<DIV style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN-TOP: 10px; PADDING-LEFT: 10px; PADDING-RIGHT: 10px"><BR> <DIV style="FONT-FAMILY: 'Century Gothic', Arial; COLOR: #495e37; FONT-SIZE: 14px; FONT-WEIGHT: bold; PADDING-TOP: 3px">INTRODUÇÃO</DIV> <DIV style="PADDING-RIGHT: 10px; FONT-FAMILY: 'Century Gothic', Arial; COLOR: #495e37; FONT-SIZE: 13px"></DIV> <DIV style="PADDING-RIGHT: 10px; FONT-FAMILY: 'Century Gothic', Arial; COLOR: #495e37; FONT-SIZE: 13px"> <P align=left> Definimos por fixador externo um grupo de aparelhos, geralmente metálicos, que permitem manter a rigidez ou estabilidade da estrutura óssea, com a qual se põe em contato através de fios ou pinos de aplicação percutânea, confeccionados quase sempre de aço. </P> <P>A utilização da fixação externa no tratamento de pacientes de afecções ósseas remonta ao século passado. Desde as idéias lançadas por Malgaine(7), a utilização desse método apresentou períodos de grande popularidade intercalados por outros de descrédito. </P> <P>Ilizarov(6) iniciou seus trabalhos clínicos e experimentais em 1951. Mais do que um modelo de fixador externo, desenvolveu uma filosofia de tratamento baseada na estabilização óssea, na carga e mobilidade precoce, no respeito à irrigação sanguínea e, principalmente, no conceito de distração osteogênica controlada, que é de sua concepção. </P> <P>O sistema de fixação externa de Ilizarov é circular, composto de 32 elementos básicos que permitem um número ilimitado de arquiteturas que se adaptam às condições clínicas e anatômicas da região a ser tratada e facilitam sua aplicação e aceitação por parte dos pacientes. Tem capacidade de compressão, distração, estabilização e transporte ósseo. Permite, ainda, alterações nas montagens e modificações nas posições dos fragmentos ósseos durante o tratamento. </P> <P>Os fios utilizados têm diâmetros de 1,5 a 1,8mm. Geralmente são dois fios por anel, transfixados o mais próximo possível da posição ortogonal e fixados sob tração de 90 a 130kgf. Os anéis devem ter diâmetro suficiente para circundar o membro, com folga de cerca de 20mm devido à possibilidade de edema. Quanto menor o diâmetro dos anéis, maior a estabilidade da montagem. Os anéis são conectados entre si através de hastes rosqueadas telescopadas ou não, de acordo com a necessidade. </P> <P>Bianchi-Maiochi(2) recomenda em seu trabalho a utilização de três hastes rosqueadas para conectar os anéis intermediários, no tratamento das fraturas do terço médio da tíbia, dispostas simetricamente. Moveu-nos, portanto, a determinação de avaliar o comportamento mecânico do sistema de Ilizarov, quando se utilizam diferentes posicionamentos simétricos dessas hastes, submetendo-as às forças mecânicas semelhantes às apresentadas durante a marcha. <P><P align="center"><IMG alt="" src="http://www.rbo.org.br/images/1997/07_jul/jul97075_img_06.jpg"></P> <P><strong>MATERIAL E MÉTODO </strong> <P>Utilizamos como corpo de prova dois tubos de madeira ipê de 250mm de comprimento por 30mm de diâmetro, vazados por um orifício central longitudinal de 10mm, na tentativa de recapitular um segmento diafisário de osso longo com seu canal medular. Foram estabilizados pelas montagens sem desvios angulares ou radiais e mantendo afastamento de 30mm entre si, simulando uma fratura instável. Os anéis proximais ao foco foram instalados a 70mm de distância entre si e a 20mm do foco. Os anéis das extremidades proximais e distais foram instalados a 170mm dos anéis intermediários e a 50mm das extremidades dos segmentos dos modelos (fig. 1). </P> <P>O corpo de prova foi estabilizado no centro dos anéis de 110mm, por fios de 1,5mm de diâmetro sob tração de 110kgf nas posições 45º a 225º e 135º a 315º nos anéis intermediários e ortogonal nos anéis das extremidades em todos os sistemas testados. </P> <P>No primeiro grupo instalamos uma haste anterior ao corpo de prova na posição de 90º e duas posteriores nas posições de 210º e 330º - 2P1A (fig. 2). </P> <P>No segundo grupo instalamos uma haste posterior ao cor-po de prova na posição de 270º e duas anteriores nas posições de 30º e 150º - 1P2A (fig. 3). </P> <P align="center"><IMG alt="" src="http://www.rbo.org.br/images/1997/07_jul/jul97075_img_07.jpg"></P> <P>Os corpos de prova estabilizados pelas montagens foram submetidos a forças de compressão axial e excêntrica aplicadas em um ponto 25mm posterior 270º ao eixo axial do corpo de prova, gerando, nesta segunda eventualidade, forças posteriores de flexão. As forças aplicadas variaram de 0 a 100kgf, com leitura dos deslocamentos dos fragmentos a cada 20kgf e retorno à posição inicial após aplicação da car-ga máxima. Utilizamos uma máquina universal de ensaios mecânicos (2D-10/90). </P> <P>Utilizamos relógios comparadores para avaliar os deslocamentos axiais, os deslocamentos látero-laterais dos segmentos superior e inferior, eixo 0º-180º (X) e os deslocamentos ântero-posteriores dos segmentos superior e inferior, eixo 90º-270º (Y). Estes foram de precisão de centésimo de milímetro, sendo os deslocamentos radiais obtidos pelo somatório vetorial dos deslocamentos nos eixos X e Y, e o cisalhamento, pelo cálculo do diferencial desvio/eixo. </P> <P><strong>RESULTADOS </strong> <P><P align="center"><IMG alt="" src="http://www.rbo.org.br/images/1997/07_jul/jul97075_img_08.jpg"></P> <P><strong>DISCUSSÃO E COMENTÁRIOS </strong> <P>A maioria dos estudos biomecânicos(1,3,6,8) publicados na literatura mundial analisa a área de instabilidade, coeficiente de estabilidade e rigidez axial do sistema de fixação externa. Esses trabalhos não valorizam a direção e amplitude dos movimentos que ocorrem nos fragmentos ósseos do foco de fratura. </P> <P>Ilizarov(6), estudando a evolução da distração osteogênica, observou que o efeito da instabilidade sobre ela evita a formação óssea longitudinal no nível do regenerado. Esse fato parece ter como principal responsável o cisalhamento no foco do regenerado. </P> <P align="center"><IMG alt="" src="http://www.rbo.org.br/images/1997/07_jul/jul97075_img_09.jpg"></P> <P>Observamos na literatura que alguns autores(4,5) utilizam de forma incorreta a expressão "os fios são submetidos a 110kgf de tensão". Na realidade, os fios são submetidos a tração de 110kgf, o que resulta em um fio de 1,5mm de diâmetro, tensão de 62,24kg/mm2; dado pelo cálculo da força/ área. </P> <P>A montagem com duas hastes posteriores e uma anterior - 2P1A, formada por anéis de 110mm de diâmetro e fios sob tração de 110kgf, quando submetida a forças axiais excêntricas, apresenta, no segmento superior no corpo de prova, deslocamento radial máximo de 198 centésimos de milímetro em um eixo correspondente a 280º ao aplicarmos 110kgf. Nessa situação o segmento inferior sofre deslocamento máximo de 129 centésimos de milímetro em um eixo de 325º ao aplicarmos 110kgf (fig. 4). Ao compararmos a distância máxima nos planos perpendiculares ao axial entre os segmentos superior e inferior, nesta montagem - 2P1A, submetidos a forças axiais excêntricas, observamos que esta ocorre ao aplicarmos 100kgf e é da ordem de 140 centésimos de milímetro. </P> <P>A montagem com uma haste posterior e duas anteriores 1P2A, formada por anéis de 110mm de diâmetro e os fios sob tração de 110kgf, quando submetida a forças axiais excêntricas, apresenta, no segmento superior do corpo de pro-va, deslocamento radial máximo de 303 centésimos de milímetro em um eixo correspondente a 96º ao aplicarmos 100kgf. Nessa situação o segmento inferior sofre deslocamento máximo 377 centésimos de milímetro em um eixo correspondente a 60º ao aplicarmos 100kgf (fig. 5). Ao compararmos a distância máxima nos planos perpendiculares ao axial entre os segmentos superior e inferior, nesta montagem - 1P2A, submetidos a forças axiais excêntricas, observamos que esta ocorre ao aplicarmos 100kgf. E é da ordem de 167 centésimos de milímetro. </P> <P>Podemos observar que os deslocamentos radiais dos segmentos, bem como a distância entre os segmentos nos planos perpendiculares ao axial, são muito menores que o deslocamento axial e, quando submetidos à aplicação de forças excêntricas, apresentam desvios radiais e axiais maiores do que quando submetidos a forças centrais. </P> <P>Os trabalhos de Bianchi-Maiochi(2) não determinam as posições das hastes de conexão. O professor Angelo Villa(9) afirma que as posições das hastes são indiferentes e que o ideal seria a instalação simétrica delas. Nossos resultados se contrapõem a essa afirmação. </P> <P>Trabalhamos com três hastes posicionadas simetricamente e observamos que, quando submetemos as montagens a forças axiais excêntricas, criando um momento flexor posterior, os deslocamentos dos segmentos do corpo de prova são menores quando utilizamos duas hastes posteriores e uma anterior a este corpo. Os deslocamentos radiais também são menores quando utilizamos o sistema 2P1A (fig. 4). </P> <P>Concluímos e recomendamos, portanto, que, ao se utilizar </P> <P>o fixador externo de Ilizarov com três hastes de conexão, duas sejam instaladas na zona submetida a flexão e uma na zona de tensão. </P></DIV> <DIV style="FONT-FAMILY: 'Century Gothic', Arial; COLOR: #495e37; FONT-SIZE: 14px; FONT-WEIGHT: bold; PADDING-TOP: 3px">REFERÊNCIAS</DIV><BR> <DIV style="PADDING-RIGHT: 9px; FONT-FAMILY: 'Century Gothic', Arial; COLOR: #495e37; FONT-SIZE: 11px"> <P>Behrens, F. &amp; Johnson, W.: Unilateral external fixation: methods to increase and reduce frame stiffness. Clin Orthop 241: 48-56, 1989. </P> <P>Bianchi-Maiochi, A.: L'osteosyntesi transosea secondo G.A. Ilizarov, Medi Surg Video, 1985. </P> <P>Briggs, B.T. &amp; Chao, E.Y.S.: The mechanical performance of the standard Hoffman-Vidal external fixation apparatus. J Bone Joint Surg [Am] 64: 566-573, 1982.</P> <P>Fleming, B., Paley, D. &amp; Kristiansen, T.: A biomechanical analysis of the Ilizarov external fixator. Clin Orthop 241: 95-105, 1989. </P> <P>Guarniero, R.: Erros comuns na utilização do método Ilizarov. Rev Bras Ortop 25: 31-34, 1990. </P> <P>6. Ilizarov, G.A. apud Bianchi-Maiochi: Introduzione alla conocenza delle metodiche di Ilizarov in ortopedia e traumatologia, Milano, Ediz. Medi. Surg. Video, 1983. </P> <P>Malgaine, J.F. apud Sisk, T.D.: External fixation: historic review, advantages, disadvantages, complications and indications. Clin Orthop 180: 15-22, 1983. </P> <P>McCoy, M.T., Chao, E.Y.S. &amp; Kasman, R.A.: Comparison of mechanical performance in four tipes of external fixators. Clin Orthop 180: 2333, 1983. </P> </div></div>