O cisto ósseo aneurismático foi assim denominado pela primeira vez em 1942 por Jaffe e Lichtenstein(3-5,7), que reconheceram e descreveram essa lesão como uma entidade clínico-patológica distinta. É lesão óssea pouco comum, constituindo cerca de 1,4% de todos os tumores ósseos primários(6). Lesão vascular tumoral benigna, agressiva localmente e ocorrendo em crianças, adolescentes e adultos jovens(6), predominante em ossos longos e vértebras(1). Na literatura consultada, não se encontrou referência dessa lesão em cos-tela.
O tratamento, sempre que possível, deve ser a ressecção do segmento comprometido. Curetagem simples ou com posterior preenchimento com enxerto ósseo quase sempre resulta em recidiva(2). Embolização arterial e radioterapia serão reservadas aos casos inacessíveis à cirurgia. A radioterapia pode trazer complicações, como danos neurológicos ou degeneração sarcomatosa(5).
O objetivo do presente trabalho é apresentar um cisto ósseo aneurismático de rara localização e de evolução peculiar.

RELATO DO CASO
Menor A.B.N.F., sexo masculino, oito anos de idade, apresentava dor torácica esporádica e, ao exame físico, foi observada tumoração com cerca de 8 x 10cm na face anterior do hemitórax direito. O estudo radiológico e a tomografia computadorizada evidenciaram lesão insuflada no 4º arco costal direito (figs. 1 e 2).
O paciente procurou primeiramente outro serviço, onde foi curetado. Tendo a lesão recidivado, o paciente foi encaminhado ao nosso serviço.
Em nosso serviço, foi realizada biópsia por agulha, tendo sido diagnosticado cisto ósseo aneurismático. Foram, então, ressecados aproximadamente 10cm do arco costal (fig. 3).
O exame histopatológico da peça operatória confirmou o diagnóstico de cisto ósseo aneurismático com margens de ressecção livres. Decorrido um ano após a ressecção da lesão, o paciente está assintomático.
DISCUSSÃO
Embora o cisto ósseo aneurismático seja benigno, por suas características - origem vascular, ocorrência em pessoas jovens, grande tendência a recidivar quando tratado por curetagem simples ou seguida de enxertia óssea, ser uma lesão dolorosa, favorecer fraturas patológicas com todas as suas complicações - deve ser tratado cirurgicamente, preferivelmente ressecando-se a lesão com margem de segurança.
Fernandes, C.D., Figueiredo, A.J.A., Murta, E.F.C. & Barros, J.W.: Cisto ósseo aneurismático no sacro. Rev Bras Ortop 31: 181-183, 1996.
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