a Departamento de Ortopedia, Santa Casa de São Paulo, São Paulo, SP, Brasil
b Serviço de Ortopedia e Traumatologia, Hospital Israelita Albert Einstein, Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), São Paulo, SP,Brasil
c Instituto de Ortopedia, Hospital das Clínicas, Faculdade de Medicina, Universidade de São Paulo (USP), São Paulo, SP, Brasil
d Escola Paulista de Medicina, Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), São Paulo, SP, Brasil


Introdução

O cisto ósseo aneurismático (COA) foi descrito primeiramenteem 1942 por Jaffe e Lichtenstein.1Representa 1% a 2% detodos os tumores ósseos primários e acomete a região meta-fisária de ossos longos de crianças, adolescentes e adultos jovens.

A lesão típica desenvolve-se dentro do osso.4Cistos loca-lizados na cortical óssea são raros e representam 7-9,3% detodos os COAs.

Poucos são os casos na literatura e a conduta é indivi-dualizada e de acordo com a experiência de cada serviço.Apresentamos um caso de cisto ósseo aneurismático parostealtratado conforme nossa experiência.

Relato de caso

Paciente masculino, 38 anos, pardo, com queixa de dor e abau-lamento em braço direito - de caráter progressivo - havia pelomenos oito meses. Negava trauma ou cirurgia prévia.

O paciente, atendido anteriormente em outro serviço, fezbiópsia, na qual o diagnóstico histopatológico foi compatívelcom tumor de células gigantes. Ao chegar a nosso serviço,pelas características clínicas e radiológicas (figs. 1-4), foi soli-citada revisão das lâminas.

A revisão de lâmina evidenciou: lesão constituídapor membranas de cisto que, por vezes, mostraramseptações completas e constituídas por células fusiformes e gigantes multinucleadas. Notaram-se ainda trabéculasósseas dissociadas por tecido conjuntivo fibroso, assimcomo trabéculas ósseas neoformadas com padrão reativo,que levaram ao diagnóstico de cisto ósseo aneurismáticoparosteal.

Foi indicada, após decisão do grupo, infiltração intralesi-onal com calcitonina e corticoesteroide. Na quinta semanapós-operatória, a lesão já se mostra em processo de ossificação(fig. 5).

Discussão

O cisto ósseo aneurismático - descrito primeiramente em1942 por Jaffe e Lichtenstein - é caracterizado, segundo aOrganização Mundial da Saúde, como lesão óssea císticabenigna composta por lacunas ósseas repletas de san-gue separadas por septos de tecido conectivo que contêmfibroblastos, células gigantes osteoclásticas e tecido ósseoreativo.

O COA representa 1% a 2% de todos os tumores ósseosprimários e tem uma incidência de 0,14 a cada 100 milindivíduos.8As lesões acometem a região metafisária de ossoslongos de crianças, adolescentes e adultos jovens.

A lesão desenvolve-se geralmente dentro do osso e causaafilamento cortical e eventualmente protrusão óssea.4Cistoslocalizados na cortical óssea são raros e eram previamentedenominadas de tumor de células gigantes subperiosteais ouosteoclasia subperiosteal.4Lichtenstein,9em 1950, publicouartigo que elucidou e diferenciou o cisto ósseo aneurismático

lesão única, excêntrica, insuflativa, que atinge o periós-teo e tem margens bem definidas.2,3Reação periostealem casca de cebola e triângulo de Codman podem estarassociados.

A tomografia auxilia no diagnóstico diferencial da lesão.Mostra uma densidade líquida e pode evidenciar nitidamenteos níveis líquidos.2,6A cintilografia demonstra um aumentona captação na periferia da lesão.2Na ressonância magné-tica a lesão é bem definida, com contornos lobulados e níveislíquidos.

A histologia do COA caracteriza-se por lacunas reple-tas de sangue. Essas lacunas são recobertas com umacamada simples de células indiferenciadas. O tecido sólidoperilesional compõe-se de fibrose ricamente vascularizada.2A diferenciação diagnóstica entre o tumor de células gigan-tes e o osteossarcomatelengiectásico torna-se complexa emrelação ao aspecto anatomopatológico.

O tratamento, por representar lesão agressiva, é acuretagem, seguida ou não de adjuvantes, como enxer-tia óssea, aspirado de medula óssea, crioterapia, cimentoósseo, argônio, fenol e calcitonina com corticosteroideintralesional.7,10Em nosso serviço, o corticosteroide associ-ado à calcitonina intralesional é o método de escolha notratamento desse padrão de lesão. Foram descritos casosde resolução das lesões após episódio de fratura, após abiópsia ou mesmo espontaneamente.7,8A recorrência dalesão está associada a pacientes jovens, cisto ósseo aneu-rismático prévio, localização periarticular ou justafisária,número reduzido de mitoses e presença de outras fisesabertas.

Apresentamos um caso raro de cisto ósseo aneurismáticoparosteal no qual os achados clínicos, radiológicos e anato-mopatológicos, bem como uma equipe multidisciplinar, sefizeram imperativos para a completa elucidação diagnóstica.

Conflitos de interesse

Os autores declaram não haver conflitos de interesse.

REFERÊNCIAS

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