Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia, Rio de Janeiro, RJ, Brasil
Desde o fim da década de 1980 observa-se elevac¸ão de até 10% ao anononúmerode artroplastias de joelho feitas nos Estados Unidos.1 Entre 1990 e 2002, o número de cirurgias primárias por 100 mil habitantes naquele país triplicou. 1 A elevac¸ão da expectativa de vida e o maior número de cirurgias primárias feitas motivaram, consequentemente, maior quantidade de cirurgias de revisão.
Em 2002, mais de 350 mil próteses de joelho foram implan-tadas nos EUA. 2 No mesmo ano, o número de procedimentos de revisão aumentou em 7,5%. 2 Kurtz et al. 3 estimaram a elevac¸ão do número de cirurgias de revisões para 2030 em 600%.
Omanejo da perda óssea no cenário da artroplastia de revi-são do joelho representa enorme desafio. Odefeito ósseo pode ser resultado da doenc¸a inicial, do desenho da prótese primá-riausada, domecanismode falha, deerros técnicosna cirurgia primária ou da dificuldade na retirada de implantes fixos. 4,5
A correc¸ão da deficiência óssea torna-se necessária para
a obtenc¸ão de interface osso-implante estável, o que permite
correto alinhamento dos componentes, manutenc¸ão de ade-quada altura da interlinha articular e balanc¸o ligamentar. É,
portanto, determinante no resultado clínico.
4-6
Defeitos ósseos podem ser manejados por preenchimento commetilmetacrilato, enxertoósseoesponjosoautólogo, frag-mentos de enxerto estrutural autólogo, aumentos modulares metálicos ou componentes de polietileno mais espessos. Todavia, o correto tratamento de grandes defeitos perma-nece indefinido e podem ser usados enxertos estruturais homólogos, enxertos esponjosos impactados ou prótese não convencional. 7-10
Diversos estudos que usaram enxertos estruturais homó-logosnomanejodas falhas ósseas durante cirurgias de revisão demonstram índice de não união de até 4%, risco de infecc¸ão com variac¸ão de 4% a 8% e de falha entre 8% e 23%. 11-14 Desse modo, questiona-se a capacidade de enxertos estrutu-rais manterem func ¸ão de suporte de forma efetiva por longo prazo.
Aumentos de metal trabecular tântalo, em diversos forma-tos de cones, representam, atualmente, opc ¸ão ao manejo de falhas ósseas em revisões complexas de ATJ e são opc ¸ão ao uso de enxerto estrutural de Banco de Tecidos Musculoesque-léticos.
O objetivo deste estudo foi avaliar os resultados iniciais, com seguimento mínimo de dois anos, das revisões de artro-plastia total do joelho em que cones de metal trabecular tântalo foram usados para tratamento de grandes defeitos ósseos tibiais ou femorais.
Material e métodos
Foram incluídos no estudo pacientes submetidos à cirurgia de revisão de artroplastia total de joelho de julho de 2008 a dezembro 2010, nos quais foi necessário o uso de cones de metal trabecular para adequado tratamento dos defeitos ósseos.
As cirurgias foram feitas no Centro de Cirurgia do Joelho do Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (Into) e na clínica privada dos autores. Foram excluídos dessa série todos os pacientes submetidos à cirurgia de revisão de ATJ nos quais os defeitos ósseos encontrados foram tratados por outros métodos, como cunhas metálicas ou enxertos homó-logos, ou, ainda, aqueles em que os cones de tântalo foram empregados associados a enxerto estrutural.
Os pacientes foram acompanhados prospectivamente em avaliac¸ão clínica e radiográfica no período pós-operatório com 15 dias, um mês, três meses, seis meses, um ano e, após esse período, em consultas anuais.
Avaliac¸ão radiográfica foi feita pela comparac¸ão de radi-ografias em anteroposterior com carga e perfil do joelho no pós-operatório imediato e nas avaliac¸ões subsequentes. A existência de reac¸ão trabecular na interface metal trabecu-lar do osso hospedeiro, avaliada por radiografias sequenciais, configurada pela presenc¸a de esclerose óssea associada à ine-xistência de linhas de radioluscência, foi o critério para definir a ocorrência de osteointegrac¸ão dos cones de tântalo.
Foram usados, durante observac¸ão radiográfica, critérios do sistema de avaliac¸ão e escore da Knee Society 15 para determinac¸ão de solturas ou migrac¸ão de componentes pro-téticos ou de cones trabeculares.
O estudo foi submetido à avaliac¸ão e aprovac¸ão do Comitê de Ética em Pesquisa do Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia e feito pelo Centro de Cirurgia do Joelho desse Instituto.
Cones de metal trabecular tântalo
Metal trabecular tântalo (Trabecular Metal, Zimmer, War-saw, Indiana) representa um material biocompatível, que apresenta baixo módulo de elasticidade, alta porosidade e excelente potencial biológico de fixac¸ão. Tais característi-cas possibilitam distribuic¸ão uniforme de carga, o que, em tese, reduz a ocorrência do fenômeno conhecido comostress shielding. 16
Diversos trabalhos histológicos demonstram baixo poten-cial de aderência bacteriana e aumento da ativac¸ão leucocitá-ria quando comparados commateriais habitualmente usados em ortopedia. 17,18

Figura 1 - (A) Defeito tibial, (B) debridamento com broca tipo bur, (C) teste do cone de tântalo.
A capacidade de fixac¸ão biológica possibilita ao metal trabecular atuar como substrato para crescimento ósseo, com migrac¸ão de osteoblastos hospedeiros para as lacu-nas do metal e, consequentemente, reposic¸ão do estoque ósseo.
Em virtude dessas vantagens potenciais, é notório o interesse crescente no uso desse metal nas cirurgias de reconstruc ¸ão articular.
Os cones foramdesenvolvidos emdiversos tamanhos e for-matos, para possibilitar o preenchimento de grande variedade de defeitos femorais distais ou tibiais proximais, localizados no centro da metáfise ou associados à deficiência óssea cortical.
Esses cones devem ser impactados nos defeitos ósseos, possibilitar osteointegrac¸ão desses ao osso hospedeiro e per-mitir, concomitantemente, o uso de componentes protéticos de revisão com hastes intramedulares.
Técnica cirúrgica
O acesso cirúrgico foi feito conforme técnicas tradicionais comumente usadas na cirurgia de revisão.
Técnica padrão para retirada dos componentes protéticos ou de espac¸adores foi, inicialmente, empregada. Após debri-damento, os defeitos ósseos encontrados foram classificados com o uso do sistema Anderson Orthopaedics Research Ins-titute (Aori). 19 Abordou-se separadamente fêmur e tíbia, da seguinte forma: tipo 1 - apresenta osso metafisário íntegro com pequenos defeitos que não comprometem a estabilidade do implante de revisão; tipo 2 - perda de osso esponjoso em região metafisária, que pode ocorrer em um (A) ou nos dois (B) côndilos, femoral ou tibial; tipo 3 - osso metafisário deficiente, ocasionalmente associado a destacamento dos ligamentos colaterais.
A classificac¸ão da falha óssea, assim como a quantidade e a localizac¸ão de osso cortical e esponjoso remanescente, foi considerada na decisão para manejo do defeito ósseo com uso de cone de metal trabecular. Em todos os pacientes o defeito foi classificado como tipo 2 ou superior.
Foram empregados guias intramedulares tibial e femoral para obtenc¸ão de correto alinhamento dos componentes pro-téticos e feitura dos cortes ósseos, conforme técnica padrão. Balanc¸o ligamentar foi obtido conforme os conceitos em voga.
Os defeitos encontrados foram adequadamente pre-enchidos com testes de diversos formatos e tamanhos representativos dos cones de metal trabecular disponíveis. Proeminências ósseas que impossibilitavam a impacc¸ão ou manutenc¸ão dos cones trabeculares em posic¸ão estável foram debridados com o uso de broca tipo bur, com o objetivo de alcanc¸ar a maior estabilidade e o maior contato ósseo possível (figura 1A-C).
A rotac¸ão dos cones de tântalo foi determinada pela localizac ¸ão, pelo formato e pelo tamanho dos defeitos ósseos. A estabilidade rotacional do cone trabecular foi avaliada por manipulac¸ão do cirurgião após impacc¸ão desse implante.
A rotac¸ão dos componentes protéticos definitivos foi ori-entada pelos parâmetros da técnica padrão, e não pela localizac ¸ão e pela rotac¸ão dos cones trabeculares.
Áreas existentes entre a superfície externa do cone de tântalo e o osso hospedeiro foram enxertadas com osso autó-logo proveniente dos cortes feitos. A superfície interna dos cones trabeculares reconstituiu a região metafisária proxi-mal da tíbia ou distal do fêmur e atuou como superfície para cimentac¸ãodos componentes protéticos definitivos com ouso de hastes intramedulares (figura 2A-C).
No período pós-operatório imediato, o ganho de arco de movimento completo foi estimulado e a carga foi permitida conforme tolerado.
Resultados
Dados demográficos
Foramincluídos neste estudo 10 pacientes submetidos à cirur-gia de revisão de artroplastia total de joelho com uso de cone de metal trabecular tântalo. Três eram do sexo masculino e sete, do feminino. A média de idade foi de 71,1 anos, com variac¸ão entre 59 e 80. A cirurgia foi feita no lado direito em três vezes e do esquerdo em sete. Um paciente foi perdido do acompanhamento pós-operatório por morte não relacionada à cirurgia um ano após a revisão; em sua última avaliac¸ão de seguimento, não apresentava complicac¸ões e mantinha boa func ¸ão articular. O tempo médio de acompanhamento pós-operatório foi de 34,7 meses, com variac ¸ão de 26 a 45 meses.

Figura 2 - (A) Cone de tântalo em tíbia proximal com enxertia autóloga em superfície externa, (B) cimentac¸ão no interior, (C) com implantac¸ão do componente tibial.
três vezes e do esquerdo em sete. Um paciente foi perdido do acompanhamento pós-operatório por morte não relacionada à cirurgia um ano após a revisão; em sua última avaliac¸ão de seguimento, não apresentava complicac¸ões e mantinha boa func ¸ão articular. O tempo médio de acompanhamento pós--operatório foi de 34,7 meses, com variac ¸ão de 26 a 45 meses.
Em oito pacientes, o cone de metal trabecular foi usado na primeira revisão e as causas de falha foram: infecc¸ão em dois casos,maualinhamentoeafundamentoemvaroemdois, osteólise em dois, desgaste do polietileno em um e soltura asséptica em outro.
Em um paciente, o aumento de tântalo foi usado no segundo procedimento de revisão de ATJ. A artroplastia pri-mária falhou com afundamento do componente tibial em varo. Foi, nesse momento, feita revisão com uso de cunha de aumento metálico convencional. Após 10 dias, sofreu queda daprópriaaltura, evoluiucomexposic¸ãodaprótese, que resul-tou em infecc ¸ão tratada com revisão em dois tempos. Foi, então, usado cone de tântalo.
Em outro caso, o cone foi usado na terceira revisão. Não identificamos a causa das duas primeiras revisões. A terceira foi feita por mau alinhamento e instabilidade.
Dados cirúrgicos
No lado femoral, em três casos foram usados cones trabecula-res; o defeito ósseo foi classificado como F2B em dois casos e F3 em um. A causa de falha foi mau alinhamento em dois casos e osteólise em um. Em um caso, o implante de revi-são usado foi o TC III (Depuy Synthes®), que necessitou de haste femoral 18x175mm cimentada e de aumentos metáli-cos distais de 12mm e posteriores de 4mm. O cone trabecular usado nesse caso foi o médio, de 40mm de altura. Nos outros casos, o implante usado foi o Rotating Hinge Knee (Zimmer®) e foi implantada haste 10x145mm cimentada e 15x145mm. Em ambos os casos, usaram-se cunhas de aumento metálico distal de 10mm. Os cones trabeculares usados nesses casos foram de tamanho médio.
No lado tibial, em nove casos, foram usados cones tra-beculares de tântalo. Os defeitos encontrados foram assim classificados: T2A, T2B e T3, em três casos cada.
Em cinco pacientes foram usados implantes semiconstri-tos LCCK (Zimmer®), em dois, implantes semiconstritos TC III (Depuy Synthes®) e em mais dois, implantes constritos tipo dobradic¸a (Rotating Hinge Knee, Zimmer®).
Em todos os componentes tibiais foi usada haste intra-medular cimentada e não foram usadas cunhas metálicas de aumento. O cimento usado nas cirurgias de revisão, em todos os casos, foi o Simplex, com adic¸ão de 2g de vancomicina por dose de metilmetacrilato.
A espessura do polietileno variou de 10 a 22,5mm. Apatela foi revisada em seis casos e nos outros quatro foi mantido o implante patelar original.
Resultados clínicos e reoperac¸ões
Um paciente faleceuaos 12meses depós-operatóriode causas não relacionadas à cirurgia de revisão.
Ocorreu uma reoperac¸ão para drenagem de hematoma volumoso no primeiro mês de pós-operatório em um caso.
Um paciente apresentou recorrência da infecc¸ão após nova intervenc ¸ão cirúrgica para tratamento de lesão do mecanismo extensor ocorridadurantequedadaprópriaalturanoprimeiro mês após segunda revisão de ATJ. Esse paciente foi submetido à retirada dos componentes protéticos e à artrodese do joelho e obteve critérios de cura da infecc¸ão.
Dois pacientes apresentaram fratura periprotética no fêmur. Oprimeiro havia recebido cone de metal trabecular em defeito femoral e tibial e fora implantada prótese constrita do tipo dobradic ¸a ummês antes. Foi submetido à osteossíntese e à enxertia homóloga, evoluiu com soltura da síntese e houve necessidadedenovaabordagem cirúrgica. Evoluiu, então, com infecc ¸ão de difícil controle clínico associada à perda do meca-nismo extensor e necessitou-se amputar o membro.
O segundo havia sido submetido à revisão com uso de tântalo em defeito tibial 14 meses antes. Durante queda da própria altura, apresentou fratura periprotética femoral sem soltura dos componentes e sinais de osteointegrac¸ão do cone demetal trabecular. Foi submetidoàosteossíntese e à enxertia óssea homóloga de duas réguas femorais de Banco de Tecidos e evoluiu para consolidac¸ão.

Figura 3 - (A) Implante final com cone de tântalo, (B e C) Rx pós-operatório.
Dessa forma, sete pacientes apresentavam seguimento clí-nico mínimo de 24 meses. A flexão média foi de 95 ?, com variac¸ãode85 ? a 115 ? . Em seis casos, observava-se exten-são completa e em um paciente, déficit de extensão ativa de 10 ? .
Seis pacientes apresentavam estabilidade varo-valgo em extensão e estabilidade anteroposterior durante avaliac¸ão em 90 ? de flexão. Em um paciente, após 24 meses de evoluc¸ão de implante semiconstrito e cone de tântalo na tíbia, obser-vamos evoluc¸ão de insuficiência de estruturas mediais, o que acarretou instabilidade. Foi, portanto, indicada revisão para implante constrito.
Em um paciente observamos necrose de patela e subluxac¸ão. Contudo, evoluiu com limitac¸ão do fim de exten-são ativa, porém sem limitac¸ão para as atividades da vida diária. Os demais pacientes não apresentaram complicac¸ões patelofemorais. Cinco desses pacientes negam dor e todos deambulam sem necessidade de muletas.
Resultados radiográficos
A comparac¸ão de exames radiográficos sequenciais eviden-ciou reac¸ão óssea trabecular na interface osso hospedeiro--metal trabecular e inexistência de linhas de radioluscência entre cone e osso hospedeiro nesses sete pacientes, o que configurou sinais de osteointegrac¸ão do implante.
Em nenhum paciente observamos perda ou migrac¸ão do cone de metal trabecular ou de componentes protéticos. Não foram observados sinais de osteólise nos casos avaliados. Duranteacompanhamentoradiográficodenossaamostra, não identificamos, até o presente, linhas de radioluscência que configurassem soltura dos implantes (figura 3).
Discussão
O manejo do defeito ósseo durante a revisão de artroplas-tia total de joelho é determinante no resultado clínico final, haja vista que possibilita a obtenc¸ão de interface osso--implante estável e permite correto alinhamento do membro, manutenc¸ão de adequada altura da interlinha articular e balanc¸o ligamentar. A melhor técnica de tratamento de grandes defeitos ósseos permanece, até os dias atuais, não definida. 7-10
Estudos disponíveis que avaliam a seguranc¸a e a efeti-vidade do uso de enxertos homólogos estruturais de Banco de Tecidos Osteo-Muscular durante cirurgias de revisão apresentam limitado número de casos e carecem de acom-panhamento pós-operatório de longo prazo. 20-22
Hockmanet al.,20queavaliaram65 cirurgiasde revisãocom deficiência óssea e acompanhamento pós-operatório mínimo de cinco anos, concluíram que aumentos metálicos modula-res não são efetivos modos de tratamento de grandes falhas ósseas no cenário de revisão de ATJ. Contudo, nas revisões em que foram usados enxertos estruturais, a falha ocorreu em aproximadamente 20% dos casos.
Estudo feito por Engh e Ammeen 21 e que avaliou 35 cirur-gias de revisão de artroplastia, nas quais se apresentavam defeitos ósseos tipo II ou III Aori tratados com o uso de enxerto estrutural e com acompanhamento pós-operatório de 4,2anos, evidenciouresultadosbonsouexcelentesem87%dos casos. Clatworthy et al. 22 demonstraram 72% de bons resulta-dos em estudoqueusou66 enxertos estruturais para omanejo de 52 cirurgias de revisão de artroplastia de joelho e corrobo-raram esses dados.
Lonner et al. 23 relataram a revisão de ATJ em 17 casos, nos quais grandes defeitos ósseos não contidos foram mane-jados com o uso de enxerto ósseo impactado. Nesse estudo, nenhuma falha da enxertia foi relatada, embora o acompa-nhamento pós-operatório em 15 casos tenha sido menor do que 24 meses.
Modernamente, o uso de cones de metal trabecular tân-talo, emdiversos tamanhose formatos, representa importante opc¸ão para tratamento de grandes defeitos ósseos metafisá-rios em revisões complexas de artroplastia de joelho.
A técnica de implantac¸ão do cone de tântalo é relativa-mente simplificada quando comparada com o uso de enxerto estrutural e reduz, dessa forma, o tempo cirúrgico e, con-sequentemente, o risco de infecc¸ão. Outra vantagem é a eliminac¸ão do risco potencial de transmissão de doenc¸as con-tagiosas associadas ao transplante ósseo homólogo.
Diversas características do metal trabecular são favorá-veis a seu uso como biomaterial em cirurgias ortopédicas. Assim, destacam-se: o alto coeficiente de fricc¸ão, que possibi-litaaoconede tântaloapresentar ótimaestabilidademecânica inicial, mesmo com reduzida área de contato com o osso hos-pedeiro; obaixomódulodeelasticidadedometal, queé similar aodoossoesponjosoepossibilitamelhor distribuic¸ãodecarga e reduc¸ão do fenômeno de stress shielding; e a alta porosi-dade, que possibilita a superfície de migrac¸ão de células e osteointegrac¸ão quando em contato com osso hospedeiro e a interdigitac ¸ão do cimento quando em contato com os implan-tes e as hastes cimentadas.
Adificuldade de remoc¸ão de implantes de metal trabecular representa desvantagem teórica quando comparada com os outros métodos de manejo de falha óssea. Em nossa série, um paciente apresentou necessidade de retirada dos implantes e de cone de tântalo em tíbia por causa de infecc¸ão. Não identi-ficamos dificuldades adicionais, provavelmente por causa do curto tempo transcorrido após a cirurgia inicial.
Por representar opc¸ão moderna ao manejo das falhas ósseas, os trabalhos que avaliam a seguranc¸a e a efetividade dometal trabecularnãosãonumerosos eaamostragemé limi-tada, embora os resultados iniciais sejam satisfatórios. 24-27
Estudo feito por Meneghini et al. 24 que avaliou 15 cirur-gias de revisão com defeito tibiais superiores a T2B, com uso de cone metafisário trabecular na tíbia proximal e com acom-panhamento médio de 34 meses, não evidenciou soltura ou migrac¸ão dos cones ou componentes protéticos e notaram-se sinais radiológicos de osteointegrac¸ão em todos os casos.
Da mesma forma, Radnay e Scuderi,25 que avaliaram 10 pacientes com defeitos tibiais proximais manejados com cone metafisário tibial após 10 meses de acompanhamento pós-operatório, não notaram migrac¸ão ou soltura de implantes.
Howard et al.26 estudaram 24 cirurgias de revisão de artroplastia total de joelho com falha óssea no fêmur dis-tal tratados com o uso de cones metafisários femorais. Em acompanhamento pós-operatório de 33 meses, não evidenci-aram complicac¸ões associadas ao uso do cone de tântalo e todos com sinais radiográficos de osteointegrac ¸ão. Concluí-ram, portanto, que cones metafisários femorais são capazes de prover efetivo suporte estrutural aos implantes femorais de revisão.
Lachiewics et al. 27 relatam a implantac ¸ão de 33 cones de tântalo durante 27 cirurgias de revisão com seguimento mínimo de dois anos e verificaram soltura dos implantes e não osteointegrac¸ão de cone de tântalo femoral em um caso, que necessitou, portanto, de reabordagem cirúrgica.
Nossos dados apresentam-se em concordância com a lite-ratura. Emtodos ospacientes, observamos sinais radiográficos de osteointegrac¸ão e não notamos qualquer caso de migrac¸ão ou soltura de componentes. As complicac¸ões ocorridas, como infecc ¸ão e fraturas periprotéticas, não foram associadas ao uso do metal trabecular, mas sim à complexidade dos casos. Em nossa casuística, a maioria dos defeitos ocorreu no lado tibial. Entretanto, não verificamos diferenc ¸as na capacidade de o cone trabecular prover suporte ao implante protético, seja no lado femoral seja no tibial.
Conclusão
O uso de cones de metal trabecular tântalo para tratamento de defeitos ósseos tipo II ou III Aori, no cenário da artroplastia de revisão do joelho, é, em avaliac ¸ão de curto seguimento, capaz deprover suporte estrutural eficiente aos implantes protéticos de revisão.
Em avaliac¸ão de curto prazo, não verificamos solturas ou migrac¸ãodecomponentese identificamososteointegrac¸ãoem todos os casos. Contudo, estudos commaior número de casos e maior acompanhamento pós-operatório se fazem necessários.
Conflitos de interesse
Os autores declaram não haver conflitos de interesse.
1. Kurtz S, Mowat F, Ong K, Chan N, Lau E, Halpern M.
Prevalence of primary and revision total hip and knee
arthroplasty in the United States from 1990 through 2002. J
Bone Joint Surg Am. 2005;87(7):1487-97.
2. Mahomed NN, Barrett J, Katz JN, Baron JA, Wright J, Losina E.
Epidemiology of total knee replacement in the United States
Medicare population. J Bone Joint Surg Am. 2005;87(6):1222-8.
3. Kurtz S, Ong K, Lau E, Mowat F, Halpern M. Projections of
primary and revision hip and knee arthroplasty in the United
States from 2005 to 2030. J Bone Joint Surg Am.
2007;89(4):780-5.
4. Whittaker JP, Dharmarajan R, Toms AD. The management of
bone loss in revision total knee replacement. J Bone Joint Surg
Br. 2008;90(8):981-7.
5. Tsahakis PJ, Beaver WB, Brick GW. Technique and results of
allograft reconstruction in revision total knee arthroplasty.
Clin Orthop Relat Res. 1994;(303):86-94.
6. Bush JL, Wilson JB, Vail TP. Management of bone loss in
revision total knee arthroplasty. Clin Orthop Relat Res.
2006;452:186-92.
7. Bradley GW. Revision total knee arthroplasty by impaction
bone grafting. Clin Orthop Relat Res. 2000;(371):113-8.
8. Lotke PA, Carolan GF, Puri N. Impaction grafting for bone
defects in revision total knee arthroplasty. Clin Orthop Relat
Res. 2006;446:99-103.
9. Huff TW, Sculco TP. Management of bone loss in revision total
knee arthroplasty. J Arthroplasty. 2007;22 7 Suppl 3:32-6.
10. Backstein D, Safir O, Gross A. Management of bone loss:
structural grafts in revision total knee arthroplasty. Clin
Orthop Relat Res. 2006;446:104-12.
11. Bauman RD, Lewallen DG, Hanssen AD. Limitations of
structural allograft in revision total knee arthroplasty. Clin
Orthop Relat Res. 2009;467(3):818-24.
12. Mnaymneh W, Emerson RH, Borja F, Head WC, Malinin TI.
Massive allografts in salvage revisions of failed total knee
arthroplasties. Clin Orthop Relat Res. 1990;(260):144-53.
13. Ghazavi MT, Stockley I, Yee G, Davis A, Gross AE.
Reconstruction of massive bone defects with allograft in
revision total knee arthroplasty. J Bone Joint Surg Am.
1997;79(1):17-25.
14. Berrey BH Jr, Lord CF, Gebhardt MC, Mankin HJ. Fractures of
allografts, Frequency, treatment, and end-results. J Bone Joint
Surg Am. 1990;72(6):825-33.
15. Ewald FC. The Knee Society total knee arthroplasty
roentgenographic evaluation and scoring system. Clin Orthop
Relat Res. 1989;(248):9-12.
16. Long WJ, Scuderi GR. Porous tantalum cones for large
metaphyseal tibial defects in revision total knee arthroplasty:
a minimum 2-year follow-up. J Arthroplasty.
2009;24(7):1086-92.
17. Schildhauer TA, Robie B, Muhr G, Köller M. Bacterial
adherence to tantalum versus commonly used orthopedic
metallic implant materials. J Orthop Trauma.
2006;20(7):476-84.
18. Schildhauer TA, Peter E, Muhr G, Köller M. Activation of
human leukocytes on tantalum trabecular metal in
comparison to commonly used orthopedic metal implant
materials. J Biomed Mater Res A. 2009;88(2):332-41.
19. Engh GA, Parks NL. The use of a bone defect classification
system in revision total knee arthroplasty. Orthop Trans.
1995;18:1136-40.
20. Hockman DE, Ammeen D, Engh GA. Augments and allografts
in revision total knee arthroplasty: usage and outcome using
one modular revision prosthesis. J Arthroplasty. 2005;20(1):
35-41.
21. Engh GA, Ammeen DJ. Use of structural allograft in revision
total knee arthroplasty in knees with severe tibial bone loss.
J Bone Joint Surg Am. 2007;89(12):2640-7.
22. Clatworthy MG, Ballance J, Brick GW, Chandler HP,
Gross AE. The use of structural allograft for uncontained
defects in revision total knee arthroplasty. A minimum
five-year review. J Bone Joint Surg Am. 2001;83-A(3):
404-11.
23. Lonner JH, Lotke PA, Kim J, Nelson C. Impaction grafting and
wire mesh for uncontained defects in revision knee
arthroplasty. Clin Orthop Relat Res. 2002;(404):145-51.
24. Meneghini RM, Lewallen DG, Hanssen AD. Use of porous
tantalum metaphyseal cones for severe tibial bone loss
during revision total knee replacement. J Bone Joint Surg Am.
2008;90(1):78-84.
25. Radnay CS, Scuderi GR. Management of bone loss: augments,
cones, offset stems. Clin Orthop Relat Res. 2006;446:83-92.
26. Howard JL, Kudera J, Lewallen DG, Hanssen AD. Early results
of the use of tantalum femoral cones for revision total knee
arthroplasty. J Bone Joint Surg Am. 2011 2;93(5):478-84.
27. Lachiewicz PF, Bolognesi MP, Henderson RA, Soileau ES, Vail
TP. Can tantalum cones provide fixation in complex revision
knee arthroplasty? Clin Orthop Relat Res. 2012;470(1):199-204.