O objetivo deste trabalho é mostrar a técnica, as indicações e os resultados com a osteossíntese de Roy-Camille, por via posterior, na coluna cervical inferior (C3 a C7).
CASUÍSTICA E MÉTODO DE AVALIAÇÃO
Nossa casuística consta de 18 pacientes com lesões traumáticas da coluna cervical inferior, operados por via posterior pela técnica de Roy-Camille, de 1986 a 1991. Destes pacientes, 50%(9) sofreram lesão unilateral, 61,2% (11) não tiveram lesão medular, sendo a maior incidência de lesão no espaço C5-C6 (44,5 %), seguido de C4-C5 (22,2%). Cerca de 35,7% das lesões medulares ocorreram nas luxações bilaterais (tabelas 1, 2, 3 e 4).
O seguimento médio dos casos foi de 188 dias.

Indicamos a osteossíntese posterior de Roy-Camille em todas as lesões instáveis, como as luxações uni e bilaterais, as fraturas-luxações e as entorses graves (tabela 5).

O diagnóstico é feito através de RX simples convencional (frente, perfil e oblíquas) e, em alguns casos, RX dinâmico em perfil.
TÉCNICA CIRÚRGICA
A redução das lesões, na maioria dos casos, foi através da tração com halo craniano. Apenas seis casos fo-ram reduzidos cirurgicamente utilizando-se a manobra de desmonta-pneu de Roy-Camille, empregando-se espátulas, com ou sem apofisectomia. Esta técnica evita o desconforto da tração cervical pelo halo craniano.
Utilizamos para a osteossíntese o instrumental de Roy-Camille: placas de dois ou três furos, brocas de 2,8mm com stop de 15 e 17mm de comprimento e parafusos de 3,5mm, sempre 1mm menor do que o comprimento das brocas. Estas são introduzidas perpendiculares ao arco posterior com uma obliqüidade externa de 50, perfurando o meio do maciço articular. Todos os fu
ros são feitos de uma só vez, com a coluna bem posicionada. A osteossíntese é firme e geralmente dispensa enxerto ósseo.
A imobilização externa e feita com colar cervical comum, permitindo ao paciente sentar-se no 2º ou 3º dia de pós-operatório. A alta definitiva é dada após um RX dinâmico, decorridos 90 dias.
RESULTADOS
Os resultados deste método de osteossíntese foram satisfatórios, pois possibilitam aos pacientes uma reabilitação precoce, usando apenas um colar cervical. A fixação é rígida, dispensando-se, na maioria das vezes, o enxerto ósseo. Este só foi usado nos casos de fratura-luxa-ção com fraturas associadas de lâminas, de pedículo e do maciço articular.
Em um dos casos, tivemos que associar placa e cerclagem com arames de aço na apófise espinhosa, por causa de fratura do maciço articular de um dos lados, obten-do-se boa fixação.
Em outro paciente, houve aparecimento de cifose cervical residual com intensa dor e instabilidade ao RX dinâmico, no pós-operatório imediato. Neste, complementamos com uma artrodese por via anterior, resolvendo se o problema.



Em 81,3% dos casos, não apareceu cifose cervical residual. Nos 18,7% em que ela apareceu, não estava acompanhada de dor ou instabilidade ao RX dinâmico, proporcionando a estes pacientes uma vida normal. Não tivemos outras complicações (tabela 6). As cifoses residuais ocorreram devido a um erro de técnica, que foi corrigido nos últimos casos operados.


CONCLUSÃO
O método apresentou asseguintes vantagens: 1) simplicidade, segurança e rigidez da osteossíntese; 2) pode ser usado em fratura-luxação associada a fraturas da lâmina, do pedículo e da apófise articular; 3) não necessita de enxerto ósseo; 4) pode ser retirado, restituindo a função articular; e 5) precocidade na reabilitação do paciente: pela redução cirúrgica imediata; pela deambulação precoce.
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