCUSSÃO
A possibilidade de utilizar implantes que não dependam do cimento ósseo como elemento de fixação continua sendo motivo de controvérsia.
A preservação do estoque ósseo, facilidade de revisão, menor tempo cirúrgico, ausência dos problemas relacionados com a cimentação e maior taxa de sobrevivência dos implantes podem ser considerados como possíveis benefícios nas
artroplastias não cimentadas.
Dentre as desvantagens, poderiam ser destacadas: maior incidência de osteólise, aumento na taxa de sangramento e custo mais elevado dos implantes.
Khaw et al afirmaram já ser fato esclarecido que o afrouxamento asséptico induzido por osteólise está fundamentalmente relacionado com a produção de partículas de polietileno ( de-bris ) e não com o tipo de fixação do implante (18).
Cushner e Friedman avaliaram que a perda sanguínea foi maior em pacientes submetidos a artroplastias cimentadas do que nas não cimentadas e que a necessidade de hemotransfusão relaciona-se principalmente com o hematócrito pré-operatório (22) .
Maloney afirmou que devem ser comparados os custos institucionais, totais dos implantes, incluindo os do cimento ósseo, cubas, dispositivos de vácuo e o aumento do tempo cirúrgico das próteses cimentadas. Relatou, ainda, que ao serem considerados esses aspectos, as diferenças de custo entre implantes cimentados e não cimentados não seria tão grande
(23) .
Morgan-Jones et al , em sua série, apresentaram média de idade igual a 66,8 anos (24) .
Média idêntica foi encontrada nesta pesquisa. Na literatura, há trabalhos em que as médias de idade foram superiores a 67 anos (25,26).
A artroplastia não cimentada, teoricamente, estaria indicada principalmente em pacientes abaixo dos 50 anos, com alta demanda funcional (13) .
Entretanto, são encontrados resultados muito satisfatórios em pacientes submetidos a artroplastia não cimentada, com idade superior a 60 anos, portadores tanto de osteoartrose quanto de artrite reumatóide (27,28). Whiteside não encontrou diferença entre resultados de artroplastias não cimentadas, realizadas em pacientes com idade maior ou menor que 65 anos (29) .
Na nossa casuística, observamos que, ao comparar a pontuação dos pacientes divididos em grupos acima e abaixo dos 65 anos, os resultados foram classificados como excelentes em ambos os grupos. Cabe ressaltar que, no grupo de pacientes acima de 65 anos, a pontuação foi discretamente maior, em comparação com o outro grupo, sem que isso representasse diferença estatisticamente significativa.
Talvez a menor demanda esperada nos pacientes de faixa etária maior possa explicar a maior pontuação média desse grupo. Keblish, analisando 52 artroplastias não cimentadas do tipo LCS ? , sem substituição da patela, obteve média de 90,8 pontos, utilizando o sistema New Jersey de pontuação (30) .
A pontuação média desse estudo foi de 89 pontos, com o mesmo instrumento de avaliação, sendo ambos os valores considera-
dos excelentes.
Buechel avaliou 309 artroplastias do tipo meniscal bearing e platform , com seguimento médio de 12,4 anos. Observou 97,9% de resultados considerados excelentes e bons (31) .
Embora com seguimento menor, obtivemos números percentuais praticamente idênticos, ou seja, 97,82% de excelentes e bons resultados.
Buechel et al avaliaram os resultados clínicos de 233 artroplastias do tipo LCS ? e obtiveram 68,1%, 29,8% e 2,1% de resultados excelentes, bons e regulares, respectivamente (32) .
Ao confrontar os nossos resultados com os daquela série, observamos maior percentual de casos considerados excelentes (73,91%) e menor incidência de bons resultados (23,91%). A justificativa desse fato deve relacionar-se com a diferença de tempo de seguimento entre as duas séries. Por ser aquele um estudo com 20 anos de seguimento, possivelmente, perdas na capacidade funcional foram ocorrendo durante os anos, influenciando negativamente a pontuação final.
Diversos estudos de curto, médio e longo prazo apresentam excelentes resultados com artroplastias não cimentadas (16,25,30-34) .
No nosso estudo, ao compararmos a pontuação média dos pacientes com seguimento maior ou menor que 65 meses de pós-operatório, observamos que não houve diferença estatisticamente significativa entre os grupos, embora a pontuação do grupo de artroplastias mais recentes fosse discretamente maior, em comparação com aquele com mais de 65 anos de seguimento. Diante de tais resultados, pode-se afirmar que a pontuação média do grupo com mais de 65 meses de seguimento foi influenciada negativamente pelo único caso considerado insuficiente, com pontuação igual a 56 pontos.
Pode-se ainda afirmar que os resultados das artroplastias não cimentadas não foram influenciados pelo intervalo de avaliação desta série, que variou de dois a nove anos de seguimento.
Stiehl e Voorhorst compararam os resultados de 191 artroplastias não cimentadas, sendo 147 próteses tipo meniscal bearing e 44 do tipo platform .
Verificaram que no primeiro grupo, em que se preservou o LCP, foi encontrada a melhor pontuação, com o sistema New Jersey (33) .
Não observamos qualquer diferença estatisticamente significante entre os dois grupos que analisamos. Entretanto, na análise descritiva, apesar de a pontuação de ambos os grupos ser considerada excelente, de acordo com o sistema de pontuação de New Jersey, foram encontrados valores médios mais elevados nos pacientes que receberam implantes do tipo platform.
Possíveis ex-plicações para esse fato são a influência negativa de um resultado insuficiente, identificado no grupo dos implantes meniscal bearing e o menor número de casos de implantes tipo platform , em comparação com aquela.
O grau de satisfação referido pelo paciente com o resultado pós-operatório, apesar de ser parte integrante desse sistema de avaliação, não adiciona ou subtrai pontos no resultado final. O esperado seria correlacionar indivíduos muito satisfeitos com resultados excelentes, com indivíduos satisfeitos com bons resultados e outros insatisfeitos com resultados regulares ou insuficientes. Houve correlação entre esses parâmetros em apenas 60,86% dos casos. Portanto, essa avaliação subjetiva pode não representar os resultados da série e depender de alguns fatores, como o grau de capacidade funcional pré-operatória, nível de expectativa do resultado cirúrgico, capacidade de julgamento e nível intelectual da população estudada.
Huang et al avaliaram clinicamente 228 e 267 artroplastias do tipo meniscal bearing e platform, respectivamente, com seguimento médio de 12 anos. Observaram que a amplitude articular média, pós-operatória, foi de 110 o(34) . No nosso estudo, o arco de movimento médio correspondeu a 107,71 o . Apesar de a diferença ser praticamente desprezível, devem-se levar em conta o tempo de seguimento e o número amostral entre as duas séries estudadas.
Stiehl et al, em estudo multicêntrico, compararam o arco de movimento em artroplastias do tipo LCS ? , com preservação ou não do LCP. Verificaram que a maior amplitude articular ocorreu no grupo de próteses em que esse ligamento foi preservado-meniscal bearing (26) .
No nosso estudo, foram observados resultados idênticos: as maiores amplitudes articulares ocorreram no grupo de implantes do tipo meniscal bearing.
Cabe ressaltar que, apesar desses achados idênticos do ponto de vista descritivo, não houve diferença estatisticamente significativa entre os grupos estudados na nossa pesquisa. Segundo alguns autores, a preservação ou o sacrifício do LCP não são fatores determinantes da maior ou menor amplitude articular pós-operatória (35-37) .
Stiehl et al consideram sem fundamento a hipótese de que a preservação ou não do LCP seria capaz de melhorar o arco de movimento pós-operatório, pelo menos no que tange aos implantes LCS.
Acreditam que nos casos mais difíceis, em que há deformidades angulares mais expressivas e maior incapacidade funcional pré-operatória, existe tendência à utilização de implantes que não preservam o LCP ( platform ), o que sem dúvida influenciaria negativamente a amplitude articular pós-operatória (26) .
Stiehl e Voorhorst observaram que a dor foi classificada como ocasional ou ausente em 94,6% das artroplastias com implantes meniscal bearing e de 93,2% naqueles do tipo platform (33) .
Na nossa casuística observamos comportamento diferente, já que nas artroplastias do tipo platform esse percentual alcançou os 100% e, naquelas com implantes meniscal bearing , a dor ocasional ou ausente ocorreu em 88,46% dos casos e, em 11,54%, a dor foi referida como moderada. Desses três casos, o primeiro foi classificado como insuficiente, o segundo como bom e o terceiro como excelente. O fato de dois dos três pacientes terem sido submetidos a cirurgias prévias talvez explique a maior intensidade das queixas álgicas.
Cabe ressaltar que, entre os casos estudados, havia sete com registro de cirurgias prévias no joelho e todos estes referiram a dor como ocasional ou ausente. A falência do LCP pode ser um fator a ser considerado para explicar tal ocorrência. Entretanto, não foram identificados nesses indivíduos os sinais clínicos de insuficiência do LCP, descritos pela tríade: derrame
articular persistente, dor anterior no joelho e episódios de instabilidade posterior nas atividades de vida diária. A tensão exagerada do LCP , produzindo pinçamento articular posterior, poderia ser aventada como fator causal da dor. Nesses três casos a flexão do joelho foi menor que a média dos valores angulares apresentados no grupo de pacientes que receberam implantes meniscal bearing.
A presença de dor moderada não deve relacionar-se com a ocorrência de osteólise ou afrouxamento asséptico, já que não foi realizado ou sequer indicado procedimento de revisão devido a esses fatores mencionados. Neste estudo, não houve diferença estatística entre os dois grupos com seguimento maior ou menor que 65 meses, quanto à freqüência ou intensidade do fenômeno álgico. Entretanto, ao serem avaliados apenas os valores percentuais, a freqüência de dor moderada no grupo de pacientes com mais de 65 meses de pós-operatório foi menor do que no outro grupo.
Kavolus et al concluíram que, após certo período de desconforto inicial, os resultados das avaliações mais tardias das artroplastias não cimentadas não se deterioraram quanto à pontuação do protocolo e análise de sobrevivência dos implantes (38) .
O fato de 96% dos pacientes classificarem a dor como ocasional ou ausente evidencia que, no intervalo entre 65 e 104 meses de seguimento, a opção de não substituir ou a patela não influenciou negativamente a pontuação dos casos que estudamos.
À revisão da literatura, as principais complicações relacionadas com as artroplastias não cimentadas e os dois tipos de implantes LCS ? utilizados nesta pesquisa, foram: luxação ou subluxação do polietileno (31,34,39,40), infecção (34,40-43), afrouxamento (31,41) , desgaste excessivo do polietileno (34) , quebra de polietileno (34) , complicações patelares (33,34), instabilidade ântero-posterior (40) e osteólise (31,37,41,43) .
Na nossa série, obtivemos um total de quatro casos com complicações. Entretanto, não foram encontradas quaisquer dessas relatadas acima, à exceção de um caso de luxação exposta dos componentes de polietileno de uma paciente que sofreu queda do leito no primeiro dia de pós-operatório, por agitação psicomotora.
Essa paciente evoluiu satisfatoriamente (82 pontos), após limpeza mecânico-cirúrgica e recolocação dos componentes de polietileno.
A ocorrência de um caso de instabilidade varo-valgo e um de trombose venosa profunda, certamente, não deve ser relacionada com o tipo de fixação ou dos implantes utilizados e, sim, a complicações de ordem local e geral, inerentes às artroplastias totais do joelho, sejam elas cimentadas ou não.
Keblish ressaltou que a preservação da patela é procedimento prático, econômico e que diminui o potencial de complicações patelares(30) .
Muller e Wirz realizaram 750 artroplastias do tipo LCS, sem que fosse necessário substituir a patela, e concluíram que não houve deteriorização dos resultados que pudesse ser atribuída ao comportamento patelar (44) .
Arnold et al avaliaram artroplastias LCS ? sem substituição da patela e concluíram, após de sete anos de seguimento, que artroplastias sem substituição patelar promovem excelentes resultados a longo prazo (45).
O fato de na nossa série encontrarmos um caso de dor patelofemoral, de caráter ocasional, em que não foi necessária cirurgia de revisão, está em acordo com as citações anteriores. Entretanto, Munzinger et al, em 235 artroplastias LCS ? com substituição patelar, obtiveram 3% de complicações patelares, que necessitaram cirurgia de revisão (46).
A avaliação de diferentes tipos de próteses não cimentadas tem sido considerada como satisfatória (13,24,25,47,48) .
Estudos têm demonstrado que os implantes não cimentados do tipo LCS ? alcançaram altas taxas de sobrevivência e resultados funcionais plenamente satisfatórios a médio e longo prazo (26,29,41,49-51) .
Os resultados das avaliações clínico-funcionais, obtidos no nosso estudo, pelo menos a médio prazo, estão em acordo com os diversos estudos citados, que avaliaram artroplastias do tipo LCS ? ou não, mas que têm como ponto comum ser implantes não cimentados.
CONCLUSÕES
1) Não encontramos diferenças estatisticamente significativas entre os resultados obtidos nas artroplastias com implantes do tipo meniscal bearing e platform .
2) Não foi observada diferença estatisticamente significativa na comparação entre os grupos de pacientes operados com idade maior e menor do que 65 anos e com seguimento maior ou menor do que 65 meses.
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