Exames complementares têm sido desenvolvidos para auxiliar o diagnóstico das lesões intra-articulares do joelho(13,18).
A artrografia foi um avanço no diagnóstico das lesões meniscais, ligamentares e císticas(5,9,16). Entretanto, é um método invasivo, com eficácia duvidosa e com risco de complicações, como infecção e alergia ao contraste(9).
Exames altamente sofisticados, como a tomografia computadorizada(18) e a ressonância nuclear magnética(4,13), não invasivos, com acuidade aproximadamente de 90% para lesão meniscal(13,18) e eficazes para outras lesões intra-articula-res do joelho, têm como inconveniente seu alto custo.
A artroscopia, usada no início como método diagnóstico e nos dias atuais como terapêutico, modificou substancialmente a cirurgia do joelho, possibilitando a realização de procedimentos complexos com o mínimo de morbidade(1,3,10).
A ultra-sonografia é um exame pouco utilizado para diagnóstico das lesões intra-articulares do joelho(2,6,7,14,15,17).
O objetivo deste trabalho foi avaliar em 80 pacientes a confiabilidade da ultra-sonografia frente aos achados da artroscopia do joelho.
MATERIAL E MÉTODOS
Para investigar lesão meniscal foram realizados 81 exames ultra-sonográficos de joelho, em 80 pacientes, no Hos-pital-Escola da Faculdade de Medicina do Triângulo Mineiro. O aparelho usado foi Shimadzu SDU-500, com transdutor de 7,5MHz em 54 pacientes e transdutor de 10,0MHz em 26.
Dos 80 pacientes, 64 (80%) eram do sexo masculino e 16 (20%) do feminino. A idade variou entre 16 e 73 anos, com média de 36 anos. O joelho direito foi avaliado em 48 (60%) dos pacientes e o esquerdo em 31 (38,7%); um (1,3%) paciente teve os dois joelhos acometidos.
Os procedimentos artroscópicos foram realizados por um único ortopedista, que utilizou aparelho com sistema de videocâmera e lente angular de 30º. Os pacientes foram submetidos a anestesia peridural. A artroscopia foi realizada após garroteamento do membro com a técnica de triangulação para acesso à cavidade articular. Como esse exame pode ser considerado diagnóstico de certeza, foi utilizado para avaliar a eficácia da ultra-sonografia.

Para realização do trabalho, a especificidade corresponde à capacidade da ultra-sonografia de diagnosticar corretamente uma estrutura normal na artroscopia; o valor preditivo positivo (VPP) demonstra a probabilidade de a lesão estar pre-sente à artroscopia quando é diagnosticada pela ultra-sono-grafia; o valor preditivo negativo (VPN) mostra a probabilidade de não encontrar lesão durante a artroscopia quando a ultra-sonografia é normal; e a acurácia demonstra a capacidade da ultra-sonografia de diagnosticar com exatidão tanto os casos normais quanto patológicos.
RESULTADOS
A lesão meniscal foi diagnosticada em 63 joelhos, sendo 26 (41,3%) no menisco medial, 30 (47,6%) no lateral e 7 (11,1%) lesões em ambos (figuras 1 e 2).
Os resultados obtidos para o menisco medial encontramse na tabela 1 e para o menisco lateral, na tabela 2; o estudo comparativo, na tabela 3.
A acurácia da ultra-sonografia foi de 65,4% para o menisco medial, com 6,2% de falsos-negativos e 28,4% de falsospositivos. Para o menisco lateral, houve 69,1% de acurácia, com 18,6% de falsos-negativos e 12,3% de falsos-positivos.
Para o diagnóstico de lesão no menisco medial, observouse sensibilidade de 85,3% e especificidade de 51,1%, enquanto para o menisco lateral, respectivamente, foi de 58,3% e 77,8%.

A probabilidade de a ultra-sonografia mostrar a lesão quando ela está presente (VPP) foi de 55,8% para o menisco medial e de 67,7% para o lateral. A possibilidade de não haver lesão quando a ultra-sonografia apresentou-se normal (VPN) foi de 82,7% para o menisco medial e de 70% para o lateral.


DISCUSSÃO
A lesão de menisco do joelho ocorre, com freqüência, nos esportes e nas atividades habituais. As principais causas são entorses, instabilidade rotacional, hiperflexão do joelho ou degeneração(17). O menisco medial, quando comparado com o lateral, é mais propenso a traumatismo devido a sua maior mobilidade(8,12,17).
Na ultra-sonografia de joelho, a lesão na superfície permite o diagnóstico específico, embora esteja na dependência da posição da margem da lesão em relação à direção das ondas do ultra-som(2). Sabe-se que nas lesões radiais dos meniscos podem acontecer erros de interpretação diagnóstica(7).
Em nossos resultados, obtivemos 69,1% de acurácia, 58,3% de sensibilidade e 77,8% de especificidade para o menisco lateral e 65,4%, 85,3% e 51,1%, respectivamente, para o medial.
Gorschewsky & Roteer(7) relataram em seu trabalho 78% de acurácia, 92% especificidade e 97% de sensibilidade para lesões meniscais. Gohlke et al.(6) encontraram 71% de sensibilidade para o menisco medial e 85% para o lateral.
Acreditamos que a ultra-sonografia ainda é um método que deve ser utilizado para diagnóstico das lesões intra-arti-culares do joelho, por não utilizar radiação, não ser invasivo, ter baixo custo e ser bem aceito pelos pacientes(14). Contudo, é menos eficaz que a tomografia computadorizada e a ressonância magnética.
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