INTRODUÇÃO

O sinoviossarcoma tem sido reconhecido como um sarcoma de partes moles de alto grau de malignidade, que apresenta alta taxa de recidiva e metástase. Em 1944, Haagensen e Stout relataram que a taxa de sobrevida em cinco anos era menor que 5%, num grupo de 104 pacientes. Em seguida, Pack e Ariel relataram taxa de sobrevida de 21% em cinco anos; e Cadman, taxa de 25% em cinco anos. Mais recentemente, alguns estudos revelaram aumento na taxa de sobrevida em cinco anos para 40% (Buck); 43% (Wright); 50% (Zito); 64% (Golouh); 59% (Brodsky), mas o sinoviossarcoma ainda representa uma proporção significante de doença letal para alguns pacientes(3).

O sinoviossarcoma acomete mais o adulto jovem, sendo o sítio mais comum próximo ao joelho. Ao contrário dos outros sarcomas de partes moles, tais lesões cursam com muita dor local. Esse tumor é composto por dois tipos morfológicos distintos, conforme sua celularidade: sinoviossarcoma monofásico, quando inclui células com padrão fusiforme sem a epitelial evidente e o tipo bifásico, que apresenta células com características epiteliais. As células fusiformes ficam coradas para queratina e antígeno de membrana epitelial e o S-100 pode ser positivo na imuno-histoquímica. Tem sido associado a maior taxa de sobrevida no tipo bifásico(1,2).

Há ampla evidência indicando a ocorrência de aberrações cromossômicas específicas, que são relatadas no desenvolvimento do processo tumoral. A anomalia cromossomal encontrada no sinoviossarcoma é: t(X;18) (p11;q11) com translocação(6).

Estudos radiológicos verificaram que calcificação com ou sem ossificação tem sido demonstrada em 30% dos pacientes. O sinoviossarcoma é um tumor pouco freqüente, sendo o terceiro tipo histológico mais comum entre os sarcomas de partes moles. Por ser um sarcoma que acomete regiões justarticulares, encontramos com freqüência próximo aos tendões, bursas e cápsulas(5). O tratamento recomendado para essa neoplasia inclui a ressecção de partes moles em monobloco, amputação para lesões de extremidade e excisão local com radioterapia complementar pré ou pós-operatória. O sucesso do tratamento dependerá do subtipo histológico, grau de diferenciação, ploidia do tumor, tamanho do tumor, localização, idade do paciente e o PS (performance status). A necrose tumoral extensa é um forte indicativo de prognóstico sombrio para sarcomas de partes moles em geral.

MATERIAL E MÉTODOS

Foram revisados 21 casos de sinoviossarcoma no Instituto Nacional de Câncer, compreendidos entre 1986 e 1997, classificados de acordo com o subtipo histológico: monofásico e bifásico, faixa etária, tempo médio de implante, sítios de metástases e sobrevida.

A localização mais comum ocorreu nos membros inferiores (80,9%), sendo nove na coxa (42,8%), seis na perna (28,6%), um no joelho (4,7%) e um caso no pé (4,7%); quatro nos membros superiores (19,0%), sendo um no braço (4,7%) e três no antebraço (14,3%) (gráfico 1).

A idade média foi de 30,6 anos, variando do mais jovem, com 13 anos, ao mais idoso, com 60 anos (gráfico 2). Morfologicamente, foi encontrada a prevalência para o subtipo bifásico, quatro casos em membros superiores e 11 em membros inferiores e seis casos para o monofásico, todos no membro inferior.

O tempo médio de aparecimento de lesão metastática foi em torno de um mês, variando de 0 a 55 meses, dentre os quais nove foram bifásicos e seis monofásicos. O local que apresentou maior freqüência de metástase foi o pulmão, com dez casos, correspondendo a 66,6%, três casos de recidiva locorregional (20%) e um axilar (6,6%). Há seis pacientes livres de doença até o momento.

O tempo de sobrevida foi avaliado desde a matrícula até a data atual ou até o óbito, de acordo com cada caso; o valor mediano corresponde a 66 meses, ou seja, varia de 6 a 140 meses.

DISCUSSÃO

Durante o estudo retrospectivo dos 21 casos de 1986 a 1997, dois pacientes foram a óbito, com uma taxa de mortalidade de 9,5%; portanto, houve 90,5% de sobreviventes, apresentando maior incidência de localização na coxa.

Obtivemos maior sobrevida após tratamento das lesões com 5cm ou mais, através de radioterapia prévia, sem quimioterapia e cirurgia oncologicamente adequada, nos pacientes em que foi possível preservar o membro, e amputação nos tu-mores que envolviam o feixe vasculonervoso.

A radioterapia pré-operatória pode tornar lesões tumorais inoperáveis em neoplasias passíveis de ressecção, sem alteração do prognóstico da doença, oferecendo melhor qualidade de vida a esses pacientes.


CONCLUSÃO

O sinoviossarcoma maior que 5cm é tratado no INCA com radioterapia e cirurgia. O tempo de sobrevida desses pacientes ultrapassou 90,4% em cinco anos, discordando das estatísticas históricas, que não passam de 64%(4).

REFERÊNCIAS

1. Golouh, R., Vuzevski, V., Bracko, M. et al: Synovial sarcoma: a clinicopathological study of 36 cases. J Surg Oncol 45: 20-28, 1990.

2. Majeste, R.M. & Beckman, E.N.: Synovial sarcoma with an overwhelming epitelial component. Cancer 6l: 2527-2531, 1988.

3. Mullen, J.R. & Zagars, G.K.: Synovial sarcoma outcome following conservation surgery and radiotherapy. Radiother Oncol 33: 23-30, 1994.

4. Rooser, B., Willen, H., Hugoson, A. & Rydholm, A.: Prognostic factors in synovial sarcoma. Cancer 63: 2182-2185, 1989.

5. Singer, S., Baldini, E.H., Demetri, G.D. et al: Synovial sarcoma: prognostic significance of tumor size, margin of resection, and mitotic activity for survival. J Clin Oncol 14: 1201-1208, 1996.

6. Sinke, R.J., Leeuw, B., Janssen, H.A.P. et al: Localization of X chromosome short arm markers relative to synovial sarcoma. Hum Genet 92: 305-308, 1993.