<DIV style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN-TOP: 10px; PADDING-LEFT: 10px; PADDING-RIGHT: 10px"> <DIV style="PADDING-RIGHT: 9px; FONT-FAMILY: 'Century Gothic', Arial; COLOR: #495e37; FONT-SIZE: 11px"> </P> </DIV><BR> <DIV style="FONT-FAMILY: 'Century Gothic', Arial; COLOR: #495e37; FONT-SIZE: 14px; FONT-WEIGHT: bold; PADDING-TOP: 3px">INTRODUÇÃO</DIV> <DIV style="PADDING-RIGHT: 10px; FONT-FAMILY: 'Century Gothic', Arial; COLOR: #495e37; FONT-SIZE: 13px"></DIV> <DIV style="PADDING-RIGHT: 10px; FONT-FAMILY: 'Century Gothic', Arial; COLOR: #495e37; FONT-SIZE: 13px"> <P align="left">A fixação externa surgiu como método de tratamento no final do século XIX. Aplicações para o uso dos fixadores externos foram ampliadas ao longo deste século, sendo os dispositivos atualmente empregados como fixadores, compressores ou redutores de fraturas e como alongadores ósseos. O aumento das aplicações e do número de modelos de aparelhos disponíveis e os estudos da influência dos esforços na consolidação óssea demandaram a investigação das características mecânicas desses dispositivos e de suas variações de montagens, com o intuito de adequá-las às aplicações clínicas desejadas. </P> <P>O objetivo do presente trabalho é determinar e comparar as características das estabilidades axial e radial das montagens clássica (Ilizarov), Lecco (Bianchi-Maiocchi) e Rancho de Los Amigos (Green) do fixador externo circular de Ilizarov. <P><strong>MATERIAL E MÉTODO</strong></P> <P>As montagens do fixador externo foram feitas em dois tubos de madeira de ipê de 250mm de comprimento, 20mm de diâmetro externo e 10mm de diâmetro interno cada um, distantes 20mm entre si no sentido axial, para simular osso com fratura instável. Quatro anéis de aço inoxidável de 150mm de diâmetro foram instalados, dois em cada tubo, com fios de Kirschner de 1,8mm de diâmetro ou com pinos de Schanz de aço inoxidável de 4,8mm de diâmetro, conforme as montagens descritas abaixo. Os anéis centrais distavam 30mm e os periféricos, 150mm do foco da fratura. No centro das extremidades confrontantes dos tubos, passando pelo eixo de montagem, colocaram-se ponteiros de metal como pontos de referência. As montagens utilizadas foram: </P> <P>1) Montagem clássica (Ilizarov): dois anéis distais ao foco de fratura fixados aos tubos por meio de três fios de Kirschner (0º, 45º e 90º) e dois anéis proximais do foco de fratura fixados com dois fios de Kirschner (0º e 90º)(1,2,6,7) (figura 1). </P> <P>2) Montagem Lecco (Bianchi-Maiocchi et al.): dois anéis distais ao foco de fratura fixados com um fio de Kirschner (0º) e dois pinos de Schanz (60º e 120º) e dois anéis proximais em relação ao foco, fixados com um fio de Kirschner (0º) e um pino de Schanz (90º)(5) (figura 1). </P> <P>3) Montagem Rancho de Los Amigos (Green): dois anéis distais ao foco de fratura fixados com três pinos de Schanz (0º, 120º e 240º) e dois anéis proximais ao foco de fratura fixados com dois pinos de Schanz (0º e 120º)(4,5) (figura 1). </P> <P align="center"><IMG alt="" src="http://www.rbo.org.br/images/1997/08_ago/ago97075_img_19.jpg"></P> <P>Todos os fios de Kirschner foram passados perpendicular-mente ao cilindro e tensionados a 130kgf, fixando as duas "corticais". </P> <P>As montagens foram instaladas em uma máquina universal de ensaios mecânicos Kratos K5002, provida de célula de carga CCT de 98.100N (10Tf), através de dispositivos especiais colocados nas extremidades distais dos cilindros de madeira; um deles fixo, conectado ao cabeçote inferior da máquina, e o outro, móvel, conectado ao cabeçote superior através de um pino excêntrico de extremidade esférica polida, situado a 25mm do eixo do sistema, em posição que se convencionou dorsal, a fim de gerar momentos que se assemelham aos da tíbia durante a fase de apoio da marcha, constituindo modelo descrito pela AO (Arbeitsgemeinschaft für den Ostheosynthesenfragen)(3). </P> <P>Para a avaliação dos deslocamentos radiais das extremidades confrontantes durante a carga, foi adaptado um diedro de 90º, paralelo ao eixo do sistema (eixo Z); esse diedro determinou dois eixos, convencionados como X e Y, funcionando como sistema cartesiano convencional. </P> <P>Os deslocamentos espaciais no plano XY foram medidos diretamente por um paquímetro digital com precisão de 0,01mm, conectado ao diedro e aos ponteiros metálicos já descritos. O deslocamento axial (eixo Z) foi medido diretamente pela máquina de ensaio. Diagramas carga x deformação foram obtidos por um registrador gráfico Servogor 790BBC. </P> <P>A máquina de ensaios mecânicos foi regulada para velocidade de ensaio de 20mm/min. A rigidez axial (média entre 0 e 80kgf de carga) foi medida com ensaios de carga contínua progressiva até 100kgf, através dos diagramas carga x deformação. Os deslocamentos no plano XY foram obtidos em ensaios intermitentes, com aumentos progressivos de carga de 20kgf, até chegar a 80kgf, através de medição direta com </P> <P>o paquímetro digital. Com o auxílio de uma planilha de cálculo determinou-se a fuga lateral máxima, segundo método desenvolvido pelo LIM-41, já publicado previamente(8,9). <P><strong>RESULTADOS</strong> </P> <P align="center"><IMG alt="" src="http://www.rbo.org.br/images/1997/08_ago/ago97075_img_20.jpg"><BR><BR><IMG alt="" src="http://www.rbo.org.br/images/1997/08_ago/ago97075_img_21.jpg"> <P><strong>DISCUSSÃO</strong></P> <P>O tempo de consolidação de uma fratura estável (em que as forças de cisalhamento envolvidos são mínimas) depende, entre outros fatores, do efeito piezelétrico originado pela compressão longitudinal do foco de fratura, que por sua vez depende da rigidez axial do implante ou do fixador externo instalado. É interessante, nesses casos, que haja algum grau de elasticidade axial, permitindo que as cargas que ocorrem nesse sentido gerem um efeito piezelétrico que influa positivamente na consolidação (velocidade e resistência). </P> <P>Nas fraturas instáveis (casos de perda óssea, cominuição, traços espiralados ou com grande obliqüidade), quase toda a carga deve ser suportada pelo dispositivo fixador na fase inicial do tratamento. Nessa situação, configuração com maior rigidez axial deve ser mais adequada. Deslocamentos axiais provocariam deslizamentos entre os fragmentos, gerando cisalhamento prejudicial. </P> <P>Assim, fixador externo excessivamente rígido diminuiria a velocidade de consolidação de fratura estável pelo menor efeito piezelétrico, enquanto fixador muito elástico seria inadequado em fratura instável, pois movimentos indesejáveis de cisalhamento poderiam ser gerados no foco de fratura, o que prejudicaria a consolidação. </P> <P>Analisando os resultados, vemos que há diferenças estatisticamente significativas entre as constantes de proporcionalidade (rigidez axial) das diferentes montagens do fixador, sendo a montagem clássica mais elástica que a montagem de Lecco e esta mais elástica que a montagem do Rancho de Los Amigos (tabela 1). Pode-se, portanto, inferir que a adição de pinos de maior diâmetro confere mais estabilidade axial ao conjunto. </P> <P>A análise da tabela 2 mostra que não há diferença significativa entre as fugas laterais máximas das três montagens, que têm, portanto, a mesma capacidade de contenção de forças de cisalhamento radial no foco de fratura.</P> <P><strong>CONCLUSÕES</strong> </P> <P>1) A montagem clássica é a mais elástica no sentido axial. </P> <P>2) A montagem do Rancho de Los Amigos é a mais rígida no sentido axial. </P> <P>3) As três montagens têm rigidez radial semelhante no foco de fratura. </P> </DIV> <DIV style="FONT-FAMILY: 'Century Gothic', Arial; COLOR: #495e37; FONT-SIZE: 14px; FONT-WEIGHT: bold; PADDING-TOP: 3px">REFERÊNCIAS</DIV><BR> <DIV style="PADDING-RIGHT: 9px; FONT-FAMILY: 'Century Gothic', Arial; COLOR: #495e37; FONT-SIZE: 11px"> <P>1. Bianchi-Maiocchi, A., Benedetti, G.B. & Catagni, M.A.: Introduzione al-la conoscenza delle metodiche di Ilizarov in ortopedia e traumatologia, Milano, Edizione Medi Surgical Video, 1983. </P> <P>2. Bianchi-Maiocchi, A.: L'osteosintesi transossea secondo G.A. Ilizarov: aspetti sperimentali, teorici e clinici, Milano, Edizione Medi Surgical Video, 1985. </P> <P>Boltze, C.C., Chiquet, C. & Niederer, P.G.: Fixador externo - sistema tubular (boletim oficial da AO), Clínica Ortopédica e Cirúrgica do Aparelho Locomotor da Universidade de Berna, Berna, primavera de 1978. </P> <P>Green, S.: The Ilizarov method: Rancho technique. Orthop Clin North Am 22: 515-521, 1991. </P> <P>Green, S.: "Ilizarov method", in Browner, B.D., Jupiter, J.B., Levine, A.M. et al: Skeletal trauma, Philadelphia, Saunders, 1992. </P> <P>Ilizarov, G.A.: Basic principles of transosseous compression and distraction. Ortop Travmatol Protez 32 (II): 7-15, 1971. Apud Bianchi-Maioc-chi, A.: Introduzione alla conoscenza delle metodiche di Ilizarov in ortopedia e traumatologia, Milano, Edizione Medi Surgical Video, 1983. </P> <P>Ilizarov, G.A.: Transosseous ostheosynthesis, Berlin, Springer-Verlag, 1992. </P> <P>Rossi, J.D.M.B.A.: Estudo comparativo de fixadores externos IOT (LIM41) com perfis de duralumínio e aço inoxidável. Rev Bras Ortop 23: 192196, 1988. </P> <P>Toledo, C.S.: Estudo mecânico do fixador externo de Rossi, Tese (Doutorado), Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, 1989. </P></DIV></DIV>