O adenoma pleomórfico de parótida (APP) é o tumor benigno mais comum das glândulas salivares e deve seu nome a sua variedade histopatológica (1,3,5) . As células tumorais são do tipo epitelial e mioepitelial e estas últimas responsáveis diretas pela origem do tumor (4) . O componente conjuntivo é predominantemente constituído por substância intercelular, muito embora se observe formação de cartilagem e até mesmo osso (1,5) .
A incidência é mais elevada no sexo feminino e a média de idade oscila entre 40 e 50 anos. Segundo alguns autores (1,5) , esse tumor pode sofrer transformações carcinomatosas em 5% dos casos, por focos latentes in situ ou devido a adenoma inadequadamente removido.
A malignização pode levar a um crescimento rápido da glândula, com comprometimento do nervo facial (l,3,5) , quando se trata de glândula parótida. Algumas poucas vezes pode ocorrer comprometimento de linfonodos regionais e raramente metástases à distância por via hematogênica (1,3) , sendo relatadas metástases para pulmão (6) e rim (2) .
RELATO DO CASO
E.M., sexo feminino, nascimento em 26.8.22, 71 anos de idade, branca, natural do Rio de Janeiro, RJ, doméstica, residente no Rio de Janeiro.
Há aproximadamente seis anos, deu entrada no serviço de emergência, queixando-se de dor, edema, impotência funcional em região do quadril esquerdo. Ao exame físico, apresentava encurtamento e rotação externa no membro inferior esquerdo.
Realizados exames radiográficos, foi observada solução de continuidade no colo femoral esquerdo, acompanhada de lesões líticas, com aspecto lobulado, fino halo de esclerose, compatível com fratura patológica de colo femoral esquerdo.
A paciente foi submetida a artroplastia parcial, tipo Thompson, sendo feito exame histopatológico da cabeça femoral no laboratório Claudio Lemos Anatomia Patológica - CLAP, onde foi diagnosticada metástase de adenoma pleomórfico de parótida. Foram realizados exames complementares para rastreamento de outras metástases. Na radiografia do esqueleto, não foi encontrada outra lesão óssea; a cintilografia apresentou hipercaptação apenas no terço proximal do fêmur esquerdo. Devido à sintomatologia de dor epigástrica, foi realizada endoscopia digestiva, sendo observado pólipo sessil e úlcera gástrica, seguida de biópsia das lesões do trato digestivo, que apresentaram laudo de lesão inflamatória sem células neoplásticas.
Há aproximadamente seis meses, apresentou sinais radiológicos de lesão lítica em terço médio do fêmur esquerdo, abaixo da extremidade distal da prótese de Thompson (fig. 1). Evoluiu com fratura patológica nesta região, sendo submetida a ressecção do terço proximal do fêmur e da prótese de Thompson e colocação de prótese não convencional. A peça cirúrgica foi enviada para exame histopatológico no laboratório CLAP, com laudo de metástase de adenoma pleomórfico de parótida (fig. 2).
Na história patológica pregressa, a paciente relata ressecção cirúrgica de tumor em hemiface direita aos 18 anos de idade, com diagnóstico de cisto sebáceo. Há aproximadamente nove anos foi submetida a biópsia excisional de tumor de glândula parótida direita, com laudo de adenoma pleomórfico de parótida. Lâmina revista pelo CLAP, com confirmação do laudo histopatológico.
CONCLUSÃO
A metástase de adenoma pleomórfico de parótida é fato raro, chegando a ser discutível, pois fere a própria definição de adenoma (4) .
Na revisão da literatura, encontramos um caso de metástase renal de adenoma pleomórfico de parótida (2) e um caso de metástase pulmonar de adenoma pleomórfico de glândula salivar (6) .
No nosso entender, o relato deste caso e sua publicação justificou-se pelo fato de não haver na literatura que versa sobre o assunto qualquer referência a metástase de adenoma pleomórfico de parótida para o osso.
2. Cherian, T., Sebastian, P., Abraham, E.K., Ahmed, I.M., Jayakumar, K.L. & Sivaramakeishnan, D.: Unusual multiple metastases from malignant pleomorphic adenoma of the parotid gland. J Laryngol Otol 106: 652-
3. Coutinho, A.L.M.: Tratamento cirúrgico dos turmores de parótida. Rev Bras
4. Oliveira, C.A.B. & Madureira, N.F.: Tumores mistos de glândulas saliva-
5. Robbins, Cotran & Kumar: Patologia estrutural e funcional. 4ª ed., Rio
6. Siw, D.W., Maran, A.G. & Harris, D.: Metastatic salivary pleomorphic 655, 1992. Cir 39: 77-128, 1960. res. Folha Med 66: 773-783, 1973. de Janeiro, Guanabara Koogan. 1991. p. 674-676. adenoma. J Laryngol Otol 104: 45-47, 1990.