As fraturas diafisárias dos ossos do antebraço, quando tratadas por método conservador, têm tendência a desvios rotacionais e angulares devido à ação da musculatura flexora e pronossupinadora (1) , sendo, então, o tratamento cirúrgico o de escolha.
Com a formação do grupo AO (4) , em 1958, introduziu-se uma nova era no tratamento das fraturas, aprimorando princípios e desenvolvendo novos conceitos de fixação interna estável, sem que haja necessidade do uso de aparelho gessado, levando a uma boa recuperação e à integração mais precoce do paciente ao seu meio.
MATERIAL E MÉTODO
No período de 1982 a 1990, 70 pacientes com fratura dos ossos do antebraço foram tratados com placa e parafuso de acordo com os princípios da AO, sendo 56 do sexo masculino (80%) e 14 do feminino (20%). A idade variou de 16 a 72 anos, com média de 31,4 anos (tabela 1).
Quanto ao trauma que ocasionou a fratura nos 70 casos, tivemos: acidentes de trânsito, 24 (34,3%); trauma direto,22(31,4%); queda da própria altura, 21 (30,0%); e outros motivos, três (4,3%) (tabela 2).
Dos 70 pacientes, 39 tinham fraturas em ambos os ossos (55,7%), 12 tinham fratura apenas na ulna (17,1%) e 19, apenas no rádio (27,2%) (tabela 3).
Das fraturas, 59 eram oblíquas curtas (54,1%), 31 cominutivas (28,5%) e 19 transversas (17,4%) (tabela 4).
Dos setenta pacientes, dez (14,3%) tinham fraturas em outro segmento.
Tivemos dez fraturas expostas, das quais, de acordo com a classificação de Gustillo (2) , seis eram grau I (8,6%) e quatro, grau II (5,7%).
O tempo entre a fratura e a cirurgia teve média de 5,2 dias, sendo que a cirurgia mais recente foi realizada no mesmo dia do acidente e a mais tardia, realizada com 30 dias (tabela 5).
Nas cirurgias, a finalidade foi uma fixação, a mais rígida possível, com restauração anatômica dos ossos.
O material usado para a fixação foi placa reta de autocompressão em 83 fraturas (76,2%), placa um terço de cana cm 12 fraturas (11,0%), ambas de médio fragmento para uso com parafusos 3,5mm cortical, e placa meia cana em 14 fraturas (12,8%), para uso com parafusos corticais 4,5mm, seguindo a metodologia preconizada pelo grupo AO (4) (tabela 6).
Utilizamos enxerto do ilíaco nos casos de fraturas cominutivas em que havia falha óssea significativa, 18 fraturas. (16,5%).
RESULTADOS
Os resultados foram baseados no movimento de pronossupinação e na consolidação radiológica.
Os movimentos de pronossupinação foram considerados bons quando tinham amplitudes maiores que 150°, regulares com amplitude entre 120° e 150° e ruins com amplitude menor que 120° (tabela 7).
Dos 70 pacientes, tivemos os seguintes resultados funcionais: bons em 54 casos (77,2%), regulares em 11 casos (15,7%) e ruins em cinco casos (7,1%) (tabela 8).
Em relação à consolidação, usamos como critério a avaliação radiológica (sinais de consolidação primária ou formação de calo ósseo) e a volta do paciente às suas atividades habituais, sem dor.
O tempo médio de consolidação dos 70 casos foi de dez semanas. A exclusão de cinco casos que apresentaram complicações reduz a média para nove semanas. Obtivemos 100% de consolidação óssea no final do tratamento.
Em relação ao tipo de placa utilizada, o tempo médio de consolidação foi de nove semanas para placa reta DCP em 83 fraturas (76,2%), 12 semanas para placa 1/3 de cana em 14 fraturas (12,8%) e 11 semanas para placa meia cana em 12 fraturas (11,0%) (tabela 9).
O tempo entre o trauma e o ato cirúrgico teve a seguinte média de consolidação: nos operados acima de 5,2 dias - 23 pacientes (32,9%) -, foi de nove semanas e cinco dias e nos operados abaixo de 5,2 dias - 47 pacientes (67,1%) -, foi de nove semanas e três dias (tabela 10).
Foram retiradas as placas sem complicações em 42 casos (60,0%), sendo que o tempo médio de retirada foi de 64 semanas. Vinte e oito pacientes (40,0%) permanecem com o material de síntese, sem problémas
COMPLICAÇÕES
Três casos (4,3%) evoluíram para pseudartrose e foram tratados com enxerto e troca de síntese, com boa evolução.
Em um caso (1,4%), houve quebra da síntese, sendo feita troca e colocado enxerto, com posterior consolidação.
Em uma fratura exposta grau 11, houve infecção (1,4%) com soltura de placa. Foi tratada com retirada da síntese e colocação de fixador externo; houve consolidação.
DISCUSSÃO
Pelo tipo de tratamento proposto neste trabalho para as fraturas diafisárias dos ossos do antebraço, consideramos satisfatórios os resultados obtidos, estando estes próximos aos encontrados na literatura (3,5,6) .
O tempo médio de consolidação obtido por Tile (5) e de oito a doze semanas; tivemos dez semanas em nossos casos. Não notamos diferença significativa em relação ao tempo de consolidação, quanto aos pacientes operados nos primeiros seis dias em relação aos operados após esse tempo.
Quanto ao tipo de placa utilizada, a consolidação ocorreu mais cedo quando se utilizou a placa DCP de autocompressão para médio fragmento. As complicações foram maiores quando utilizados outros tipos de placas.
Tivemos apenas um caso de infecção em uma fratura exposta grau II, em que se optou pela síntese já como primeiro tratamento. Acreditamos ser este índice baixo devido ao seguimento rigoroso das normas de assepsia e anti-sepsis, em um tempo cirúrgico menor possível, com todo cuidado na manipulação da ferida cirúrgica.
A recuperação funcional com uma amplitude de pronossupinação de mais de 120° mostrou-se adequada para a prática das atividades ocupacionais, sem queixas por parte dos pacientes.
Procedemos à retirada da placa dos pacientes que por algum motivo queixavam-se de dor local, mas nunca antes de obtidos todos os dados sobre a certeza da consolidação.
CONCLUSÃO
As fraturas do terão médio do antebraço no adulto são eminentemente cirúrgicas e os resultados foram considerados por nós como sendo excelentes, quando utilizadas placas retas DCP de autocompressão de médio fragmento, seguindo-se os conceitos preconizados pelo grupo AO.
2. Gustillo, R.B.: Management of open fractures and their complications, Philadelphia, W .B. Saunders, 1982. Vol. 4.
3. Mesquita, K. C., Elias, N., Pequeno, M.O. & Filho, N. O. F.: Fraturas diafisárias dos ossos do antebraço: osteossíntese com placa e parafusos. Rev Bras Ortop 26:25-28, 1991.
4. Muller, M. E., Algower, M.. Willenegger, H.& Schneider, R.: Technique of internal fixation of fractures, New York, Springer, 1979.
5. Schatzker, T. & Tile, M.: Tratamiento quirúrgico de las fracturas, Buenos Aires, Panamericana, 1989.
6. Yoneda, T., Neto, J.S. H. & Filho, W. C. P.: Tratamento das fraturas diafisárias do antebraço com placas. Rev Bras Ortop 19:209-216, 1 9 8 4 . 73