<DIV style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN-TOP: 10px; PADDING-LEFT: 10px; PADDING-RIGHT: 10px"> <DIV style="PADDING-RIGHT: 9px; FONT-FAMILY: 'Century Gothic', Arial; COLOR: #495e37; FONT-SIZE: 11px"> <P></P></DIV><BR> <DIV style="FONT-FAMILY: 'Century Gothic', Arial; COLOR: #495e37; FONT-SIZE: 14px; FONT-WEIGHT: bold; PADDING-TOP: 3px">INTRODUÇÃO</DIV> <DIV style="PADDING-RIGHT: 10px; FONT-FAMILY: 'Century Gothic', Arial; COLOR: #495e37; FONT-SIZE: 13px"></DIV> <DIV style="PADDING-RIGHT: 10px; FONT-FAMILY: 'Century Gothic', Arial; COLOR: #495e37; FONT-SIZE: 13px"> <P align=left>Nas duas últimas décadas, o desenvolvimento de próteses que prescindem do uso de cimento acrílico para sua fixação no osso relevou substancialmente as cirurgias ortopédicas de substituição da articulação do quadril(2,5). Entretanto, apesar do aperfeiçoamento marcante das próteses, dois problemas ainda demandam solução. São eles: a distribuição desigual de forças no assentamento, principalmente do componente femoral, e a infecção hematogênica tardia. Ambos levam ao afrouxamento e soltura dos implantes, complicações às vezes de difícil diagnóstico, principalmente, em fase prodrômica, com sintomas ainda indefinidos e em que a radiografia convencional falha em mostrar alterações ainda de pequena (4,8,12,14,18). </P> <P>Por outro lado, o afrouxamento e eventual soltura produzidos, quer por problemas puramente mecânicos, quer por infecção subclínica, levam a aumento do aporte sanguíneo e à formação de osso reacional nos tecidos adjacentes aos implantes. Tanto o aumento de irrigação local como a neoformação óssea podem ser detectados precocemente pela cintilografia óssea com o tecnécio (MDP-Tc)(2). </P> <P>Todavia, apesar de já existirem vários estudos sobre o assunto, percebe-se que ainda não há um padrão bem definido para as cintilografias das próteses não cimentadas, isentas de complicações. Tal padrão seria extremamente útil, para comparação com os casos em que haja complicações, permitindo porventura seu diagnóstico precoce(3,7,9,11,13,15,16). </P> <P>O objetivo deste trabalho é, então, estudar um grupo de 18 pacientes submetidos à artroplastia não cimentada de um dos quadris, isentos de complicações, de modo a definir um padrão normal. <P><STRONG>CASUÍSTICA E MÉTODOS</STRONG></P> <P>Foram estudados 18 pacientes submetidos a artroplastia total não cimentada de um dos quadris com a prótese CO10*. Como premissa, definiu-se que a patologia básica do paciente não deveria ser de origem inflamatória nem tumoral. Treze (72,2%) pacientes eram homens e cinco (27,8%), mulheres, com idade média de 49 anos (variação: 26-69). O diagnóstico etiológico foi de osteoartrose primária em 12 (66,6%) pacientes, seqüela de doença de Legg-Calvé-Per-thes em 4 (22,2%) e necrose avascular idiopática da cabeça TABELA 2 femoral em 2 (11,1%). O quadril afetado foi o direito em 7 Índice de atividade dos pacientes submetidos a (38,9%) pacientes e o esquerdo em 11 (61,1%) (tabela 1). <BR><BR><IMG alt="" src="http://www.rbo.org.br/images/1997/08_ago/ago97075_img_57.jpg" width=600><BR><BR><BR>LCP - Seqüela de Legg-Calvé-Perthes NAICF - Necrose avascular idiopática da cabeça femoral três períodos de estudo e os exames radiográficos obtidos nesses períodos não mostraram qualquer evidência de afrou-Todos os pacientes estavam completamente assintomáti-xamento ou soltura. cos e as avaliações radiográficas e cintilográficas foram rea-Ao exame cintilográfico, observou-se que no período de lizadas nos períodos pós-operatórios de 3, 6 e 12 meses. No três meses, o IA variou de 0,7 a 1,6, tendo sido maior no quadril operado em sete pacientes, menor em seis e igual em dia do exame, os pacientes receberam uma injeção endovenosa de metileno-difosfonato de tecnécio (MDP-Tc99m), um volume suficiente para a dose de 25m Ci. Os exames cintilográficos foram realizados três horas após a injeção, empre-gando-se uma gamacâmara (CGR) com colimadores de alta resolução, estando o paciente em decúbito dorsal e os membros inferiores discretamente abduzidos. Foram tomadas três medidas da captação, alternadamente de um lado e do outro, extraindo-se depois a média dessas medidas. Isso feito, cal-culou-se o quociente entre as médias do lado operado e do não operado, o qual foi chamado de índice de atividade (IA). </P> <P align=left>Os dados referentes ao IA de cada paciente encontram-se na tabela 2. <BR></P> <P align=center><BR><IMG alt="" src="http://www.rbo.org.br/images/1997/08_ago/ago97075_img_58.jpg"></P> <P>Aos seis meses, variou de 0,8 a 1,5, tendo sido maior no quadril operado em nove pacientes, menor em quatro e igual em cinco, tendo a média geral nesse período ficado em 1,05. </P> <P>Aos 12 meses, variou de 0,6 a 1,6 e foi maior no quadril operado em quatro pacientes, menor em 12 e igual em dois, com média geral de 0,97 (tabela 2). </P> <P>Assim, do 3º ao 6º mês, praticamente não houve alteração na média geral dos índices (1,04 para 1,05, respectivamente). Já do 6º ao 12º mês, houve decaimento de 7,6% na média geral. Analisando o comportamento individual dos pacientes, observou-se que no primeiro intervalo (3º ao 6º mês) o IA não se alterou em quatro, aumentou em nove e diminuiu em cinco. O aumento médio foi de 18,5% (variação: 9-42,8%); a diminuição média foi de 18,26% (variação: 6,5-38,5%). </P> <P>No segundo intervalo (6º ao 12º mês), o IA não se alterou em quatro, aumentou em quatro e diminuiu em dez. O aumento médio foi de 45,1% (variação: 10-100%); a diminuição média foi de 26,5% (variação: 18-45,4%). </P> <P>Considerando a variação entre o 3º e o 12º mês, observouse que o IA diminuiu em nove pacientes, aumentou em cinco e manteve-se inalterado em quatro. A diminuição média foi de 26,7% (variação: 10-46,1%); o aumento médio foi de 32,2% (variação: 7,1-60%). <P><STRONG>DISCUSSÃO</STRONG> </P> <P>A cintilografia óssea é uma técnica extraordinária para avaliar a neo-osteogênese, qualquer que seja sua causa. No caso de se empregar o tecnécio, na forma do metileno difosfonato de tecnécio (MDP-Tc 99m), o composto, por mecanismo de quelação temporário, adere ao osso jovem neoformado, substituindo a hidroxiapatita. Portanto, indiretamente se tem uma medida das atividades metabólicas do osso em estudo (1,6,10,17). </P> <P>No caso das próteses não cimentadas do quadril, é válido inferir que sua presença, por si só, representa agressão ao osso receptor, devido aos micromovimentos, principalmente do componente femoral, já que estes causam osteólise. A resposta do osso agredido, ao menos durante fase inicial, seria a produção do novo tecido ósseo, no sentido de reparar a lise produzida pelos movimentos. </P> <P>Com a infecção e o afrouxamento ou a soltura dos componentes, elevando a intensidade dos movimentos anormais, aumenta a lise óssea e, em decorrência, a neoformação reacional. Para que se possa estabelecer comparações, é necessário que exista um padrão definido da cintilografia normal, em pacientes sem sinais clínicos nem radiográficos, de infecção e/ou afrouxamento. É este o objetivo de nosso trabalho. </P> <P>Os resultados obtidos mostram que na prótese não cimentada, não complicada e bem fixada ao osso receptor, presumivelmente a reação osteogênica é mínima. Embora o IA não tenha sido homogêneo ao longo do tempo, para um mesmo paciente, nem dentro de cada período de avaliação, considerando o grupo todo, observou-se tendência à estabilização entre o 3º e o 12º mês, bem como nos intervalos intermediários. Outro ponto marcante dos resultados foi que os índices de atividades, em quase todos os pacientes, estiveram muito próximo de 1,0, o que significa que a atividade de neo-osteogênese do lado operado não difere muito do lado são. </P> <P>Essa tendência à estabilização foi evidente do 3º ao 6º mês, quando o IA não se alterou ou diminuiu na metade dos pacientes(9). Do 6º para o 12º mês, permaneceu inalterado ou diminuiu em 14 pacientes, o mesmo número observado, também, do 3º ao 12º mês. Verificando-se apenas a média geral em cada grupo, tem-se a confirmação de estabilização, pois ela praticamente não se alterou do 3º ao 6º mês e diminuiu ligeiramente do 6º ao 12º, o mesmo ocorrendo quando se compara o 3º com o 12º mês. </P> <P>Apesar de a amostra de pacientes ser pequena e heterogênea quanto à idade, os dados permitem concluir que na prótese de quadril não cimentada, não complicada, o resultado esperado, normalmente, é o equilíbrio entre osteólise e neoosteogênese; conseqüentemente, o padrão cintilográfico, também, tende ao equilíbrio ao longo do tempo, com diferenças muito pequenas entre o lado operado e o lado são, determinando índices de atividades girando em torno de 1. Também, é permissível concluir que a prótese bem fixada não agride o osso, já que ela funciona quase como se fosse parte integrante dele. </P> <P>Esses dados e conclusões demandam comprovação através de grupos maiores de pacientes e, talvez, de estudos multicêntricos, mas não deixam de ser um parâmetro confiável para estudos futuros.</P></DIV> <DIV style="FONT-FAMILY: 'Century Gothic', Arial; COLOR: #495e37; FONT-SIZE: 14px; FONT-WEIGHT: bold; PADDING-TOP: 3px">REFERÊNCIAS</DIV><BR> <DIV style="PADDING-RIGHT: 9px; FONT-FAMILY: 'Century Gothic', Arial; COLOR: #495e37; FONT-SIZE: 11px"> <P>Bauer, G., Weber, D.A., Ceder, L. et al.: Dynamics of technetium - 99m methylenediphosphonate imaging of the femoral head after hip fracture. Clin Orthop 152: 85-92, 1980. </P> <P>Caniggia, M. &amp; Burroni, L.: Bone scanning in the evaluation of total hip replacement. 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