<DIV style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN-TOP: 10px; PADDING-LEFT: 10px; PADDING-RIGHT: 10px"><BR> <DIV style="FONT-FAMILY: 'Century Gothic', Arial; COLOR: #495e37; FONT-SIZE: 14px; FONT-WEIGHT: bold; PADDING-TOP: 3px">INTRODUÇÃO</DIV> <DIV style="PADDING-RIGHT: 10px; FONT-FAMILY: 'Century Gothic', Arial; COLOR: #495e37; FONT-SIZE: 13px"></DIV> <DIV style="PADDING-RIGHT: 10px; FONT-FAMILY: 'Century Gothic', Arial; COLOR: #495e37; FONT-SIZE: 13px"> <P align=left> O uso de enxerto ósseo é um procedimento comum em ortopedia. A maioria dos ortopedistas já enfrentou situações em que o enxerto caiu ao chão. Na reconstrução ligamentar do joelho, em que se utilizam enxertos autólogos, a queda do enxerto é temida por não ser possível nova retirada no sítio doador. </P> <P>As formas de esterilização lesam o enxerto e levam à per-da de suas vantagens quando comparado com o enxerto ho-mólogo(1,2). Presnal &amp; Kimbrough(5), preocupados com o mesmo problema, avaliaram a contaminação do enxerto que caiu ao chão da sala em 50 procedimentos cirúrgicos, não encontrando crescimento bacteriano em nenhuma das amostras. </P> <P>Na queda de um enxerto autólogo, o ortopedista coloca-se frente a difícil situação: aproveitá-lo, se for essencial, sub-metendo-o aos métodos atuais de esterilização? Usar um enxerto homólogo? Retirar novo enxerto com todas as suas complicações?(3,4). Nesse caso, qual seria o melhor método que não levasse à perda de suas características? </P> <P>Este estudo tenta avaliar a viabilidade de reutilizar o enxerto que caiu ao chão da sala de cirurgia. Ele foi conduzido para determinar a contaminação encontrada após essa queda e o poder de descontaminação do PVPI. Amostras ósseas fo-ram coletadas, deliberadamente jogadas ao chão da sala cirúrgica e então submetidas a cultura em laboratório. </P> <P><strong>MATERIAL E MÉTODOS </strong> <P><P align="center"><IMG alt="" src="http://www.rbo.org.br/images/1997/07_jul/jul97075_img_79.jpg"></P> <P>Amostras de osso foram coletadas de procedimentos cirúrgicos ortopédicos não contaminados em um período de <P>cinco meses (tabela 1). O material utilizado ou era para ser desprezado ou não era essencial para o caso. Três amostras eram obtidas de cada procedimento, todas com aproximadamente o mesmo tamanho. A primeira delas era colhida de forma estéril. <P><P align="center"><IMG alt="" src="http://www.rbo.org.br/images/1997/07_jul/jul97075_img_80.jpg"><P><P>As duas restantes eram deliberadamente jogadas ao chão da sala cirúrgica e aí deixadas por um minuto. Uma delas era então acondicionada de forma estéril e encaminhada ao laboratório, enquanto a terceira amostra era colocada por um minuto em solução de PVPI e, após isso, também acondicionada de forma estéril e então encaminhada ao laboratório (figuras 1 e 2). A equipe de limpeza e o laboratório não foram informados sobre o estudo e as amostras foram colhidas em diferentes salas cirúrgicas, escolhidas de forma aleatória. O produto usado na limpeza da sala cirúrgica foi o hipoclorito de sódio a 1%. </P> <P>A antibioticoterapia profilática foi usada em todos os pacientes. </P> <P><strong>RESULTADOS </strong></P> <P>Das 30 amostras colhidas de forma estéril (grupo I), 13,3% apresentaram crescimento bacteriano, sendo 50% (duas amostras) representados pelo S. aureus, 25% (uma amostra) por Klebsiella e 25% (uma amostra) por um bastonete gram-ne-gativo não identificado. No grupo propositadamente contaminado (grupo II) houve crescimento bacteriano em 20% dos casos, dos quais três amostras (60%) eram de Staphylococcus, uma (20%) de Corynebacterium e uma (20%) de E. coli. No grupo contaminado e colocado no PVPI (grupo III), apenas uma amostra (0,3%) mostrou crescimento. O germe isolado foi a E. coli. </P> <P><strong>DISCUSSÃO </strong></P> <P>A avaliação dos resultados mostrou o crescimento bacteriano em quatro amostras colhidas de forma estéril. Como os pacientes evoluíram sem infecção cirúrgica no pós-operatório, pode-se supor que houve contaminação na técnica de coleta. Ao analisar o crescimento bacteriano nas amostras do grupo III, pode-se considerar o potencial de esterilização do PVPI, pois a cultura foi positiva em apenas uma amostra. </P> <P>As técnicas para esterilização de osso autólogo descritas na literatura reduzem suas qualidades. Essas técnicas são baseadas na necessidade de descontaminação do enxerto ou na destruição de células viáveis para diminuir sua antigenicidade, no caso de enxertos homólogos(1,2). Com isso, o uso de algum desses métodos de esterilização alteraria as propriedades do "enxerto que caiu". No entanto, na possibilidade de contaminação, torna-se imperativa a utilização de al-gum método de esterilização antes de seu uso. Quando um cirurgião deixa cair um enxerto autólogo ao chão da sala cirúrgica, ou ele retira novo enxerto, ou usa um enxerto homólogo, ou utiliza o enxerto que caiu, lesando ou não suas propriedades no processo de esterilização. Os estudos in vitro mostram o potencial de esterilização do PVPI e a relativa pouca contaminação do enxerto pelo chão da sala cirúrgica. Existem evidências científicas que suportam a decisão de usar esse enxerto, bem como descontaminá-lo com o PVPI, sem a necessidade de esterilização tradicional, porém este é um trabalho in vitro, cujos resultados abrem as portas para um estudo experimental in vivo. </P></DIV> <DIV style="FONT-FAMILY: 'Century Gothic', Arial; COLOR: #495e37; FONT-SIZE: 14px; FONT-WEIGHT: bold; PADDING-TOP: 3px">REFERÊNCIAS</DIV><BR> <DIV style="PADDING-RIGHT: 9px; FONT-FAMILY: 'Century Gothic', Arial; COLOR: #495e37; FONT-SIZE: 11px"> <P>Gray, J.C. &amp; Elves, M.W.: Osteogenesis in bone grafts after short term storage and topical antibiotic treatment. J Bone Joint Surg [Br] 63: 441, 1981. </P> <P>Köhler, P., Kreikberg, S. &amp; Ströemberg, L.: Physical properties of autoclaved bone. Acta Orthop Scand 57: 141, 1986. </P> <P>Kurz, L.T., Garfin, S.R. &amp; Booth, R.E.: Harvesting autogenous iliac bone grafts: a review of complications and techniques. Spine 14: 1324, 1989. </P> <P>Laurie, S.W.S., Kaban, L.B., Mulliken, J.B. et al: Donor site morbidity after harvesting rib and iliac bone. Plast Reconstr Surg 73: 933, 1984. </P> <P>Presnal, B.P. &amp; Kimbrough, E.E.: What to do about a dropped bone graft. Clin Orthop 296: 310, 1993. </P> </div></div>