INTRODUÇÃO

O tumor de células gigantes é um tumor ósseo de malignidade intermediária, com potencial invasivo local considerável (8). Cerca de 10% destes tumores acometem a extremidade distal do rádio(2) na faixa etária entre 20 e 40 anos de idade, com discreta predominância do sexo feminino. Metástases ocorrem em cerca de 1% dos casos, principalmente para o pulmão (10).

0s métodos de tratamento mais utilizados para o tumor de células gigantes do radio distal são: curetagem associada ou não a enxerto ósseo (1,2,12) e ressecção segmentar com reconstrução, usando-se a fíbula proximal com ou sem anastomose microvascular, ou segmento ósseo de tíbia proximal (1,3,7,8,11) .

Em 1982, Seradge (10) relatou a translocação da ulna como opção de reconstrução do radio distal após ressecção segmentar por tumor de células gigantes. O objetivo deste trabalho é relatar um caso de tumor de células gigantes do rádio distal tratado pela técnica de Seradge que recidivou para as partes moles, sete anos após a cirurgia.

RELATO DO CASO

Em novembro de 1985, R.E.D.R., masculino, 21 anos, compareceu ao ambulatório de ortopedia queixan-do-se de dor e aumento de volume do terço distal do antebraço direito. O exame radiográfico mostrou lesão com as características próprias de um tumor de células gigantes (fig. 1). Em 11 de novembro de 1985, o paciente foi submetido à ressecção segmentar do terço distal do rádio direito, com reconstrução pela técnica de translocação da ulna (fig. 2). O exame anatomopatológico confirmou tratar-se de tumor de células gigantes (fig. 3).

Aos quatro meses de pós-operatório, não havia consolidação no foco proximal da translocação da ulna e o paciente foi então submetido a osteossíntese com placa e enxerto ósseo autógeno.

Em que pese ter havido angulação no local da osteossíntese, a consolidação ocorreu e, aos três meses de pós-operatório, o paciente apresentava boa função da mão, sem sinais de recidiva. Em janeiro de 1993, portanto sete anos e dois meses após a primeira cirurgia, o paciente retornou à consulta, porque nos últimos três meses notou o aparecimento de massa tumoral no terço distal do antebraço direito. O exame físico mostrou massa tumoral na região distal volar do antebraço direito próxima à articulação do punho. O exame radiográfico revelou massa tumoral nas partes moles, com área de calcificação no seu interior, sem comprometer o esqueleto (figs. 4 e 5). Em 12 de janeiro de 1993, foi submetido à ressecção cirúrgica da massa tumoral e durante a dissecção houve necessidade de ressecar os tendões dos músculos abdutor longo e extensor curto do polegar, bem como do ramo sensitivo do nervo radial.

O exame anatomopatológico mostrou tratar-se de tumor de células gigantes recidivado nas partes moles.

Havia também êmbolos tumorais em vasos venosos (fig. 6).

O pós-operatório foi sem ocorrência e até a última revisão, em julho de 1993, não havia sinais de recidiva local e o exame radiográfico do tórax era normal.

DISCUSSÃO

A incidência de recidiva do tumor de células gigantes está relacionada com o tipo de tratamento realizado, sendo maior nos casos tratados com curetagem associada ou não a enxertia óssea(1,2,9). Quando o tratamento é por ressecção segmentar, o índice de recidiva é significativamente menor(1,5,13) .

Goldenberg & co1.(2), em sua extensa revisão do tema, destacaram que 97% das recidivas ocorrem dentro dos dois primeiros anos após o tratamento.

Em nosso paciente, a recidiva ocorreu após sete anos do tratamento inicial, período de tempo este maior do que o relatado por Sung(12)para quatro recidivas após cinco anos de tratamento. Larson(4) relaciona a maior ocorrência de recidiva com a presença da invasão de partes moles quando do diagnóstico. Goldenberg & col. (2) relataram dois casos de tumor de células gigantes recidivados em que houve extensão da lesão para as partes moles, sempre acompanhada de lesão óssea. Em nos-so paciente, a recidiva ocorreu exclusivamente para as partes moles; não encontramos na literatura consultada relato de ocorrência similar. A presença de êmbolos tumorais em vasos venosos, detectada no exame anatomopatológico do caso aqui relatado, é preocupante, mas não sugere transformação em fibrossarcoma, relatada por McGrath(5), em recidivas após cinco anos.

Até a última revisão, o paciente encontrava-se livre da doença.

REFERÊNCIAS

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Larson, S.E., Lorentson, R. & Boqvist, L.: Giant-cell tumor of bone. A demographic, clinical and histopatological study of all cases in the Swedish Cancer Registry for the years 1958 through 1968. J Bone Joint Surg [Am] 57: 167-173, 1975. 

McGrath, P.J.: Giant-cell tumor of bone. An analysis of fifty-two cases. J Bone Joint Surg [Br] 54:216-229, 1972.

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Smith, R.J. & Mankin, H.J.: Allograft replacement of distal radius for giant-cell tumor. J Hand Surg 2:299-309, 1977.

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Vistnes, M.L. & Vermuelen, J.W.: The natural history of a giant-cell tumor. Case report. J Bone Joint Surg [Am] 57: 865-867, 1975.