Universidade de Santo Amaro, São Paulo, SP, Brasil
Homem de 32 anos de idade, médico, com queixa de dor na região ântero-medial do joelho direito em conseqüência de trauma indireto durante corrida, atividade esta realizada regularmente nos últimos dois anos, quatro vezes por semana, além de outras atividades físicas como musculação e mergulho.
Por conta própria, o paciente passou a fazer uso de antiinflamatório não hormonal, durante sete dias. Como não melhorou, procurou ortopedista, que solicitou radiografia simples do joelho, que se mostrou normal (fig. 1), diagnosticando provável lesão do ligamento colateral medial. Foi prescrito o uso de aparelho tipo brace para o joelho direito, que bloqueava os movimentos de lateralidade, permitindo a flexo-extensão e sendo autorizada a deambulação. Uma semana após a consulta médica, como a dor não melhorou, o paciente realizou exame de ressonância magnética (fig. 2), que evidenciou fratura metafisária impactada na face medial da tíbia.


Foi orientado a continuar com o uso do brace por mais quatro semanas. Durante este período a dor regrediu progressivamente.
Decorridos seis meses da fratura, o paciente está realizando todas as atividades físicas que exercia anteriormente, sem qualquer dor ou limitação.
DISCUSSÃO
A fratura de estresse é comum em atletas e militares, podendo também ocorrer em crianças. A patogênese é multifatorial e normalmente envolve mecanismos traumáticos repetitivos submáximos. A apresentação clássica é de dor de caráter insidioso, após aumento no tempo ou na intensidade da prática do exercício.
Na grande maioria das vezes, o exame radiográfico, na fase inicial, é normal, pois a alteração óssea surge entre a segunda e terceira semanas após a fratura, sendo necessário exame mais sofisticado por imagem, para confirmação do diagnóstico(1,2). Este fato é muito importante, pois, do ponto de vista médico legal, pode acarretar problemas jurídicos, pela falta da confirmação inicial do diagnóstico. Os exames existentes, quando o radiográfico for normal, são basicamente: a cintilografia óssea e a ressonância mag-nética(1,2). A cintilografia é outra opção diagnostica, na ausência de ressonância(1,2). Na ressonância a forma puramente medular é chamada de contusão óssea, com hemorragia e edema, que se manifestam como áreas de limite maldefinidos, com sinal baixo em T1 e alto em T2, especialmente quando se usa a técnica de supressão de gordura, enquanto na cortical aparece um traço de sinal reduzido em todas as seqüências de pulso e vem sempre acompanhada de contusão óssea na medular circunjacente(3).
Deve-se estar atento quando um paciente apresentar qua-dro clínico de dor persistente, particularmente nas regiões metafisárias dos ossos do membro inferior, relacionada com atividade física e cujo exame radiográfico inicial é normal, tendo sempre em mente a possibilidade da existência de uma fratura de estresse.
Boden B.P., Osbahr D.C.: High risk stress fractures: evaluation and treatment. J Am Acad Orthop Surg 8: 344-353, 2000.
Arendt E.A.A., Griffiths H.J.: The use of MRI in the assessment and clinical management of stress reactions of bone in high performance athletes. Clin Sports Med 16: 291-306, 1997.
Vellet D.: Magnetic resonance imaging of bone marrow and osteochondral injury. Magn Reson Imaging Clin N Am 3: 413-423, 1994.