<DIV style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN-TOP: 10px; PADDING-LEFT: 10px; PADDING-RIGHT: 10px"><BR>
<DIV style="FONT-FAMILY: 'Century Gothic', Arial; COLOR: #495e37; FONT-SIZE: 14px; FONT-WEIGHT: bold; PADDING-TOP: 3px">INTRODUÇÃO</DIV>
<DIV style="PADDING-RIGHT: 10px; FONT-FAMILY: 'Century Gothic', Arial; COLOR: #495e37; FONT-SIZE: 13px"></DIV>
<DIV style="PADDING-RIGHT: 10px; FONT-FAMILY: 'Century Gothic', Arial; COLOR: #495e37; FONT-SIZE: 13px">
<P align=left>
O neuroma de Morton, também conhecido como neurite digital plantar ou metatarsalgia de Morton, é uma tumoração dolorosa da região intermetatársica distal e interdigital no local correspondente à bifurcação dos ramos digitais dos nervos plantares (fig. 1). </P>
<P>O neuroma de Morton tem características clínicas importantes como a dor localizada no espaço intermetatársico, mais freqüentemente no 3º espaço, dor que piora com o uso de sapatos fechados. O paciente apresenta quadro de claudicação intermitente, isto é, precisa parar de andar quando a dor piora, necessitando até retirar o sapato e massagear o pé; o alívio é quase imediato, podendo o fenômeno voltar. </P>
<P>A finalidade do presente trabalho é caracterizar este tipo de lesão nervosa e propor um tratamento uniforme, com um mínimo de complicações. </P>
<P>A operação indicada para estes casos é a neurectomia total do nervo plantar, no espaço doloroso correspondente, pela via dorsal. </P>
<P>Os pacientes operados nos últimos 14 anos foram convocados e examinados, fazendo-se a avaliação dos resultados. </P>
<P>Os resultados obtidos e as conclusões mostram a eficácia do método e estimulam a continuar com esta conduta. </P>
<P><P align="center"><IMG alt="" src="http://www.rbo.org.br/images/1997/07_jul/jul97075_img_71.jpg"></P>
<P><strong>CASUÍSTICA E MÉTODOS </strong>
<P>A presente casuística é constituída por 37 casos operados em 31 pacientes portadores de neuroma de Morton, registrados e operados no mesmo serviço pela mesma equipe no período de 1981 a 1995. Todos os pacientes foram chamados para revisão e analisados segundo critérios preestabelecidos. </P>
<P>Foram operados 37 casos em 31 pacientes, sendo 6 bilaterais; nesse grupo se incluem dois casos de revisão cirúrgica primariamente operados em outros serviços. Em todos os casos, com exceção dos dois citados acima, usou-se a mesma tática cirúrgica, mesmo tempo de imobilização e a mesma forma de reabilitação. A diferença de procedimento dos casos para os dois citados foi quanto à via de acesso e à abordagem do nervo. Em toda série, um único caso foi operado em dois espaços no mesmo pé. </P>
<P>Os achados relacionados para cada caso foram sexo, bilateralidade, raça, idade, espaço operado e acesso utilizado; os dados e os percentuais estão nas tabelas de 1 a 7. </P>
<P>Foram utilizados dois tipos de anestesia (tabela 8). </P>
<P>Os exames anatomopatológicos do material retirado fo-ram feitos em 22 dos 37 casos e os realizados comprovaram o neuroma de Morton. </P>
<P align="center"><IMG alt="" src="http://www.rbo.org.br/images/1997/07_jul/jul97075_img_72.jpg"><P><P align="center"><IMG alt="" src="http://www.rbo.org.br/images/1997/07_jul/jul97075_img_73.jpg"><P><P>Em nenhum caso foram utilizados métodos ou exames especiais para o diagnóstico. Em todos foram realizados exames radiográficos dos pés, para afastar outras causas de metatarsalgia. </P>
<P>Técnica operatória </P>
<P>Com o paciente anestesiado e em decúbito dorsal, passase o garrote pneumático na raiz da coxa, quando a anestesia for raquidiana, e na panturrilha em seu 1/3 médio-distal, quando regional de Bier. </P>
<P>A incisão na grande maioria dos casos foi dorsal longitudinal sobre o espaço intermetatársico a ser abordado. O nervo é dissecado proximal e distalmente até as ramificações de cada dedo. A neurectomia é feita a mais proximal possível ao metatarsiano e distal a cada dedo (figs. 2 e 3). </P>
<P>Em outros casos, neste trabalho considerados como exceção, a via foi plantar transversal, com os mesmos procedimentos e cuidados dados ao nervo em questão. </P>
<P>O fechamento faz-se por planos, no tecido celular subcutâneo e pele. É feito um enfaixamento compressivo com algodão e crepe estéreis. </P>
<P>Seguimento </P>
<P>O enfaixamento é mantido até o 3º dia do pós-operatório, quando é substituído por um curativo simples e é autorizado o início da marcha com calçados de solados rígidos. Os pontos são retirados no 15º dia. <P><P align="center"><IMG alt="" src="http://www.rbo.org.br/images/1997/07_jul/jul97075_img_75.jpg"></P>
<P>Os pacientes foram revistos mensalmente para assinalar alguma queixa residual e sua possível resolução. </P>
<P>Complicações </P>
<P>Em nenhum caso houve complicações cirúrgicas relacionadas com infecção, superficial ou profunda, ou deiscência de sutura. </P>
<P>Quanto às alterações de sensibilidade em nível interdigital ou dos dedos, encontradas nesta série, por serem achados sempre presentes e decorrentes da neurectomia, não foram consideradas como complicações. </P>
<P>Critérios de avaliação </P>
<P>O grupo total de pacientes corresponde àqueles operados e que responderam à convocação da equipe médica, para verificação de sua situação atual, queixas ou qualquer outro detalhe tardio da cirurgia em questão. Os pacientes foram argüidos sobre suas caminhadas, esforços maiores e uso de calçados. Alguns casos foram contactados e responderam por telefone ao questionário padrão estabelecido. Outros casos operados, porém não encontrados, não fizeram parte do pre-sente estudo. Os resultados segundo os critérios de avaliação adotados foram classificados em bons e maus. </P>
<P>O resultado foi considerado bom quando o paciente voltou às suas atividades normais, sem limitação de movimentos e sem restrição de qualquer uso de calçado; ao contrário, mau, quando não satisfez tais condições. </P>
<P><strong>RESULTADOS </strong>
<P>De acordo com os parâmetros de avaliação antes referidos, os resultados constam na tabela 10. </P>
<P>Os três resultados maus foram um paciente com operação bilateral, sendo um dos pés reoperado; o outro teve uma área de anestesia irreversível na região, o que o incomodava mais que o problema anterior. <P><P align="center"><IMG alt="" src="http://www.rbo.org.br/images/1997/07_jul/jul97075_img_76.jpg"></P>
<P><strong>DISCUSSÃO </strong>
<P>O neuroma de Morton foi primeiramente descrito, em 1845, por Durlacher(6), quiropodista do rei George IV, que se queixava de uma "nevralgia" entre os 3º e 4º metatarsianos. </P>
<P>Em 1876, através de trabalho pioneiro, Morton(12), de Filadelfia, descreveu uma síndrome cujo sintoma principal era a dor plantar ao nível do antepé. Em sua descrição original, Morton atribuiu esta condição a um distúrbio da articulação metatarsofalângica do 4º raio ou a um possível pinçamento do ramo digital do nervo plantar lateral, entre as cabeças do 4º e 5º metatarsianos, ocasionado pela grande mobilidade do 5º raio. </P>
<P>Na obra de Testut(19), rememora-se a anatomia da região. Toda ela provém do nervo tibial posterior, que ao nível do túnel tarsiano se bifurca em nervo plantar medial e plantar lateral. Estes inervam toda a região plantar e dorsal do antepé. Na maioria dos casos, o ramo medial do nervo plantar lateral se anastomosa ao 4º ramo do nervo plantar medial. Esta união se continua distalmente entre o músculo flexor curto e a aponeurose plantar, proximalmente às cabeças dos metatarsianos, onde passa por baixo do ligamento metatarsiano transverso. Distalmente ao ligamento há a bifurcação, originando os ramos digitais. </P>
<P>O diagnóstico é baseado na história clínica e exame físico, fundamentalmente. A dor em queimação no espaço correspondente, a claudicação intermitente e a necessidade de retirar o sapato, para massagear o pé, são dados importantes da história clínica; a palpação e a correspondente dor aguda, o ressalto e a manobra da preensão lateral das cabeças do 1º ao 5º, exacerbando a dor, são os achados mais comuns, segundo Nery(13), em seu Manual de Propedêutica Ortopédica. Betts(4) e Viladot(21) também assinalam estas características. </P>
<P>Os exames complementares e auxiliares de diagnóstico não foram usados, já que os autores não os requisitavam, por não os julgarem necessários, por não serem tão precisos e apresentarem margem de erro relativamente alta. </P>
<P>Atualmente, a ressonância nuclear magnética é um exame muito usado e pode ser um documento fiel da patologia, con-forme citam Resch et al.(17), Erickson et al.(7) e Terk et al.(18). A ultra-sonografia e a tomografia computadorizada não são mais utilizados, porém dois trabalhos poderiam ser lembrados, o de Redd et al.(16) e o de Turan et al.(20), discutindo tais procedimentos. </P>
<P>Quanto ao diagnóstico diferencial, Mann(10) cita a síndrome do túnel do tarso, a discopatia lombar e os processos locais ósseos ou do coxim gorduroso. </P>
<P>Os dados levantados nos 37 casos não fogem do que se lê nas publicações relativas a esta lesão. Assim, é notória a preferência pelo sexo feminino em relação ao masculino (6:1), mostrada na tabela 1. O lado esquerdo tem discreta superioridade sobre o direito, por ser talvez o mais solicitado, mas estatisticamente os números não assumem significado importante (tabela 2). Alexander et al.(1), Barrios et al.(3) e Vila-(21) mostram os mesmos detalhes. Outro parâmetro comum dos autores foi a idade (tabela 5), sendo os 49,97 anos de média o número exato considerado, ou seja, das 4ª e 5ª décadas. </P>
<P>O encontro total de uma só raça para todos os pacientes tem muito a ver com a classe de doente que vem ao consultório com este tipo de lesão, ou seja, padrão socioeconômico alto e ser a mais encontrada na cidade onde se realizou o estudo. Nos livros e trabalhos pesquisados não se encontraram citações de freqüência tão grande de uma mesma raça. </P>
<P>A etiologia do neuroma de Morton é desconhecida. Pare-ce haver relação com alterações anatômicas na junção dos ramos dos nervos plantares medial e lateral com seu ramo comunicante, em direção ao 3º espaço. Quanto a episódios traumáticos diretos, poucos pacientes os referiram e não fo-ram considerados. O "traumatismo" do uso de calçados inadequados, para pés que tinham alterações anatômicas importantes, favoreceria o aumento de volume do nervo da região e a conseqüente formação do neuroma. </P>
<P>Quirk(15) cita as seguintes causas etiológicas para o neuroma de Morton: sapatos altos e finos, pés cavos, trauma de antepé e forte ação do músculo flexor curto dos dedos, que, ao se contrair, pressionaria o nervo contra o ligamento metatarsiano transverso, provocando fenômenos isquêmicos locais. </P>
<P>Zollinger & Jacob(22) valorizam o lado biomecânico do antepé na gênese da patologia. Higgins & Burnett(8) correlacionam a doença com artrite reumatóide soronegativa, citação isolada em toda a literatura vista. </P>
<P>A exérese do neuroma é o tratamento cirúrgico de escolha, havendo divergência apenas na via de acesso, dorsal ou plantar. </P>
<P>Barbosa publica trabalho, em 1980, em que discute as vias de acesso ao neuroma na metatarsalgia de Morton(2). Baseado nos achados clínicos pré-operatórios e na anatomia da inervação plantar, o mesmo autor destaca a importância da escolha da melhor via de acesso quando indicado o tratamento cirúrgico. Conclui que nos casos de neuroma do tronco nervoso do 3º espaço é melhor a via de acesso longitudinal plantar descrita por Nissen(14); porém, quando é na bifurcação do tronco nervoso ou dos ramos digitais, opta pela via interdigital dorsal de McElvenny(11). </P>
<P>Há, também, outro tipo de acesso plantar que é transversal na altura das cabeças metatarsianas correspondentes, descrita por Lelievre(9). </P>
<P>Diebold & Delagoutte(5) sugerem a neurólise, ao invés da neurectomia, que só é feita diante do insucesso da primeira. </P>
<P>A freqüência alta da moléstia no terceiro espaço intermetatarsiano (tabela 6) é confirmado em todos os trabalhos citados nas referências, com exceção de Quirk(15), que acha ser o segundo. </P>
<P>Os autores não procuraram estudar ou comparar o procedimento com o tipo de anestesia realizada. Acreditam que qualquer delas, eliminando a dor e permitindo o uso de garrote para tornar a cirurgia sem sangue, é indicada, sem preferência de uma sobre a outra. </P>
<P>Exames anatomopatológicos do material retirado foram realizados em 22 dos 37 pés; todos confirmaram o diagnóstico pré-operatório. </P>
<P>Viladot(21) define os achados como processos fibroblásticos reativos peri e intraneurais. </P>
<P>Oito dos 37 pés foram submetidos a cirurgias associadas concomitantes, mostrando que a patologia envolve todo o antepé. </P>
<P>A percentagem de 91,89% de bons resultados comprova a eficácia do diagnóstico e do método de tratamento e está de acordo com a maioria dos autores. </P>
<P>Com exceção dos três casos de maus resultados, todos os demais usavam calçados normais e faziam qualquer tipo de atividade de trabalho ou física, sem restrições. </P>
<P>Dois casos foram reoperados por vias diferentes, na busca da mesma patologia e originalmente feita por outros profissionais; um curou-se e o outro corresponde a um dos maus resultados da estatística. </P>
<P>Apesar de um caso da série ter sido operado em dois espaços, teve bom resultado e considerou-se como um pé só. Dian-te de exceções como esta, sempre deve-se pensar em outras patologias do antepé e não em mais de um neuroma de Morton. </P>
<P>Dos três casos de maus resultados, um era bilateral e um dos pés era reoperação. No outro caso, era citada uma área de anestesia entre os dedos, o que incomodava o paciente mais do que a dor original. </P>
<P>Em todos os demais casos, não havia queixa e os poucos que citavam áreas de hipoestesia não ligavam para tal fato. </P>
<P><strong>CONCLUSÕES </strong>
<P>1) A técnica da neurectomia total, por via dorsal, como tratamento cirúrgico do neuroma de Morton, é eficiente. </P>
<P>2) O diagnóstico do neuroma de Morton é eminentemente clínico. </P>
<P>3) O método não dá possibilidade de complicações ou seqüelas. </P>
<P>4) O resultado funcional é bom em sua grande maioria.
</P></DIV>
<DIV style="FONT-FAMILY: 'Century Gothic', Arial; COLOR: #495e37; FONT-SIZE: 14px; FONT-WEIGHT: bold; PADDING-TOP: 3px">REFERÊNCIAS</DIV><BR>
<DIV style="PADDING-RIGHT: 9px; FONT-FAMILY: 'Century Gothic', Arial; COLOR: #495e37; FONT-SIZE: 11px">
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</div></div>