INTRODUÇÃO

Inúmeras técnicas têm sido descritas para o tratamento de luxação anterior recidivante do ombro (1,6,7,13). As técnicas operatórias consistem em evitar a recidiva da luxação através do reparo capsular, transferências tendinosas ou bloqueios ósseos. No tratamento da LARO, existem evidências na literatura de que as técnicas de reparo capsular, com o restabelecimento da anatomia, levam a resultados funcionais superiores(1-3,14,15) . Por outro lado, as operações que limitam o movimento articular podem levar à artrose da articulação glenoumeral (8,9,11).

MATERIAL E MÉTODOS

No período de 1969 a 1992, 32 pacientes foram submetidos à reparação capsular anterior do ombro utilizando a modificação da operação original de Bankart, que consiste em fazer o reparo capsular sem perfurações do rebordo glenóideo. Vinte pacientes retornaram para a avaliação, permitindo o presente trabalho.

O tempo médio de evolução foi de dez anos (um ano a 23 anos). Dezessete pacientes eram do sexo masculino e três, do feminino. A faixa etária variou de 14 a 45 anos, com média de 25,3 anos. Treze pacientes (65%) apresentavam LARO no lado direito, sete (35%) a esquerda, sendo que em 12 pacientes (55%) tratava-se do lado dominante (quadro 1).

Utilizamos em todos os pacientes a via de acesso anterior ao ombro. O sulco entre o deltóide e o peitoral maior e identificado, tendo como referência a veia cefálica; na dissecção, tivemos o cuidado de afastá-la juntamente com o deltóide, com a finalidade de preservar os ramos que provém desse músculo, O tendão conjunto não é desinserido da coracóide, porém afastado medial-mente, tendo-se o cuidado em evitar a tração do nervo musculocutâneo. Com o ombro em rotação externa, o músculo subescapular é seccionado no sentido súpero-inferior, a cerca de dois centímetros de sua inserção no úmero. Chamamos a atenção para o fato de que a secção inferior é interrompida acima dos vasos circunflexos. O músculo subescapular é dividido no sentido horizontal, preservando sua inserção inferior e protegendo o nervo circunflexo (fig. 1). Mantendo o ombro em rotação externa, a cápsula articular é seccionada no sentido oblíquo, de cima para baixo e de fora para dentro, resultan- do no retalho maior da cápsula na parte inferior (fig. 2). Afastamos, com o auxilio da alavanca de Benett, a cabeça umeral lateralmente, o que permite visualizar a glenóide, a inserção capsular e a lesão de Bankart. O retalho capsular medial é levantado na zona descolada e p rebordo e a face anterior da glenóide são curetados, com o objetivo de permitir a aderência da cápsula após a sutura (fig. 3). A reparação capsular é feita tipo jaquetão e deve ser executada mantendo o ombro em 45 graus de abdução e em rotação neutra (fig. 4). O subescapular é suturado na posição anatômica e a ferida operatória, por planos, não sendo usado qualquer tipo de drenagem. O membro é imobilizado em tipóia, mantendo adução e rotação interna do ombro por cinco semanas. Após a retirada da imobilização, iniciam-se movimentos ativos do ombro, não sendo necessários cuidados fisioterápicos especiais.

DISCUSSÃO

As lesões patológicas responsáveis pela LARO podem ser divididas em três grupos: lesões capsulares (ruptura capsular e labrum do rebordo glenóideo), lesões miotendinosas (lesões do subescapular) e lesões ósseas (lesão de Hill-Sacks) (5,12,21), sendo que a lesão mais comum é a capsular(1-3,10) .

Bankart, em 1923, publicou trabalho em que preconizava o tratamento da LARO corrigindo a alteração capsular. Ao longo dos anos, essa técnica sofreu inúmeras modificações por diversos autores, que, entretanto, mantiveram o seu princípio básico (4). Na técnica original de Bankart, e necessário o uso de um perfurador que permita perfurações na glenóide e, posteriormente, fixação da cápsula no rebordo glenóideo através desses orifícios. A modificação por nós proposta elimina o tempo operatório das perfurações e dispensa o uso de instrumental específico. Nossos resultados são comparaveis aos descritos com a técnica de Bankart, havendo recuperação completa dos movimentos do ombro (figs. 5, 6 e 7). Não houve recidiva em qualquer dos casos operados.

CONCLUSÕES

1) A técnica cirúrgica utilizada foi simplificada, sen-do o tempo operatório da perfuração do rebordo glenóideo eliminado.

2) Não houve recidiva da luxação; a recuperação funcional do ombro foi muito boa e não observamos alterações degenerativas em nenhum caso operado.

REFERÊNCIAS

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