INTRODUÇÃO

A etiologia da doença de Dupuytren tem sido objeto de considerável controvérsia desde que esta condição foi descrita pela primeira vez há 159 anos. O próprio Barão de Dupuytren (1833) foi o primeiro a associar es-ta patologia a fatores ocupacionais. Goyrand (1833) mostrou a forte tendência familiar desta doença.

James (9) afirmou que um quarto dos homens idosos do Reino Unido são portadores de doença de Dupuytren; mesmo assim, muito pouco foi descoberto sobre sua etiologia neste século. Alta incidência foi relatada na Austrália(8) e Escandinávia(12,17), porém esta condição é muito rara nos chineses, indianos e negros (2). É interessante ressaltar que nessas raças é mais freqüente a formação de cicatrizes queloidianas. Não há apenas diferenças raciais na incidência, mas também no padrão da doença de Dupuytren (8).

O fator etiológico mais conhecido e a hereditarie-(11), e um provável padrão genético encontra-se associado com a epilepsia(9). Lund (1941) foi o primeiro a chamar a atenção para a alta incidência nos pacientes epilópticos da Escandinávia e essa observação foi confirmada por Skoog (17) e Areff & Bell(1), na América, e Hueston (8), na Austrália. Early(4), através de um estudo populacional, não correlacionou o trauma como fator etiológico e Fisk(5) concordou.

A literatura revela uma associação entre doença de Dupuytren e diabetes(3,6,7,14-16,18,19) . Nestes grupos, a incidência de Dupuytren variou entre 1,6% e 32%; entretanto, algumas das conclusões estão abertas a questionamentos. Noble(13) encontrou uma alta incidência (42%) no estudo clínico de adultos diabéticos.

Dois estudos(10,20) contestam a relação entre doença de Dupuytren e diabetes, havendo clara necessidade de novos estudos, baseados em cuidadoso exame clínico das mãos desses pacientes.

O objetivo deste trabalho e relatar a incidência da doença de Dupuytren em diabéticos, identificando seu padrão de apresentação.

PACIENTES E MÉTODOS

O estudo é constituído de 223 pacientes adultos portadores de diabetes melito que fazem parte do Programa de Controle de Diabetes Melito do Posto de Atendimento Médico do INAMPS em Maceió. Com relação ao sexo, 146 eram femininos e 77, masculinos. A idade variou de 20 a 78 anos, com média de 52 anos. Quanto à cor, 61 eram brancos, 36 pretos e 126 pardos.

O diagnóstico da doença de Dupuytren foi realizado através da observação de uma ou mais das quatro características seguintes: nódulos palmares ou digitais, aderências da pele, cordões palmares ou digitais e contraturas digitais.

Todas as 446 mãos foram submetidas a inspeção e palpação pelos autores. Os pacientes foram divididos em quatro grupos, de acordo com o tempo de diabetes: 0-5, 6-10, 11-20 e acima de 20 anos. Com relação ao la-do acometido, classificou-se em dominante, não-dominante e bilateral. Com relação à localização, em região palmar e digital. Cada característica foi igualmente distribuída dentre os cinco raios da mão. Os pés não foram rotineiramente examinados.

RESULTADOS

Dos 223 pacientes examinados, 56 (25%) apresentavam sinais de Dupuytren, sendo 40 casos unilaterais e 16 bilaterais. Em 66%, a mão afetada foi a dominante. A incidência nos 77 homens foi de 28% e nas 146 mulheres, 23%. Das 72 mãos acometidas, 85% dos sinais de Dupuytren tinham localização palmar; quanto aos raios digitais, o mais acometido foi o quinto.

Os resultados com relação ao tempo de diabetes e a incidência de sinais de Dupuytren são mostrados na figura 1. Os achados de doença de Dupuytren foram três vezes mais comuns nos pacientes com mais de 20 anos de diabetes que nos afetados com menos de cinco anos. Os sinais de Dupuytren são mostrados na figura 2. A grande predominância de nódulos (87,5%) e a baixa incidência de contraturas (2%) demonstraram a natureza benigna da doença de Dupuytren nos diabéticos.

DISCUSSÃO

Neste estudo, todas as mãos foram examinadas pelos autores e a incidência de sinais de Dupuytren foi encontrada em 25% dos pacientes. Noble(13) relatou alta incidência (42%). Spring & col.(18) apresentaram incidências que variaram de três a 32%. Nenhuma menção na literatura nacional foi encontrada.

Segundo Nobl e(13), existe um padrão distinto de doença de Dupuytren nos diabéticos, sendo acometido mais frequentemente o 3º raio, enquanto que neste estudo houve maior predominância dos nódulos palmares e comprometimento do 5º raio. Contraturas severas que necessitassem de tratamento cirúrgico não foram encontradas, o que caracteriza a benignidade desta doenças nos diabéticos, como afirmado por Noble(13).

Observou-se maior incidência de Dupuytren nos pacientes idosos, do sexo masculino e com história mais longa de diabetes. Estes foram os únicos fatores com os quais a incidência de doença de Dupuytren nos diabéticos estava associada. Não houve correlação entre a severidade da diabetes e a incidência de Dupuytren.

Este estudo mostra um padrão de doença de Dupuytren comumente associada a diabetes e da importância ao fato de que os sinais apresentados na doença de Dupuytren podem trazer à luz a diabetes.

REFERÊNCIAS

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