INTRODUÇÃO

APRESENTAÇÃO DOS CASOS

Caso 1 - J.G., 27 anos, atleta profissional de futebol. começou a sentir dores no dorso do pé direito após a prática do esporte. Imobilizou por dez dias e fez três infiltrações, sem resultado; o arco de movimento do tornozelo era normal, radiografias em AP e oblíqua eram normais.

A RM do pé mostrou hipossinal difuso do osso navicular com linha de fratura em seu 1/3 médio em T1. Em T2, havia hiperssinal da face plantar do navicular traduzindo edema. Estes achados foram compatíveis com fratura por estresse do navicular.

Caso2 - J.G., 27 anos, irmão gêmeo do caso anterior, também atleta profissional de futebol, jogando de lateral direito; começou a sentir dores no dorso do pé esquerdo, após a prática esportiva, com piora progressiva. Foi submetido a três infiltrações com corticóide (dexametasona) sem resultado. Raio-X simples foi normal e a planigrafia sugestiva de aumento da densidade do navicular; "discreta esclerose", conforme laudo radio1ógico. A RM mostrou irregularidade, com achatamento da cortical que articula com o astrágalo e traço de fratura que se estende até a outra cortical.

DISCUSSÃO

Fraturas por estresse ocorrem com certa freqüência em ossos do pé em atletas, corredores, dançarinos e outros que participem de exercícios vigorosos.

A incidência de fraturas por estresse tem sido relatada tão baixa quanto 1,3% entre recrutas militares americanos ou tão alta quanto 31% entre recrutas militares israelenses (2) .

Os ossos mais comumente envolvidos incluem os metatarsianos, calcâneo, tíbia e fêmur. Significante número destas fraturas pode ser bilateral, dificultando mais o diagnóstico.

Fraturas por estresse podem deixar seqüelas, incluindo retarde de consolidação, pseudartrose, recorrência da fratura quando submetida aos mesmos esforços iniciais e dor contínua (nos casos de atletas profissionais, grande dificuldade de retomar às atividades).

As radiografias iniciais podem ser negativas em até 70% das fraturas por estresse e podem ficar negativas até um mês após início dos sintomas.

Diante de resultado radiográfico negativo e com a persistência dos sintomas, deve-se continuar a investigação. Podemos nos utilizar da cintilografia óssea, que tem sensibilidade muito maior, porém não é específica, podendo levar a um falso-positivo, como doenças inflamatórias ou neoplasias.

Em pacientes com suspeita de fratura por estresse, a RM pode nos ajudar bastante. Trata-se de método não invasivo, não utiliza radiação, podendo-se visibilizar as partes moles, ossos e cartilagem.

Em comparação com a cintilografia, a RM é capaz de definir a natureza da lesão e o traço da fratura. A sensibilidade do método, de acordo com Deutsch & col. (1) , foi de 100%. A aparência da fratura por estresse na RM é bem característica, com bandas intra-ósseas de baixo sinal que são contínuas com o córtex em T1.

Em T2, podem ser vistas áreas intramedulares e subperiostais de alto sinal, principalmente na seqüência ecogradiente.

CONCLUSÃO

Foram apresentados dois casos de gêmeos, atletas profissionais de futebol, que foram transferidos para atuarem no sul do país. Naquela região chove muito e os campos são mais "pesados", sendo comum o uso de chuteiras com travas e plataforma de alumínio, o que limita muito os movimentos do pé sendo seu único movimento, nas metatarsofalangianas, principalmente nos saltos para cabeceios. Isso talvez possa ter causado as fraturas por estresse apresentadas.

REFERÊNCIAS

1. Deutsch, A.L., Mink, J.H. & Maxman, A.D.: Magnetic resonance imaging of occult fractures of the proximal femur. Radiology 170: 113-116, 1989.

2. Milgrom, C., Giladi, M., Stein, M., Kashtan, H., Margulies, J.Y., Chisin, R., Steinberg, R. & Aaronson, Z.: Stress fractures in military recruits: a prospective study showing an unusually high incidence. J Bone Joint Surg [Br] 67:732-735, 1985.