<DIV style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN-TOP: 10px; PADDING-LEFT: 10px; PADDING-RIGHT: 10px">
<DIV style="PADDING-RIGHT: 9px; FONT-FAMILY: 'Century Gothic', Arial; COLOR: #495e37; FONT-SIZE: 11px">
<P></P></DIV><BR>
<DIV style="FONT-FAMILY: 'Century Gothic', Arial; COLOR: #495e37; FONT-SIZE: 14px; FONT-WEIGHT: bold; PADDING-TOP: 3px">INTRODUÇÃO</DIV>
<DIV style="PADDING-RIGHT: 10px; FONT-FAMILY: 'Century Gothic', Arial; COLOR: #495e37; FONT-SIZE: 13px"></DIV>
<DIV style="PADDING-RIGHT: 10px; FONT-FAMILY: 'Century Gothic', Arial; COLOR: #495e37; FONT-SIZE: 13px">
<P align=left>As cúpulas acetabulares cimentadas têm como principal intercorrência, a longo prazo, a soltura asséptica(15,16,28). Entretanto, em função dos diferentes resultados obtidos(6,12,27,30), torna-se controvertida essa afirmativa. Contudo, sabe-se que as falhas mais freqüentes ocorrem em pacientes jovens e revisões, mas é sobretudo com o decorrer do tempo que a freqüência das solturas aumenta substancialmente(5,6,8). Essas complicações levaram à procura de formas de fixação mais resistentes a longo prazo(11,17,24). </P>
<P>Dois tipos de implantes são suscetíveis na ancoragem sem a utilização do metilmetacrilato: os anéis rosqueados, no acetábulo, em que a forma varia segundo a cavidade óssea, e as cúpulas de impactação alojadas em cavidade óssea preparada com diâmetro inferior ao do implante. <BR><BR>O objetivo deste trabalho é apresentar os resultados obtidos com o componente acetabular rosqueado do tipo CO-10. </P>
<P><STRONG>CASUÍSTICA E MÉTODOS</STRONG></P>
<P>Vinte e um pacientes submetidos a 24 artroplastias foram avaliados, utilizando o componente acetabular rosqueado. Em todos os quadris, a artroplastia foi primária e o modelo da cúpula acetabular, do tipo CO-10. O prazo médio de seguimento foi de 54 meses, variando de 36 a 72 meses. </P>
<P>Dos pacientes reavaliados, 13 (62%) eram do sexo masculino e 8 (38%), do feminino. A idade média era de 50 anos, variando de 19 a 71 anos. Em relação ao lado, tivemos 9 (43%) quadris direitos e 9 (43%) quadris esquerdos e em outros 3 (14%), ambos os quadris. Quanto ao diagnóstico etiológico observaram-se: osteoartrose primária, 12 (57%); seqüela de Legg-Calvé-Perthes, 4 (19%); necrose avascular, 3 (14%); e seqüela de fratura do colo do fêmur, 2 (9%). </P>
<P>A via de abordagem realizada, em todos os casos, foi a lateral direta com o paciente em decúbito látero-contralate-(14). </P>
<P align=left>A avaliação objetiva dos casos foi realizada pelo método de Merle D'Aubigné & Postel(20). A análise radiológica foi feita pelo método de Callaghan et al.(3), De Lee & Charn-ley(7), Massin et al.(19) e Sutherland et al.(29). As radiografias foram analisadas nas incidências frente e perfil do quadril e frente da pelve. Para determinação da inclinação acetabular, utilizamos o diagrama proposto por Callaghan et al.(3). Inicialmente, traça-se a linha ilioisquiática, em direção tangencial a essa, outra linha cruzando as bordas inferior e superior da cúpula acetabular. A intersecção dessas duas linhas forne-ce-nos o ângulo que representa a inclinação acetabular (fig. 1), considerando como efetivas as migrações acetabulares que apresentam valores superiores a 2mm. Para estudo das imagens radiotransparentes utilizamos o trabalho de De Lee & Charnley(7), que dividem o acetábulo em três zonas (fig. 2). Os critérios de avaliação de Massin et al.(19) e Sutherland et al.(29) analisam a inclinação horizontal, ascensão e medialização do componente acetabular. Na radiografia de frente do quadril, estudamos as três zonas descritas por De Lee & Charnley(7), a reparação óssea e a existência ou não de radiotransparência. Apenas as radiotransparências de espessura superior a 2mm foram levadas em conta. Os implantes acetabulares foram considerados estáveis na ausência de migração superior a 2mm. Esta cifra superior a 2mm de Massin et (19), 2mm de Callaghan et al.(3) e 3mm de Nunn et al.(23) parece traduzir melhor as variações ligadas às medidas radiológicas. </P>
<P align=center><BR><BR><IMG alt="" src="http://www.rbo.org.br/images/1997/08_ago/ago97075_img_62.jpg"> </P>
<P><STRONG>RESULTADOS</STRONG></P>
<P>Durante o ato operatório não houve fraturas do acetábulo. Complicações precoces, como lesão do nervo ciático, tromboflebite grave, embolia pulmonar e luxação do quadril não ocorreram. Nos casos avaliados não houve infecção profunda. As complicações tardias como calcificações periarticulares estiveram presentes em dois (8%) quadris e se enquadram no estágio III de Brooker(1). Foi indicada revisão, por falha de ancoragem, em um (4%) quadril por apresentar sinais clínicos e radiológicos de soltura (fig. 3). </P>
<P>O ganho médio do estado pré e pós-operatório foi de 2,3 pontos para a dor, 1,9 ponto quanto à mobilidade e 2,6 pontos para a marcha, segundo os critérios de Merle D'Aubigné & Postel(20). </P>
<P>As características gerais dos pacientes avaliados clínica e radiologicamente encontram-se na tabela 1. </P>
<P>Os resultados da análise radiológica de 24 quadris foram apreciados conforme: </P>
<P align=center><IMG alt="" src="http://www.rbo.org.br/images/1997/08_ago/ago97075_img_63.jpg"><BR><BR><IMG alt="" src="http://www.rbo.org.br/images/1997/08_ago/ago97075_img_64.jpg"><BR><BR>1) Posição do anel rosqueado </P>
<P>a) Cobertura da cúpula rosqueada: 18 (75%) quadris apresentaram cobertura total das espiras na zona I (fig. 5), 5 (21%) em duas espiras e 1 (4%) não apresentava cobertura. Na zona III, 22 (92%) quadris apresentaram cobertura total das espiras, 1 (4%) em duas espiras e 1 (4%) não apresentou cobertura. </P>
<P>b) Inclinação da cúpula: a inclinação média foi de 34,5º e 19 (79%) implantes apresentaram inclinação inferior a 45º. </P>
<P>2) Modificação interface osso-implante </P>
<P>a) Reparação óssea: em 23 (96%) quadris houve o aparecimento de ossificação entre as espiras na zona I e III (fig. 4). No quadril em que houve a soltura não ocorreu a formação de osso entre as espiras (fig. 3). </P>
<P>b) Radiotransparência: 1 (4%) quadril apresentou radiotransparência nas três zonas, definidas por De Lee & Charn-ley(7), maiores que 2mm. </P>
<P>3) Migração radiológica do implante: a migração ocorreu em 1 (4%) quadril de 2,5cm na zona I e III e 1cm na zona II (fig. 3).
<P><STRONG>DISCUSSÃO</STRONG></P>
<P>Os componentes acetabulares não cimentados foram desenvolvidos na tentativa de minimizar as complicações tar-dias das cúpulas cimentadas, principalmente em pacientes jovens e nas revisões de prótese. A avaliação de nossos ca-sos, embora seja a curto prazo, tempo médio de 54 meses, confirmou nossas expectativas. </P>
<P align=left>No que se refere ao ato operatório, notamos que a maioria das cúpulas acetabulares utilizadas na ancoragem foi do tamanho 46 (16 cúpulas - 65%). Habitualmente, no preparo da cavidade acetabular, iniciamos manualmente com um osteótomo de forma semicircular e curvo, de maneira a dar entrada com a fresa de nº 40, ou seja, formando uma cavidade. Essa tentativa é para preservar no máximo o tecido ósseo; entretanto, fresamos até a raspa de nº 46, em que temos a opção de escolha de três diferentes comprimentos da cabeça femoral do tamanho de 28mm de circunferência. Esse procedimento só é realizado quando possível. No momento da ancoragem da cúpula rosqueada, esta é envolvida com o enxerto retirado da última raspa acetabular e, quando necessário, da última fresa femoral. Esse enxerto é perfeitamente moldado entre os espirais do componente, o que acreditamos facilitar a consolidação óssea nas espiras e as estruturas ósseas adjacentes (fig. 5). <BR></P>
<P align=center><BR><IMG alt="" src="http://www.rbo.org.br/images/1997/08_ago/ago97075_img_65.jpg"></P>
<P>Os métodos por nós utilizados para a avaliação objetiva(20) e a avaliação radiológica(3,7,19,29) demonstraram globalmente ser eficientes para esse tipo de avaliação. Dos 24 quadris por nós operados, em 21 pacientes, 20 revelaram-se satisfeitos com as condições clínicas na época das avaliações. Embora essas análises sejam consideradas de curto prazo, em todos os pacientes, com exceção de um, tivemos ganho tanto na marcha quanto na dor e na mobilidade. Em um caso, em que houve a soltura, o resultado foi considerado ruim e foi indicado à revisão operatória. </P>
<P>Quanto aos estudos radiológicos, podemos evidenciar que a média de inclinação da ancoragem das cúpulas foi menor que 40º e, de maneira geral, constatamos excelente cobertura dos componentes acetabulares dentro da cavidade, onde foi observada uma neoformação óssea entre as espirais da cúpula. </P>
<P>Em 23 (96%) quadris consideramos os resultados satisfatórios, o que não condiz com os estudos observados na lite-(4,9,13,18,22). De modo geral, as revisões desses trabalhos, com o uso das cúpulas rosqueadas, informam um índice de falhas de 43%(4), 11%(9), 11,6%(13), 5%(18) e 26%(22). Entretanto, outros autores relatam bons resultados com o acetábulo (10,21,26). Acreditamos que o índice por nós alcançado foi em decorrência do tipo de prótese utilizada. Em grande parte dos trabalhos, as roscas da cúpula são de fixação primária; no entanto, a que foi utilizada por nós apresenta características de fixação primária e de microfixação através de suas porosidades. Entendemos que a forma do componente acetabular do tipo CO-10 apresenta características próprias que proporcionam os bons resultados que obtivemos, corroborando dados da literatura nacional(2,25). </P>
<P>Não obstante os casos aqui estudados serem a curto prazo, acreditamos que o componente acetabular rosqueado é uma boa opção de implante em artroplastias totais do quadril; contudo, só o tempo confirmará nossa expectativa.</P></DIV>
<DIV style="FONT-FAMILY: 'Century Gothic', Arial; COLOR: #495e37; FONT-SIZE: 14px; FONT-WEIGHT: bold; PADDING-TOP: 3px">REFERÊNCIAS</DIV><BR>
<DIV style="PADDING-RIGHT: 9px; FONT-FAMILY: 'Century Gothic', Arial; COLOR: #495e37; FONT-SIZE: 11px">
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