INTRODUÇÃO

A maioria das mulheres após a menopausa desenvolve uma curvatura nas costas denominada gibosidade ou "corcova de viúva" que, em inglês, é chamada dowager's hump. Ao consultarmos o dicionário, este termo refere-se a uma senhora madura, com saúde, dignidade e corcunda. A osteoporose é doença predominantemente de mulheres e significa progressiva perda de massa óssea, causando seu enfraquecimento e predisposição a fraturas. A coluna cervical é composta por uma série de vértebras, umas sobre as outras, como se fosse um grande edifício. Suporta todo o peso do corpo humano quando da postura ereta. Como a perda de massa óssea, principalmente do cálcio, se vai acentuando ano após ano, as vértebras começam a achatar-se lentamente devido a microfraturas não perceptíveis. Altera-se o formato dessas vértebras que, de quadradas, passam a triangulares. Este processo ainda é irreversível e pode ocasionar diminuição na estatura feminina, às vezes de um centímetro ao ano. Enquanto vários estudos são feitos para corrigir esse problema, que é antiestético e doloroso nas mulheres, procura-se medicação específica que reverta esse quadro. Isso requer novo princípio de reconstrução óssea.

Paralelamente, seguindo tendência mundial, o Brasil está deixando de ser país predominantemente jovem, devido principalmente ao aumento da expectativa média de vida e ao baixo índice de natalidade. Teremos, então, grande número de pessoas passando dos 70 anos de idade.

Alterações importantes no organismo das mulheres podem ocasionar também tendência ao desânimo, ou seja, a falta de iinteresse por realizar tarefas, ocorrendo assim verdadeiro ciclo vicioso de má postura (hipercifose), depressão e sintomas dolorosos. Percebemos que, se conseguirmos evitar essa deformidade, a mulher moderna andará mais ereta, mais confiante, com vontade de viver e sempre olhando para cima. Evitará a timidez e o desânimo próprios daquelas pessoas que caminham curvadas.

APRESENTAÇÃO DE DOIS CASOS

1º caso

Apresentamos, inicialmente, K.S., 15 anos de idade, com problemas de má postura (cifose da adolescente). Segundo a sua mãe, esse problema existe desde o aparecimento dos caracteres sexuais secundários (seios). Sua atitude é introspectiva, estatura elevada e já fez vários tipos de tratamentos, porém sem resultado prático. Por motivos diversos, entre eles financeiros, não pode fazer ginástica especializada nem usar os coletes convencionais. Utilizamos o sutiã neste caso por cerca de seis horas diariamente, além de exercícios caseiros para fortalecer a musculatura dorsal e corrigir a hipercifose. Este aparelho foi muito bem aceito pela paciente. Vemos na fig. 1 radiografia de perfil usando sutiã comum e sutiã postural.

2º caso

O segundo caso é o da paciente N.N., de 42 anos de idade, que se queixa de desconforto e dor acentuada no nível da região cervicodorsal. O exame físico já apresenta esboço de gibosidade, conforme vemos na radiografia de perfil da coluna dorsal (fig. 2). Na fig. 3 vemos a radiografia da coluna dorsal em perfil de sua mãe, S.N., com 70 anos de idade, com queixa acentuada de dor no nível da coluna vertebral. Sua gibosidade é marcante, inclusive, com perda na estatura de cerca de 6cm. Se N.N. não se precaver, ficará como sua mãe.

COMO FUNCIONA

Com o objetivo de alcançar solução prática e eficiente para minimização desses problemas ortopédicos, idealizou-se dispositivo de correção postural que, estando na forma de sutiã, é capaz de proporcionar a correção da postura da usuária de forma simples, eficiente e confortável.

Este dispositivo é formado basicamente por um corpo de sutiã provido em sua porção frontal de abas ligadas entre si por meios convencionais e por um suporte posterior de plástico rígido, ao qual tiras gêmeas, usando o sistema de fixação de velcro, são conectadas. Este suporte funciona como bloqueio no qual regulamos a tração e graduamos o nível de correção que queremos atingir. A fixação dá-se através do velcro. Um cuidado importante na idealização deste aparelho foi confeccionar algo que não incomodasse na região axilar e nem comprometesse a circulação neste nível.

DISCUSSÃO

A mulher moderna deve assumir novo posicionamento na sociedade e por isso é fundamental corrigir os vícios posturais, desde a fase da adolescência, pois a tendência é piorar com o tempo. Devemos procurar enfatizar os riscos da má postura e nunca esquecer os aspectos da hereditariedade e os vícios do trabalho. E propor mudanças de hábitos, combatendo principalmente o sedentarismo, nova concepção em relação à alimentação, tendo como objetivo orientar as mulheres sobre a importância da ingestão do cálcio durante a vida toda.

Devemos evitar a hipercifose que, a princípio, é postural e, depois, passa a ser estrutural. Nestes casos encontramos deformidade nas vértebras e, portanto, achamos fundamental o uso de aparelho, que poderia ser o sutiã postural. É recomendado seu uso durante o horário de trabalho, ou seja, em média, seis horas por dia e, nas adolescentes, no horário escolar. Já vimos na prática que o uso de coletes convencionais, tais como de Taylor ou Milwaukee, etc., é de difícil aceitação, principalmente pelo alto custo e sua pouca praticidade.

Não sabemos ainda se esta seria a solução final, porém consideramos um início da procura para melhor postura.

Estamos em início de estudos da alteração na postura de pacientes que apresentam tonteira e mal-estar devido à insuficiência circulatória (artrose cervical), semelhante a labirintopatias. Nestes casos a mudança da postura com uso do sutiã postural projeta os ombros para trás e levanta a cabeça, melhorando a hipercifose. Essas pacientes relatam alívio dos sintomas, inclusive com menos tendência para quedas.

Como a medicina moderna se baseia na prevenção de futuros problemas, este tipo de aparelho pode ser útil pelo baixo custo, praticidade e por ser bem aceito pela maioria das mulheres. O sutiã postural deverá ser indicado por médicos ou fisioterapeutas, podendo seu uso ser de grande utilidade na futura geração feminina.

OBSERVAÇÃO

Este aparelho foi patentado no Brasil e exterior (PAT-DEP PI 95-01.947-2).

REFERÊNCIAS

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